Na E3 2015 alguma coisa vai acontecer. Mas não precisam de ficar acordados para saber…

 

1. WOW 2015

A Blizzard este ano estará completamente concentrada em promover Heroes of the Storm e Overwatch (este último será provavelmente um dos jogos do ano) mas não é da empresa de Diablo ou de Warcraft que estou aqui a escrever. Não vai existir grande WOW nesta feira. Não vão existir aqueles momentos que nos tiram o tapete do chão; aquele anúncio completamente inesperado; o WOW Factor que nos fazia antigamente correr como as galinhas sem cabeça pela casa fora. Já nada se consegue guardar, os segredos já não se querem fechados a sete portas. As supostas fugas de informação, de screenshots e de trailers, não são mais do que testes de marketing e sondagens de opinião. Se há algo gigante para aparecer nós vamos saber muito antes. A menos que a Nintendo…

Alessandra Ambrosio

  1. Booth Babes

Note-se que eu não tenho nada contra mulheres esculturais de abdominais rijos a tentarem assassinar os seus belos seios por asfixiação ou constrição num belo bikini. Mas para isso existem eventos nos quais isso faz sentido. O desfile da Victoria’s Secret é um deles e se me tirarem a Alessandra Ambrosio a brincar às boas constritoras com o seu soutien, eu invado a Assembleia, o Palácio Ratton e a Prisão de Évora. Mas num evento no qual se promovem jogos o que eu quero é encontrar mulheres divertidas que conhecem e gostam do produto, com uma tshirt e uns jeans, a acreditação ao pescoço, e a debaterem comigo os prós e contras do jogo que está a apresentar. Acabar com as Booth Babes não é uma questão de feminismo. É obrigar grande parte dos homens desta indústria a crescer.

  1. Fallout 4 em 2015

Ah Ah! (como diria o Nelson) Queriam! (também eu). Mas os jogos actualmente têm um ciclo de marketing de um ano (ano e meio). Faltam as pre-orders, falta a construção do hype (que conduz à compra impulsiva), faltam os reveals exclusivos. Fallout, só em 2016. Até lá têm tempo de ir platinar os anteriores.

nuke

Ao contrário do que possa parecer esta imagem refere-se ao ponto seguinte e não ao ponto anterior.

  1. A Nintendo deixa as pessoas tomarem as suas próprias opções.

Um dia a Nintendo vai trazer uma senhora muito, muito, muito gorda (ou se quisermos ser politicamente correctos, gravitacionalmente desafiada) e após ela cantar vamos finalmente poder falar e escrever aos nossos amigos livremente nas nossas consolas, procurar amizades, ligar contas de facebook entre outras acções corriqueiras no séc XXI. A postura maternal e paternal da Nintendo deixou de fazer qualquer sentido num mundo em que uma criança de 2 anos opera melhor um iPad do que os seus avós. As supostas “crianças” que a Nintendo quer proteger são as mesmas que estão diariamente no Minecraft, no LoL, ou até no CS, e que falam, escrevem, fotografam, partilham todos os dias. A Nintendo está a proteger o conceito de crianças que a marca tem, isto é, as crianças dos anos 90. Alguém que lhes explique que esses petizes já têm 30 anos. Mas não me parece que esta ditadura vá terminar tão cedo. Nada acaba na Nintendo até a senhora gorda cantar.

 

  1. A Ubisoft volta a surpreender. Pela positiva.

A Ubisoft conseguiu o impensável na indústria dos videojogos: desviar o ódio normalmente direccionado à Electronic Arts. Uma série de erros nos últimos dois anos fez com que os anúncios refrescantes de Watch Dogs, The Division, entre outros, transformassem a editora de inovadora no mercado AAA a companhia descuidada e odiada. Esse ódio é, como em tudo nos videojogos, exagerado. Mas o que é certo é que a companhia não pode cometer erros este ano uma vez que as receitas de Watch Dogs, The Crew e de Assassins Creed: Unity não foram as esperadas, embora os orçamentos não tenham deixado de ser milionários. Este ano vai servir apenas para cimentar os próximos lançamentos (Syndicate, Siege, Division) e apresentar o próximo Far Cry que se deve tornar uma licença anual.

Safety First

  1. As Steam Machines mudam a indústria.

Not gonna happen. Desde o início que o conceito de uma Steam Machine cheira àqueles ambientadores que colocamos no carro. Até é agradável no início mas cedo perdem o cheiro e ficam para ali pendurados dois anos sem que os vamos substituir. A nova leva de máquinas a correr o Steam OS e talvez até a própria máquina da Valve têm dois grandes entraves a alguma vez funcionarem como produtos de sucesso que vendem como pães quentes. Primeiro, o facto de quererem ser uma consola sem serem uma consola. Numa consola compra-se chave na mão e sabe-se que tudo irá correr sem problemas no ciclo de vida da mesma. Com configurações de Steam Machines que vão dos 300 aos 2000 euros vamos ter máquinas que correm uns jogos sem problemas mas que noutros já é preciso adaptar a qualidade gráfica. O segundo grande entrave é o Linux: sem GTA V; sem Arkham Knight; sem Assassin’s, sem Fallout, etc, etc, etc. Já o novo controlador, esse que venha rapidamente para as minhas mãos.

  1. Os capacetes de realidade virtual deixam de enjoar as pessoas

Eu já passei por isto uma vez. Anos 90, demonstrações de capacetes de realidade virtual na INFORPOR na antiga Feira Internacional de Lisboa em Belém, a correrem o Quake. Uma resolução tão baixa que nem se percebia onde andavam os inimigos, até que o aparelho passou para as feiras de máquinas (como o FunCenter do Colombo) a cobrar moedas, para depois desaparecer. Desde 2012 que venho a experimentar o Rift e outros nas feiras, e a sensação de enjoo e confusão que fica depois é já suficiente em sessões de 5 minutos. Não quero imaginar o que será uma hora ou duas de jogo seguido. Daí que para mim este novo regresso vá apenas ser mais uma ameaça, ou então sou eu que estou a ficar velho.

drunk

  1. A Sony tira um coelho da cartola

A Sony está a prever a ausência de conferência na Gamescom o que quer dizer que este ano a Sony não tem nada para sublinhar. Existem os remasters (alguns muito apetecíveis como Uncharted outros nem tanto como God of War), existem alguns lançamentos menores, e o grande cavalo de batalha que é Uncharted 4 só irá aparecer com nova demonstração de jogabilidade de encher o olho e criar expectativa para 2016. A conferência da Sony vai estar recheada de demonstrações de outras editoras, o já usual catálogo de indies com lançamento exclusivo (e que já existem no PC há um ano) e um pequeno vídeo para a Vita o que nos leva a:

  1. São apresentados novos jogos da Sony para a PS Vita

Não esperem jogos em desenvolvimento de raiz pelos grandes estúdios da Sony para o seu acessório (perdão, consola portátil da Sony). Vamos ter o célebre vídeo a despachar todos os indies que vão ser lançados na consola (assim como na PS4), alguns remasters PS3 a aparecerem recauchutados para a mais pequena, e o empolar da conectividade entre a Vita e a PS4. A Vita deverá ter até menos tempo de antena na conferência do que o Project Morpheus (algo que também não vai vender muito bem). Após um primeiro ano terrível para a 3DS, a Nintendo trouxe um catálogo de jogos próprios que fez a consola disparar. A Sony não fez isso nem no primeiro ano, nem no segundo, nem no terceiro… Também não é este ano que o irá fazer. Com muita sorte, mas mesmo só com muita sorte temos o ICO e o Shadow of the Colossus na menina.

  1. Half-Life 3

Because Gabe.

gabe

10 e 1/2. The Last Guardian

É como o próximo grande terramoto de Lisboa. Se nunca aparecer, vamos continuar sempre à espera que esteja para breve. Se acontecer, vai ser um estrondo. Vamos acreditar que sim. Vamos acreditar que não.