A Microsoft abriu as hostilidades na E3 e para além de alguns títulos já esperados, ficou um pouco aquém das expectativas. Mas a minha principal desilusão foi mesmo a ausência da grande Epic Games, com um trailer sensaborão de Gears of War Judgement.

Gears of War foi um marco na história dos shooters e da Xbox 360. Quando lhe pusemos a vista em cima, há quase 7 anos atrás, ficamos boquiabertos com a qualidade e dinâmica que o jogo trazia ao shooter na terceira pessoa. Para além dos gráficos de fazer cair o queixo, o jogo conseguia através dos seus controlos intuitivos, design de som imersivo e cinematografia em tempo real, trazer ao jogador uma experiência de jogo visceral com uma estética de jogo muito própria. Usar um botão contextualmente para efeitos de cinematografia ou correr agressivamente fugindo da morte certa para nos jogarmos brutalmente sobre uma parede em ruínas, foram momentos que redefiniram o jogo de acção e ficarão nas nossas mentes colectivas durante anos e anos.

Bora lá Marcus. Fónix!

Com homens de aspecto bovino e armadura de fazer corar a secção de electrodomésticos da Worten, Gears of War foi fértil em conceitos, mecânicas e dinâmicas de jogo cuidadosamente executadas. Apesar da história relativamente simples, conseguiu ainda assim trazer ao mundo dos jogos uma das mais terríveis raças alienígenas de sempre, os Locust. As secções de jogo eram variadas e sempre desafiantes. Lembram-se das batalhas épicas contra os Berserkers ou os Corpsers? Não seria um shooter marcante se não oferecesse armas que o destacassem dos demais, e em Gears of War poderíamos apenas dizer uma palavra, Lancer. A gigantesca metralhadora equipada com uma moto-serra rapidamente se tornou num ícone dos videojogos. A Epic mostrou o porque de ser um dos melhores estúdios do mundo, com um jogo de polimento exemplar e de jogabilidade envolvente e acessível. O jogo cimentou ainda o sistema de cobertura nos shooters na terceira pessoa, evoluiu o modo como recarregamos a arma com a mecânica do Active Reload e inspirou toda uma geração de jogos mantendo-se ainda assim inigualável em termos de visão, jogabilidade e polimento.

 

E por tudo isto ficámos desiludidos com a parca figura que Gears fez na E3 deste ano. Na verdade, não nos passaria pela cabeça ver anunciado tão cedo um novo jogo, já que Gears of War 3 saiu há relativamente pouco tempo e a saga terá terminado. E apesar de sabermos que Judgement estaria na calha, esperávamos mais. O novo Gears é uma prequela do primeiro jogo e foca-se em Damon Baird, acusado de crimes de guerra, e do seu esquadrão, composto por Cole Train, Garron Paduk e Sophia Hendricks. Sabemos que está a ser desenvolvido com o envolvimento da People Can Fly (Painkiller, Bulletstorm) o que são boas notícias.

Sabemos que promete novidades no multiplayer, desta vez oferecendo classes por onde escolher e um modo chamado Overrun que combina os modos Horde e Beast, onde equipas de 5 jogadores alternam entre soldados COG e Locust. Prometem-nos ainda mais liberdade narrativa e um sistema de respawn dinâmico, o Smart Spawn System, que deverá aumentar a longevidade da experiência de jogo. O jogo irá também suportar até 4 jogadores em simultâneo à semelhança de GOW3. A minha pergunta é porque não soubemos pormenores durante a conferência e nos limitámos a ver um cinematic trailer, no mínimo simplório. O nome Gears of War merecia maior destaque.

 

Outra grande desilusão, e que infelizmente foi confirmada antes da conferência, foi a ausência de informação acerca de Fortnite, o próximo jogo de Cliff Bleszinski. O ano passado ficamos curiosos com o teaser, de um jogo que parecia um filho bastardo entre Minecraft e Team Fortress, o que é o suficiente para ficar nosso radar most wanted. Já este ano o director criativo falou mais abertamente sobre o título, afirmando que a acção se passa num mundo pós-apocalíptico em que os jogadores necessitam de recolher recursos e fortificar as suas posições para sobreviver ao ataque de hordas de mortos vivos. Cada jogador tem uma função no jogo e a construção é feita através de peças pré-estruturadas que incluem armadilhas contra os desmiolados zombies. Diversão à moda antiga, reminiscente de experiências como Minecraft ou Terraria, mas pelas mão da brilhante Epic e com muito humor à mistura. Queríamos vídeos de gameplay, queríamos uma data de lançamento. Vamos esperar com antecipação durante os próximos meses, e até sabermos mais informações, vamos vendo e revendo o trailer de 2011.