Pode não parecer, mas o teclado é o acessório mais pessoal que temos. Refiro-me a acessórios gaming! Essas mentes já estavam a carburar noutros sentidos… tsc tsc tsc.

acessório GAMING!!! eu disse GAMING!!!

Embora haja a primeira tendência para pensar no rato como sendo o acessório mais pessoal, a verdade é que, ao fim de uns minutos a usar um rato novo, a coisa flui com alguma naturalidade. Com o teclado a coisa não pinta bem assim. E sente-se antes até de o testarmos a fundo, a jogar. Sente-se a escrever. Por subtil que possa ser, a deslocação de uns milímetros na posição de uma tecla a que estejamos habituados é uma mudança difícil de encaixar e interiorizar.

 

É que um teclado é mais, muito mais que um simples layout de letras e números. O tom, o toque das teclas, a pressão que temos que fazer, o tempo de resposta, o formato das teclas, o posicionamento das mesmas e outros factores “simples” são tidos em consideração bem antes de vermos as opções extras de parametrização e macros e aquela forma particular em como podemos por o teclado a tratar de nos lavar o carro, temperar a água do banho e preparar um café para as 7h39 com um bom arábica robusto. A bem dizer, e pelo menos para mim, o contacto com as teclas é aquilo que me permite decidir se é para dar swipe left ou swipe right ao teclado.

 

É uma questão muito pessoal. Mais pessoal do que o Tinder. Há quem goste de teclados a fazer lembrar um concerto de Stomp. Há quem os prefira silenciosos como uma mortífera bufa sub-lençol. Há quem goste de teclas que têm que entrar num outro código postal para fazer contacto. Há quem goste das coisas mais sensíveis que os convidados do Alta Definição depois de uns copos de vinho com música fúnebre como banda sonora. Esse contacto inicial, esses primeiros segundos com as mãos nas teclas a sugerir a introdução do nosso nome no teclado, como se estivéssemos a preencher um qualquer formulário que nos pedisse o nome completo, tem e terá sempre um peso grande na decisão emocional de se apaixonar, ou não, por um teclado.

Este Steelseries M800, visto de fora, não é espampanante. Design sóbrio. Discreto. Linhas simples, rectilíneas, práticas. A Steelseries não mostra aqui particular interesse em atirar-nos com tudo e um par de meias para mostrar o que o teclado vale, esperando que sejamos capaz de o perceber sozinhos. A única coisa fora do normal no design minimalista é a tecla de espaços e um conjunto de teclas de Macro, sobre o lado esquerdo do teclado. De resto, uma simplicidade austera que contrasta com alguns modelos folclóricos e coloridos no mercado.

Kitt, vem me pegar!

O perfil baixo e pouco inclinado do dispositivo mal permite perceber que há um hub com duas portas USB 2.0 na parte de trás dele. De novo, útil, discreto, nada espalhafatoso. O baixo perfil também ajuda na sua estabilidade, com quatro grandes almofadas em borracha a garantir um apoio e aderência completos na secretária.

I’m spitting rainbows over here

Para a malta que se interessa por esse tipo de características técnicas, acresce dizer que o teclado usa Switches QS1, da Steelseries, fabricados pela Kailh, com uma distância de actuação de 1.5mm. Tá bom assim? Serve? Para quem não percebeu puto do que acabei de dizer, amigos, não se preocupem. As teclas são fixes, resistentes e dão um ar másculo a quem as usa sem parecer que estamos a bater com as panelas. Há barulho, sim, mas nada de sapateados que, pessoalmente, não aprecio muito, ou não estivesse o meu escritório situado num sótão cuja inclinação do tecto permite que um pequeno suspiro de frustração aquando de uma má jogada por parte de um companheiro de equipa soe como um concerto dos Sunn o))) a quem estiver três andares abaixo.

Ligado o teclado, percebe-se o carburar da máquina. Com as teclas retro-iluminadas de forma viva e vibrante a mostrarem-se visíveis de qualquer ângulo. E aqui qualquer alma afoita a personalizações vai ver o seu coração derreter que nem manteiga. As capacidades de personalização das luzes são imensas neste M800, e vão desde um sóbrio e pausado pulsar de luz até ao mais frenético espectáculo de carrinhos de choque, se for essa a vossa preferência, passando por um efeito de respiração ou por um blackout completo. Tudo isto personalizável através do Steelseries Engine 3. As luzes têm alguns presets já definidos, úteis para alguns jogos. Como vão sabendo, sou um amante de Dota 2. Pois bem, o teclado traz um conjunto de definições para Dota 2 que vai beber informação ao jogo e complementa a informação deste com as luzes do teclado. Sendo que uso Q, W, E e R (além de D e F) para as teclas de habilidades, é interessante verificar que o cooldown de uma habilidade se reflecte na tonalidade da tecla. Lutas, respawns, ultimates… o teclado deixa de lado o papel secundário e torna-se uma parte activa no jogo, fornecendo-nos informação e avisos úteis, pelo menos se jogarem melhor que eu. A ferramenta está presente neste M800, e resta-nos ser capazes de treinar para tirar partido dela, indo buscar informação visual à iluminação de determinadas partes do teclado.

O software permite inclusivamente jogar alguns jogos através das cores do teclado (Snake, anyone?) mas, provavelmente, depois das acertarem as vossas definições preferidas para cores e jogos, vão perder mais tempo é a configurar as Macros. Intuitivo quanto baste, o editor de Macros permite-nos editar as funções não só das 6 teclas existentes para o efeito como de qualquer outra tecla do equipamento. Não usam til? Acentos? Substituam-nas por memes e pela reprodução de um ah-ah do Nelson.

Acham que os S haviam de dar lugar ao todo-poderoso Ç? Do it! I dare you! I double dare you!!

Na utilização diária, e nos testes que foram realizados, não há nada a apontar a este M800 que a FraggerZstuff nos enviou. Teclas responsivas, precisas, um útil hub USB que testei com pen-drives e com ratos sem qualquer problema, e, sobretudo, a percepção de que estamos perante um senhor teclado. Robusto, poderoso, competente.

Sendo que é claro que depois dependerá do gosto ou da adequação de cada um, uma coisa é inegável: os Switch QS1 são de uma geração mais recente do que os que vão sendo usados como termo de comparação. E isso, para mim, é um ponto positivo, até porque me agrada a distância de actuação mais reduzida.

Positiva é também toda a mecânica e parametrização de iluminações e de keybinds. A qualidade de construção não tem a mínima mácula e a cola de tudo isto, que é o Steelseries Engine 3, continua a ser uma ferramenta simples, intuitiva e poderosa. Não há nada, nadica, zit a apontar a este teclado, que tem tudo para ser visto como um dos modelos a seguir pela indústria. A única coisa a ter em conta é o preço que não será para todos os bolsos, mas que, de certa forma, se justifica se forem tirar o devido partido dele.