Do Cabaret para o Convento 1, ou como quem diz, dos boardgames para o telemóvel 1

 

Os jogos de tabuleiro têm um espaço especial nos nossos corações e um espaço considerável nos nossos armários. Acredito que parte do travão que me impeliu a refrear as compras mensais de jogos de tabuleiro prendiam-se não só com o facto de que o tempo para poder usufruir deles diminuiu e muito com o nascimento do meu filho. Somando a isso o meu T2 a abarrotar de livros, consolas, jogos e afins, e rapidamente percebemos que a nossa casa não é como na TARDIS, e é tão grande por fora como por dentro.

(O que não invalida que só este ano tenhamos comprado mais dois)

No bom espírito da Europa-América, muitos game designers de jogos de tabuleiro e as suas editoras estão a encontrar outro espaço onde encontrar um novo público: o público dos telemóveis. A transição é, aparentemente, simples: os jogos já estão desenhados, as suas mecânicas apuradas, e até a arte intrínseca a cada jogo já está definida, quase que resta encontrar um programador que adapte a lógica de jogo de tabuleiro ao ecossistema dos ecrãs et voilá! fez-se o Chocapic jogo de mobile.

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Heroes of Normandie, um jogo de tabuleiro de 2014 desenhado por Yann e Clem e ilustrado por Alexandre Bonvalot é um desses casos, em que mecanicamente o jogo parece gritar a possibilidade de ser adaptado a videojogo, clamando pelo público que usualmente procura jogos de estratégia dentro do setting da Segunda Guerra Mundial. Como o público da Slitherine, a editora que justamente permitiu a transição para Steam há dois anos e que permitiu agora a chegada a iOS de um curioso e enganadoramente simples jogos de estratégia por turnos.

O videojogo é em todo idêntico ao jogo que lhe deu origem, com a óbvia adição de cenários de história pré-concebidos, e que acima de tudo servem como um trampolim para compreender os meandros mecânicos de todo o jogo.

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Para além de todas as intrincadas características tácticas de cada unidade (que estão devidamente descritas no seu token físico e digital), o pormenor que me agrada verdadeiramente em Heroes of Normandie e que toma o seu expoente máximo de aplicação em partidas multiplayer. Em cada turno temos um número limite de acções que são estabelecidas por contadores colocados sobre as unidades que queremos movimentar. Mas o grande twist que este jogo possui é o facto dos contadores serem numerados de 1 a 3, e terem um contador branco, e visto que estes são colocados no tabuleiro virados para baixo, o adversário não sabe em que ordem queremos proceder às nossas acções. E claro, a wild card que é o contador branco, que é o bluff para enganar o adversário, e que não permite qualquer tipo de acção.

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Heroes of Normandie conta também com cartas que servem como poderes, buffs e debuffs para serem jogados no tabuleiro e nas diversas unidades, dados e especificidades para terrenos e para unidades dentro de edifícios, assim como uma complexa rede de unidades distintas que carecem de um conhecimento aprumado.

Apesar de não ter adquirido o jogo de tabuleiro, a sua chegada a iOS veio colmatar a vontade que tinha de o experimentar, depois de ter lido sobre ele algures pela internet. E é claro, na versão iOS cabe-me no bolso. Ou quase, que na realidade o único dispositivo iOS que possuo é um iPad.