Surpresa. Esta foi a palavra usada na nossa antevisão de Dying Light. A razão é que não estávamos à espera de muito da Techland, depois das pragas de bugs de ambos os Dead Island, mas assim que vimos o novo jogo a mexer na E3 2013 só nos apeteceu pegar no comando.

A demonstração que vimos à porta fechada (jogada por alguém da Techland, que nisto das feiras eles gostam de nos deixar sentadinhos a ver, para não correrem o risco de sairmos do guião preparado) é exactamente a mesma que o novo vídeo de jogabilidade mostra (ver no final do artigo). Tempo real, confirma-se, mas todas as acções planeadas ao longo da apresentação. Daí que fica sempre a dúvida de como se irá portar Dying Light quando tivermos acesso ao mapa de forma mais livre, já que é a deslocação no terreno que mais nos deixou com vontade de jogar.

Dying Light

 

A primeira vez que o jogador saltou, literalmente, em corrida por cima de um Zombie (04’05’’) o nosso interesse estava assegurado. As primeiras manobras de parkour prometiam, embora não fossem nada que não tivéssemos já experimentado. Agora fazer um tackle desta forma a um Zombie, isso sim senhoras e senhores é razão para afirmar: “You’re doing it right”.

Claro que sendo a Techland já se espera alguma pontinha mais pimba, pois os senhores não primam particularmente pelas narrativas densas e gostam de mostrar trailers CGI bonitos com música para fazer chorar. É assim um género de Tony Carreira dos estúdios: vende bem, aquilo está bem feitinho, até se reconhece alguma qualidade, mas não pontua muito na categoria: “tenho algo para dizer”. Esta faceta do estúdio está bem patente na missão secundária da criança no armário, que serve para dar a componente humana ao jogo, mesmo que depois o herói se vá embora e a deixe lá fechada. Criança comovente a chorar num armário com um urso de peluche e com o pai lá fora transformado em Zombie? Check.

Mas há mais bons momentos. Ao longo de todo o vídeo há a enorme qualidade da iluminação que já nos tinha surpreendido antes e que agora se torna possível também nas consolas devido à chegada de uma nova geração. Este motor é fantástico de dia, mas especialmente impressionante de noite.

Dying Light

 

Tanto a deslocação como o combate parecem extremamente sólidos, principalmente tendo em conta que se trata de uma versão alpha. O combate a corpo parece preciso e sem os movimentos gelatinosos e incertos de Dead Island. A corrida parece também que segue algumas “paredes invisíveis” por forma a que não seja fácil cair, para não tornar a deslocação frustrante. Só os pontapés nos lembram os jogos anteriores do estúdio, com aquela perna estranha que mais parece que estamos a segurar uma prótese e a usá-la como um taco de golfe.

O lado visceral e a dinâmica Mirror’s Edge de Dying Light mostram que este não é apenas mais um jogo da Techland e faz-nos acreditar num futuro promissor para o título. Mas para ter a certeza, é preciso mexer com as nossas próprias mãos. Em breve.