Cinco anos se passaram desde que vimos Marcus Fenix e a sua equipa, e três desde que a Epic Games passou a tocha da franquia para o The Coalition, estúdio formado para dar continuidade a Gears of War. Agora em 2016, fãs e estreantes têm a oportunidade de experienciar uma nova aventura, desta vez com um novo grupo de soldados. Mas fica a pergunta: será que a atual equipa de Rod Fergusson foi eficaz a desenvolver um novo título de uma das séries mais importantes da marca Xbox?

Vinte e cinco anos depois dos eventos do terceiro título e da aniquilação da raça Locust, continua a ser um Fenix a liderar o bando, desta vez o filho do protagonista da trilogia anterior J.D., acompanhado de dois grandes amigos Del e Kait. Um grupo mais jovem, mais cómico, mas que não deixa de contar com pontos de seriedade necessária para a série. Digo até que preferi este trio ao quarteto do passado. A ligação e interação entre os três é excelente, todos eles acabam por brilhar a certa altura no ecrã, e algo que apreciei foi o facto das personagem já não contarem tanto com estruturas físicas idênticas a um culturista.

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JD e um dos novos inimigos, Pouncers

A história desenrola-se de forma progressiva e coesa, apresentando dois novos inimigos. DeeBees, robôs programados pela COG para proteger a civilização de um perigo inexistente, até ao momento, e por fim, a Swarm, uma raça que vem ocupar o lugar dos Locust e que se assemelha em muito aos antigos vilões da série. Tanto que os produtores começaram a olhar-me de lado quando repeti pela terceira vez na apresentação da Gamescom que pensava que estes eram Locust. Sejamos sinceros, são literalmente a mesma coisa com uma pele alaranjada e cobertos de gosma reluzente.

Tanto os DeeBees como a Swarm possuem movimentos e ações diferentes, obrigando a que se ajuste o método como enfrentamos cada um deles. Desde os pequenos e irritantes Trackers, aos poderosos Guardians voadores, pairando com um escudo regenerativo, dos familiares Drones aos alienígenas Snatchers, que como o próprio nome indica, tem a particularidade de “raptar” as suas vitimas. É imensa a variedade e é fantástico observar que não existe um único momento de repetição no jogo, mas parte disso deve-se também à forma como os cenários e o ritmo do jogo mudam repentinamente, criando momentos memoráveis e entusiasmantes.

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Fica em família.

O encontro com Marcus Fenix despoleta uma reação em cadeia. Inimigos por todo o lado, fugas ao controlo de motas blindadas e melhor que tudo, Windflares, gigantescos tornados carregados de eletricidade, capazes de destruir tudo à sua passagem. Sem dúvida o ponto mais marcante deste quarto título a nível visual. Assistir em primeira mão as implicações das fortes rajadas de vento nos projéteis menos velozes como os da nova Buzzkill é algo que nos deixa boquiaberto, não só pelas mudanças aplicadas ao gameplay, mas também à forma como o cenário se altera e pode até mesmo ser usado como arma. E já que estamos a falar de armas, é tempo de dar a conhecer a artilharia pesada.

Uma coisa é certa, existem armas para todos os gostos e feitios, por exemplo, a Buzzkill que mencionei anteriormente, é uma das armas que mais prazer dá ao pressionar o gatilho. Assistir ao ricochete de lâminas serradas e ao respetivo desmembramento dos oponentes é algo delicioso, mas não fiquemos por aqui. Overkill, Dropshot, e claro a famosa Lancer Assault oferecem uma vez mais diversidade e alterações ritemáticas, que quando usadas corpo a corpo, garantem o auge da sinfonia.

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Modo Horde em toda a sua glória

Também presente no reportório encontra-se o multiplayer de Gears of War, um dos pilares da série, e felizmente está tão cimentado quanto o modo campanha. Team Deathmatch e Dodgeball continuam a ser um dos alicerces, mas é o modo Horde que brilha nos imensos modos disponíveis. Enfrentar grupos de inimigos, um após outro, numa espécie de Tower Defense na terceira pessoa, é algo bastante convidativo e estratégico. Gerir recursos para construir novos modos de defesa ou então reparar armamento são algumas das muitas formas que temos para lidar com DeeBees e Swarms neste modo, onde até o posicionamento da nossa personagem e respetiva equipa deve ser tido em conta.

Mais uma coisa, o sistema de “carteirinhas” e itens colecionáveis capazes de mudar a aparência de armas e personagens veio para ficar e contem ver este mesmo sistema em muitos mais jogos daqui para a frente. Perfeito para quem perde horas no jogo e/ou para quem pretenda gastar algum dinheiro extra.

Gears of War 4 é aquilo que toda a gente queria, uma sequela digna, com um elenco com o qual criamos uma ligação imediata, nunca pondo em causa tudo aquilo que a franquia conseguiu alcançar, quer no modo campanha, quer no modo multiplayer. O estúdio The Coalition abraçou o desafio e oferece assim um quarto título diferente, entusiasmante e repleto de momentos marcantes, podendo muito bem ser o meu jogo preferido da série até à data.