Não fume! Pela sua Saúde!

Mas jogue Vanquish, para seu divertimento!

Em órbita espacial, existe uma colónia ao serviço dos EUA, chamada Providence. Em Providence, produz-se energia solar que depois é enviada para a Terra. Melhor dizendo, directamente para o país do Tio Sam. O envio é feito através de um canhão que, caso seja usado por pessoas mal intencionadas, é capaz de fritar toda e qualquer forma de vida. É aqui que entram em cena os maus da fita. Um grupo extremista de nome Order of the Russian Star (Sim. São russos… Rússia… bha! A eterna luta clichê no mundo dos videojogos EUA vs Rússia) que invade a colónia americana e toma controlo do canhão, disparando-o contra a cidade de São Francisco e ameaçando a Big Apple como sendo o próximo alvo (típico…). Ora, antes que isso aconteça, o que é que a malta tem que fazer? Pois está claro, temos que ir lá acima limpar o sebo dos Russian Invaders. E não são uns inimigos quaisquer. Tratam-se de robots, de todos os tamanhos e feitios, para todos os gostos! Já deu para ver que a história não é o ponto forte deste jogo, não já?

Como eu disse, são para todos os gostos. Este é de geleia!

 

Somos Sam Gideon, um moço bastante bem parecido, que é chamado à recepção para ajudar na luta contra os sofisticados mechs russos. Quer dizer, eu pensava que eles eram todos XPTO, até ver o smoking de última geração que Sam traz vestido, chamado Augmented Reaction Suit (ARS). Este é um fato que o torna num super-soldado, capaz de pôr a um cantinho qualquer batalhão que lhe faça frente; sendo caso para dizer “antes sozinho do que mal acompanhado”, o que poderão comprovar durante o jogo.

O ARS é uma grande peça, senão a mais importante, da originalidade deste jogo e está intimamente ligado à jogabilidade. Possibilita a Sam entrar numa espécie de realidade aumentada, ao estilo bullet time do velhinho Max Payne, permitindo seleccionar alvos com precisão e salvar o coiro em muitas situações; uma vez que quando estamos às portas da morte o ARS automaticamente pára o tempo, dando-nos mais uns segundos para procurar cobertura e recuperar energias. Mas uma das possibilidades mais divertidas desta fatiota são os propulsores que ele tem instalados; os quais quando activados fazem Sam deslizar de joelhos pelo chão a uma velocidade alucinante! Incluindo subir escadas! Ahahahaha. Devo dizer que usei e abusei deste recurso para dar de frosques nas mais diversas situações, e é mesmo muito útil, vão ver. Também são de destacar os combates corpo a corpo. O ARS confere a Sam uma força de Minotauro, proporcionando cargas de porrada brutais e enérgicas. Contudo o ARS não é perfeito e como tal temos que saber usar os seus “poderes” com moderação, porque o uso em excesso provoca sobreaquecimento no fato. Mas este sobreaquecimento do fato não me preocupa nadinha, comparando com o facto de este rapaz (o Sam) ser um fumador compulsivo! Volta e meia acende um cigarro e dá umas passas, até mesmo a segundos de defrontar um Boss! Ele sabe que com ele, os mechs não têm muita hipótese. Mas por favor alguém lhe diga que fumar mata! Neste caso nem o ARS o salvará. Já em Metal Gear Solid o Dr. Otacon diz: “Snake, are you smoking? You really should quit.” O mesmo se aplica ao bonitão do Sam. Portanto há que marcar uma consulta com o Dr. Otacon.

Propulsores em acção desafiando todas as leis da física! E do som… e da imagem… Step by step? No way! Sliding all the way up!

 

Quero ainda apresentar-vos mais dois personagens que nos vão acompanhar ao longo do jogo. São eles Robert Burns e Elena Ivanova. Burns é o típico veterano de guerra de ar durão e mau feitio; resmungão e casmurro. É ele o comandante da nossa operação “Delete Russian Invaders”. Ivanova, tem nome de jogadora de ténis ou outra coisa qualquer. Não sei se ela pratica ténis, mas uma coisa é certa: Elena Ivanova é uma grandessíssima pirata! Não, não é nenhuma pirata do ar ou do mar. Ou em terra, que também há muitos por aí… É uma hacker que nos guiará via rádio durante as missões.

Depois de começarmos a jogar, sendo conduzidos através de um tutorial inteligentemente bem construído que sai fora dos formatos tradicionais de “press X to jump” ou “ press O to… qualquer coisa”, bem como a desvendar as potencialidades do ARS e sabendo de antemão que Vanquish é um jogo criado pelo pai de Resident Evil, Shinki Mikami e produzido pela Platinum Games, responsável pelo Hack and slash Bayonnetta (mulheres ao poder!! ), depressa entendemos que este não poderia ser e não é “apenas mais um jogo”. Em Vanquish a acção é frenética e há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Hordas de mechs para abater, partes do cenário em destruição, objectos pelo ar, naves de inimigos a despenhar-se mesmo ao nosso lado, balas perdidas e outras coisas mais, que nos poderão escapar ao olhar de tão frenético ser o jogo. Nunca estamos parados e praticamente não corremos o risco de ficar retidos num nível. Tudo o que nos aparece pela frente é carne (metal) para canhão. O som é um excelente complemento ao desenrolar da acção, explosões, tiroteios, aterragem de naves espaciais, propulsores em acção, etc. Imaginem todos estes sons ao mesmo tempo! Poderá parecer-vos uma salganhada medonha para o ouvido, mas não é o caso. Tudo parece ter sido trabalhado nas doses necessárias e certas. No que toca à jogabilidade, esta é fácil e intuitiva sendo a nossa adaptação bastante rápida. Sam interage tão bem com o cenário, de modo que nunca nos sentimos a esbarrar e a ficar presos entre a parede mais próxima ou outro obstáculo que nos apareça pelo caminho. Em termos visuais Vanquish está bastante bem, embora mais uma vez, o frenesim com que o jogo decorre, não nos deixa contemplar com a atenção necessária os cenários futuristas por onde vamos passando. Em momentos épicos de batalha, somos brindados com QTE’s (Quick Time Events) bastante bem arquitectados e agradáveis ao olho.

“It's not allowed smoke on this ship!” O velho tem mau feitio, mas aqui tenho que concordar com ele.

 

Vanquish peca por ser um jogo de curta duração, ou não. Dependendo se acharem que já aliviaram todo o vosso stress diário a que os tempos de crise nos obrigam. Entre 5 a 6 horas é a dose da injecção de adrenalina que nos é dada. É possível jogar em 5 modos; casual auto, casual, normal, hard e god hard. Podendo assim ser jogado pelo mais desajeitado dos gamers até ao mais veterano dos botões dos comandos de consola. Quando acabamos o jogo temos à nossa disposição um Challenge Mode, em que temos que eliminar ordas de mechs a fim de avançar de nível. Só que não é fácil e quando vamos parar ao jardim das tabuletas, temos que começar do zero. No entanto, a grande falha de Vanquish é não ter um Multiplayer Mode. Acaba-se o jogo, descarregam-se uns chumbos no modo challenge, os mais masoquistas poderão aventurar-se no modo God Hard, mas nada mais para além disso. Com um modo online, Vanquish só teria a ganhar. Ao ritmo alucinante e jogabilidade fluída de Vanquish, imaginamos horas de divertimento online em modo co-op por exemplo.

Em jeito de conclusão e à moda da Ilha Terceira digo: “É home este jioug é um fuaier!” Tradução: Épá este jogo é um espectáculo! Foi assim que vi Vanquish até ao final. Vemos ser um jogo que bebe em muitas fontes, em que temos aquela sensação recorrente de já termos visto isto em qualquer lado, mas depressa nos esquecemos e continuamos numa luta desenfreada e quase terapêutica para o nosso estado de alma. Trata-se de um jogo com um certo estilo arcade que parece ter saído de um cocktail de influências dos mais diversos jogos existentes. Mas tudo foi misturado de forma sábia e original, dando origem a um 3rd person shooter futurista muito bem conseguido. Portanto se gostam de adrenalina, acção non-stop, cenários futuristas, robots e até mesmo não pensar muito (sim porque as vezes não estamos predispostos a tal), então juntem-se a Sam. Mas por favor não fumem!

(Versão analisada: PS3. Também disponível para Xbox 360)