INTRIGA!

MENTIRAS!

PERSEGUIÇÕES!

MECÂNICAS SECRETAS!

GESTÃO DE RECURSOS!

PLANEAMENTO MILIMÉTRICO!

ENTREAJUDA!

TUDO ISTO E MUITO MAIS estará presente em algum jogo que não o King of Tokyo.

Os jogos de tabuleiro a sério estão a ficar na moda, (sem ofensa amiguinhos do monopólio e cluedo). Mas certas vezes uma boa sessão de destruição massiva tanto de Tóquio como dos sonhos e aspirações dos nossos parceiros de jogo é o plano ideal.


Trazido ao mundo pela belíssima mente de Richard Garfield (o tipo porreiro que inventou o Magic The Gathering) a premissa deste King of Tokyo é simples : tornares-te o monstro mais destruidor da cidade. Podes arruinar a cidade o suficiente para acumulares pontos que te façam ganhar, ou (se fores mau a destruir coisas) eliminando os adversários todos, até o pessoal de Tóquio ter que te eleger o monstro mais monstruoso por exclusão de partes.

O início do jogo é simples, cada jogador recebe um monstro igual-o-suficiente-para-perceberes-quem-é-mas-diferente-que-chegue-para-não-serem-processados-por-direitos-de-autor e tem que ficar com ele até ao final do jogo. Entre as personagens podemos encontrar: ALIENoid, THE KING (não Kong), MEKA DRAGON, GIGAZAUR (primo do Godzilla), THE KRAKEN e CYBER BUNNY.

Junto com a nossa personagem, (um cartão, com a imagem gloriosa do teu monstro, espaço para pontos de vida e pontos de vitória). Existe também um tabuleiro de jogo  com duas casas. Para um jogo com até quatro jogadores apenas é necessária a primeira, com mais de cinco pessoas a cidade fica literalmente pequena demais para nós todos e temos que usar a baía de Tóquio como segundo ponto de controlo.“Como é que podemos obter o controlo desta magnífica metrópole?”

– Vítor Costa


Chegando o seu turno cada jogador ganha o controlo dos 6 dados de jogo, cada um deles com três faces numeradas de um a três, uma face com uma pata gigante, outra com um raio de energia e uma última com um coração, que se não tivéssemos indicação de contrário, nos diria que o criador do jogo é Sportinguista pois é totalmente verde (o dado, não o próprio Richard Garfield).

Em termos de coisas para fazer temos uma detalhada lista de duas.

1 – Lançar dados.

2 – Eventualmente comprar cartas.

É isto que torna King of Tokyo tão simples de jogar , mas ao mesmo tempo tão caótico. Todos os turnos podemos atirar até três vezes o nosso conjunto de 6 dados, podendo guardar o número de resultados que quisermos entre elas, (se gostarmos das 3 patinhas que tivemos no primeiro lançamento só temos de relançar os outros 3 dados).

Conforme o resultado final são atribuídos pontos de vida ou energia (1 por coração ou faísca), pontos de vitória (por cada 3 números iguais o jogador ganha esse número de pontos de vitória, mais um ponto extra por cada número adicional).

“E as patinhas?”

– Vitor, o impaciente

AS PATINHAS É PARA PARTIR PARA A PORRADA  E ENTRAR EM TÓQUIO!

Cada símbolo destes lança um ataque devastador que afeta todos os monstros que estejam numa zona diferente. Assim sendo, estando em Tóquio e rolando 5 patinhas vamos fazer os nossos adversários soltarem 5 lágrimas de dor. Uma por cada ponto de vida que o seu monstro deixou de ter (de notar que a vida inicial é 10).  Em contrapartida temos de nos manter na cidade de Tóquio, onde não podemos recuperar vida, aguentando de forma muito máscula (ou não, pois podemos fugir de Tóquio após levar dano) o dano de TODA a gente que estiver do lado de fora.

“Mas assim não tem estratégia nenhuma, é só atirar dados!”

– Vitor, o rapaz-que-não-espera-que-eu-acabe-de-explicar, Costa

Aqueles pontinhos de energia servem para levarmos o nosso bicharoco às compras e adquirirmos super-poderes novos. Existem três opções disponíveis na mesa, mas o jogador pode pagar dois pontos de energia para revelar três novas cartas. Isto torna então o jogo numa decisão entre acumular energia para termos força para ganhar, encher os adversários de patadas na boca suficientes para eles se irem embora da mesa de jogo, ou ir discretamente acumulando pontos de vitória para podermos dizer “ei, acabei de reparar! Já tenho 20 pontos!” – “pois é… pronto parece que ganhaste, siga outro?”.

Então joga-se outro, outro…e outro. A certa altura já estamos a incentivar a carnificina entre colegas, juntar contra o jogador que vai mais à frente, eliminar o que está com menos vida, ou simplesmente criar a combinação mais estranha de poderes.

Ainda assim não vem sem as suas falhas. Penso que a mecânica de eliminação de jogadores pode tornar-se chata se acontecer cedo em jogos longos, um jogo tende a durar entre 20 e 40 minutos, o que faz com que um jogador eliminado nos primeiros 10 minutos tenha um pouco que esperar (paciência, não fosses noob).  Algumas das cartas poderiam ter os preços de energia ajustados. Enquanto umas pareciam o último grito da Marvel, outras pareciam super-poderes do chinês.

Se aconselho este jogo? Claro!

É fácil de ensinar a vóvó Maria ou o primo Chico de 6 anos e todos vão adorar. A versão 2016 vende-se desde 35€ e já vem com um design todo “pipi” estilo moderno. Para quem quiser mecânicas novas, pode comprar uma expansão (não estava disponível quando joguei). Existe também outra variante deste estilo de jogo chamada King of New York.

Apressem-se e destruam Tóquio antes do Ano Novo!