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O tempo passa a correr. Ainda ontem se avistavam os gorilas lusitanos a torrar a banha com creme de ovo pegado ao pelo… Um gajo acorda, e não é que um orangotango é eleito para o cargo máximo do país que interessa. 2016, ano do macaco na astrologia chinesa, foi para muitos uma espécie de chimpanzé em fúria a atirar fezes a tudo e todos. Os excrementos da vida não nos faltaram. É assim o ano do macaco diz-se. De mudança e cheio de surpresas.

Os Chineses têm uma ligação cultural bastante forte com o macaco. Não me refiro ao que liga inexplicavelmente a malta dos 50 e tais aos buddie cops com primatas do Eastwood e Bud Spencer, mas de uma ligação ancestral a obras antigas (logo superiores). O Macaco Sanwukong, que inspirou Dragon Ball, é talvez o maior representante da espécie na cultura popular chinesa.

No universo dos jogos nenhum macaco rivaliza com o símio da Nintendo, o engravatado Donkey Kong. Naturalmente, o universo clone não poderia deixar de brindar o rei dos primatas com um número significativo de profanações. ‘Bora mergulhar na macacada com um Top 9 clones de Donkey Kong. Do melhor para pior, como não poderia deixar de ser.

  1. Donkey Kong Country 4

O melhor bootleg do mercado. A Hummer Team inspirou-se da versão Game Boy (Donkey Kong Land) mas reduziu as proporções das personagens para corresponder às capacidades da NES e proporcionar legibilidade à acção. O resultado é um produto honesto com um gameplay fluído e em simetria quase perfeita com a versão oficial Super Nintendo. Com este nível de qualidade só poderia merecer o último lugar da tabela. Para mais o cartucho traz mais um jogo, Jungle Book 2, que é basicamente o mesmo mas com o Mogli. Não é para isso que queremos bootlegs.

  1. Domkey Kong  

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É Tiny Toon Adventure da NES com um Donkey Kong rudimentar em vez do Buster. Não há qualquer quebra ou bug porque os progragressores do jogo limitaram-se a substituir as cenouras por bananas e desenhar um macaco mais parecido com um peluche monchhichi do que com o Kong original. Se o jogo é bom? É ótimo, Tiny Toon Adventures é um dos meus jogos preferidos do catálogo NES, simples, acessível, com um excelente game feel… Só não está mais baixo na lista porque a substituição de todos os nomes do jogo por “Donkey” criam momentos de humor involuntário e a imagem do ecrã inicial é um monumento à preguiça.

Este bootleg é uma espécie de manifestação dadaísta, um bigode grafitado na Mona Lisa… Ora mesmo sem fazer o buço a Mona Lisa é sempre a Mona Lisa.

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  1. Super Donkey Kong 

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Sem qualquer ligação a Super Donkey Kong 99 ou Super Donkey Kong 2, este Super Donkey Kong vai buscar a sua “inspiração” no Donkey Kong Land do Game Boy. São cerda de 5 níveis todos provenientes da versão Game Boy que resolve repetir em loop. A abordagem é semelhante ao caso de Donkey Kong Country 4 – sprites mais pequenos – mas aqui de uma maneira muito menos convincente. Os controlos são pouco intuitivos principalmente porque o jogo não nos permite correr. Retirar o fator velocidade a um jogo de plataforma é de génio.

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  1. Super Donkey Kong 99 

Gozamos muitas vezes com os fanboys mas não há nada mais deprimente do que passar ao lado de um exclusivo. Sonic fora da Nintendo e Mario fora da Megadrive… Os Bootlegs fazem aqui o papel de diabo: uma proposta aliciante, sabemos que é errado e no fim uma grande lição de moral. Mais valia não ter comprado o jogo.

Super Donkey Kong 99, por vezes conhecido como King Kong 99 (para a clientela idosa) é uma adaptação de Donkey Kong Country para a Megadrive. À primeira vista o universo gráfico parece fidedigno à versão Super Nintendo mas bastam poucos minutos para percebermos que a magia não aconteceu. O jogo é lento, com bugs em fartura e o seu coeficiente nonsense é relativamente baixo. A música é insuportável e os efeitos sonoros completamente inadequados (os inimigos derrotados guincham como pneus).

  1. Donkey Kong 5 – The Journey over time and space 

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O primeiro quinto episódio destas produções Game Boy é nada mais nada menos do que Super Mario Bros Deluxe. Infelizmente a Sintax não se limitou a substituir os elementos gráficos roubados e arrastou o gameplay perfeito do Mario para a mediocridade. O jogo sofre de quebras de rates que tornam alguns segmentos quase impraticáveis. Os sprites são enormes e a impossibilidade de voltar atrás para além do que é visível torna a experiência claustrofóbica.

Só de pensar que alguns azarados poderão ter ficado com esta versão bootleg em vez da versão Game Boy oficial… Isto merece um lugar razoável na tabela.

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  1. Super Donkey Kong 2  

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Um bootleg inspirado pelo segundo jogo da série Country. As cores são berrantes e a música insuportável mas fora isso temos aqui um jogo credível passível de ser jogado mais de 10 minutos… Mas pouco mais do que isso. Com apenas 3 níveis a experiência é brevíssima. Proporcionar alguma diversão para surpreender o comprador com um Game Over passado 40 minutos? Sadismo de contrabando em linha com os critérios do sindicado. Parabéns.

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  1. Donkey Kong 2 

Não consegui encontrar a ROM mas pelo videos das internets esta versão Game Boy Advance da Sintax é bootleg premium.

Com um chapéu vermelho e uma capacidade ilimitada de lançar barris materializados do nada fiquei sem perceber se se trata do Trump ou de um Diddy Kong crescido.

Cumprida a minha obrigação de propaganda jornalística há pouco mais a dizer sobre este jogo. Como não poderia faltar no caso de um jogo da Sintax, tudo aqui parece mal construído e glitchy. Uma delícia.

  1. Panda Prince

Este jogo tem a música de Donkey Kong, os visuais de Donkey Kong, o universo de Donkey Kong… E um panda em vez de Donkey Kong. Um príncipe para mais.

Numa escala de apreciação zoófila, os macacos podem fazer parte do topo da tabela mas dificilmente tiram o lugar ao lendário urso monocromático e a sua libido problemática.

Nitidamente a escolha do Panda terá sido uma decisão de ultima hora pois nem deu tempo para substituir as bananas por bambus. A personagem contrasta com o resto dos sprites roubados e mais parece um ensaio falhado do Mugen do que uma tentativa minimamente séria. As pernas do panda são longas e rígidas como as de uma Miss Universo em rigor mortis. A animação é risível e horizontalidade da personagem é excessivamente grande para os propósitos de um jogo de plataforma.

Péssimo. Salva-se a intro fantástica da Senhora Panda (tem um laçinho) a ser raptada por uma vespa. Não há respeito.

https://www.youtube.com/watch?v=Y6vz1_J5ftU

  1. Super Donkey Kong – Xiang Jiao Chuan

Aqui está ele. Um bootleg que faz justiça ao termo. Criado de raiz, este Xiang Jiao Chuan (barco banana) falha em toda a linha. Os gráficos, embora de origem, parecem um desenho tão feio que foi afixado atrás do frigorifico. Os sprites são inexplicavelmente minúsculos. O level design é completamente anárquico e desfasado do ritmo do gameplay. Os controlos do jogo não fazem qualquer sentido e tornam a progressão quase impossível. A “banda sonora” arrisca-se a herdar de uma cover band pronta para atacar as manhãs da TVI. Uma bomba de incompetência e má vontade embrulhada em plástico amarelo.

O teorema do macaco infinito diz que um símio pode escrever um livro desde que tenha a eternidade pela frente. Para este jogo não foi preciso tanto. Parabéns.

https://www.youtube.com/watch?v=SQA7EyXgIos