Uma Arte Hiper-Realista?

Sou devoto a uns carros que fui ganhando gosto ao longo da vida e outros que ficam na memória, mesmo que distante. Numa caixa – uma colecção de carros de colecção – estavam Mercedes Benz, Ferrari, Porsche e BMW e não me lembro ao certo de quem recebi, mas o acto de receber ainda fica ofuscado na mente. Era a primeira fase para incutir em mim um gosto pelos carros de maior cilindrada. Pouco depois: O primeiro Outrun e Pole Position. Não quis outra coisa. Com pequena curiosidade voltei agora a ver vídeos destes dois jogos e não deixei de ficar surpreendido com o que aconteceu dessa época até hoje na criação de videojogos e sua exponencial evolução. Os tempos em que comandávamos os carros para a direita e esquerda e o que se mexia era um cenário rudimentar, mas gostava, e ver o vídeo foi como olhar para a imaturidade de uma criança que era na altura, pois achava que eram espectaculares (eram mesmo supimpa!), embora com outra perspectiva intemporal. Com que olhar vão as crianças e adolescentes de hoje olhar para Forza 4 no futuro? Acredito que vai ser um marco para eles como foi para mim receber aquela caixa.

Vou apanhar-te… daqui a 12 curvas.

 

Ao iniciar o jogo começamos com definições no modo mais fácil, as mesmas que são necessárias para jogar com Kinect. Num movimento a segurar num volante e a rodá-lo, de pé ou sentados, há uma tendência em fazer um movimento de troca de mudança ou pisar o pé no travão parecendo uns maluquinhos e aí o sensor responde com o carro a ser violentamente desviado para o lado. De uma forma simples controla-se o carro e embora com um pequeno atraso na resposta, é preciso na rotação. Estar com kinect não significa apenas abanar mãos, pois é também dotado de um menu com reconhecimento de voz e se disserem Xbox esse menu é activado e faz-se magia, mas não façam isso com um aspirador ao lado e se estiverem numa conversa com alguém é possível que o menu seja activado várias vezes sem quererem. Não, não são fantasmas a assombrar. Buh!

Depois de experimentar esta funcionalidade, decidi pegar no comando e dedicando algum tempo nas primeiras pistas, ainda no meu C1, percebi que andava tudo muito lento para mim, travava automaticamente e desde o Motosport 1 que mantinha a linha na estrada que serve de ajuda para efectuar melhor o trajecto do carro. No início pode ser importante manter este guia para perceber melhor o trajecto numa curva (pode servir de tutorial), mas não queria isso e decidi espreitar nas definições da dificuldade do jogo. Nas definições podemos mudar o controlo de estabilidade e tracção; Mudanças automáticas ou manuais; Retirar a linha guia ou só tê-la nas travagens; Maior assistência ou simulação na condução, combustível, danos provocados por acidentes e influência ou não pelo tipo de pneus usados. Esperem que ainda há mais: Assistência com travão que pode ser automático, com ou sem ABS e sem este sistema a roda do carro pode bloquear, entrando em derrapagem e sem aderência ao piso. Pela minha experiência, estar sem este sistema é quase impossível jogar porque o carro, seja qual for, sai projectado em cada curva e capota com um pequeno toque de outro carro a 50Km/hora. Pode ser asnada estar uma hora a tentar passar uma pista e fez-me desistir, por isso voltei às definições para ligar ABS (Assisted Beaking System ou Ah Boa… Scena), mudanças automáticas, controlo de tracção e estabilidade e também cortei com o Rewind: uma ferramenta que possibilita voltar no tempo. Para que fique claro, esta opção é pura batota, mas quando falhamos a última curva e nos passam à frente mesmo no final, é nesse momento que queremos ter esta opção activa ou quando destruímos o carro contra um parede num momento ensurdecedor pelo impacto forte.

Modo Hard: I believe i can Fly!

 

Muita gente provavelmente percebeu que a marca Porsche ficou de fora do Forza 4, pois a Turn 10 foi proibida de incluir Porsches e com licença não renovada. No entanto, estamos perante cerca de 500 carros de 80 fabricantes e vê-se o número a aumentar com os Packs/DLC. Desde o Citroën C1 ao Ferrari F50 ou desde o Hummer H1 Alpha ao #11 JML Team Panoz LMP-01 (não tinham nome mais simples?) podemos ter acesso a todos, ganhando e comprando no Marketplace por leilão ou comprando os seis packs com dez carros cada e fazer o download de alguns grátis. Quando meti as mãos no #050 Panoz Abruzzi, presente no DLC para download no pack February American Le Mans, o meu olhar sobre Forza Motosport 4 mudou ao agarrar este carro com estabilidade, força, potência e tracção que ainda não tinha experimentado. Se há outros melhores? Certamente, mas entendem que quando todos os carros são diferentes e respondem todos de forma diferente, há sempre aquele que se adapta melhor ao nosso estilo de condução. É preciso sentir o carro, caso contrário não se está a ir além do “manusear a máquina” e Forza 4 consegue dar essa sensação de condução tão fiel como estar dentro de uma verdadeira bomba. Factor disso é derivado da extrema qualidade visual, não havendo grande diferença com imagens reais de carros reais e é também derivado do trabalho de som, não só do motor gravado caso a caso, mas de igual forma com as travagens, derrapagens, acidentes e acção com materiais envolventes que torna a condução mergulhada numa arte hiper-realista. O detalhe aplicado nos carros e nas pistas, diferenciando do Forza 3 (nem vou pegar no forza 1 porque a diferença é brutal), melhorou consideravelmente na sua autenticidade com novo efeito de luz e o tempo, tendo oportunidade de conduzir pelo nevoeiro e pelo efeito incandescente do sol a bater na areia da Mazda Raceway Laguna Seca (mais uma vez, extremamente real). Nunca me deparei com chuva, granizo, tempestades ou noite, mas deparei-me com belos pôr-do-sol e dias com temperaturas altas. Sempre altas.

Fiquei fã da Panoz. Mais ainda quando lhe tirei os autocolantes e pintei a preto.

 

Algo que mudou do título anterior foi também a inteligência artificial dos carros (não sei se é dos condutores que estão dentro completamente estáticos). Agora percebe-se que são mais dinâmicos e respondem melhor de acordo com o nosso progresso tornando as corridas mais competitivas e satisfatórias. Em Forza 4, ao contrário do 3, os carros não sobem de nível mas sim a afinidade pelas marcas e quando chegam ao nível 5, o desconto nas partes para upgrade atingem um desconto de 100%. Os upgrades (quitanço e tuning se preferirem) elevam os carros do modelo original para níveis acima da sua potência e características. O XP, créditos e afinidade são ganhos através dos modos World Tour, Event List e Rival. No primeiro entramos numa competição Mundial desde o amador da class F aos carros de fórmula 1 da class R1 e traduz-se em conduzir em conceituadas pistas de três continentes. A complexidade, extensão e o número de competições eleva-se à medida que subimos de escalão e vamos recebendo aos poucos carros cada vez mais Potentes. Isto é, Bombas. No Event list temos uma infinidade de corridas onde também podemos ganhar bónus e créditos. Já no modo rival, corremos com outros oponentes de outra parte do mundo e com um carro rival fantasma, acedendo à rede e sem ser precisa uma conta gold por se tratar dum modo offline. Os rivais aparecem em várias categorias onde temos de bater o recorde do adversário e, ao fazê-lo, este recebe uma mensagem para novamente ultrapassar o nosso resultado. Neste espaço ganham-se prémios únicos da Top Gear e da Turn 10 e podem achar tudo isto exagerado, mas nada é feito ao acaso. A Turn 10 fez um Forza para durar e se estiverem fartos de conduzir, podem sempre contratar um condutor (excepto modo rival) para fazer o vosso trabalho enquanto jantam, vão ao café ou dormem uma sesta. Perdem alguns benefícios, mas continuam a ganhar créditos. Estes créditos servem para adquirir partes para os carros ou comprar outros carros em leilão na Auction House (casa de leilões). São muitos carros a ser leiloados a cada minuto e podem também vender os vossos automóveis. Estou com quase 2 milhões de créditos e acho que vou comprar um Lamborghini Sesto Elemento quando aparecer, e bem quitado de preferência e ainda não o tenho porque escolhi o Zonda Cinque Roadster (medo!). Ao contrário de anteriormente, agora podem desbloquear os carros e escolher um entre vários à disposição. A escolha torna-se cada vez mais difícil.

É verdade, agora podem jogar Car bowling. Mesmo assim prefiro o Car Soccer.

 

Ainda temos o modo free to Play que nos permite escolher qualquer carro e pista disponível, acrescido com o modo Split Screen. No modo Autovista (futura revista Top Gear?) e contando com a voz de Jeremy Clarkson, apresentador do Top Gear BBC, temos acesso a detalhes e características dos carros que desbloqueamos ao competir e não se trata apenas de ver um carro e uma lista de condições. É aqui surge a melhor parte, pois podemos percorrer o carro, abri-lo, entrar, sentar, e ter acesso a informações com animação incluída. Esta é uma provável futura perfeita revista de Automóveis.

Jeremy Clarkson em “upa upa, isto é melhor que a Space Mountain”

 

Há muita discussão sobre os jogos poderem cada vez mais alterar o comportamento social e trazer para casa algo cada vez menos distante e mais fiel à transposição da realidade. Forza Motorsport 4 é um exemplo a seguir pelo realismo que nos traz, pela qualidade na apresentação dos carros e pelo espantoso efeito de luz. Surge a questão: terá um dia a revista Top Gear uma aplicação online como o Autovista do Forza 4? Estaremos no futuro num stand de automóveis a testar o carro que queremos comprar sem sair com ele? Será Forza 4 o início de uma mudança na tentativa de promoção de automóveis? Como as marcas aparecem com mais evidência e a progressão de afinidade por estas é agora uma forma de brindar o jogador, existe mais apego por essas marcas e modelos. Para quem gosta de carros, aficionados e para quem não gosta ou é indiferente, Forza Motorsport 4 tornar-se apelativo para qualquer um que agarre o comando ou prefira servir-se apenas do corpo para testar qualquer carro que alguma vez sonharam, com precisão e com um visual formidável.

 

Forza Motorsport 4 é um exclusivo Xbox 360