O ano novo traz com ele promessas de resoluções e novos pontos de vista perante a vida. Infelizmente ainda temos apenas 4 dias de 2017 para percebermos se irão existir mudanças ou tendências de game design de relevo para este ano. E visto que ainda andamos a queimar os últimos cartuchos dos jogos que nos chegaram no cair do pano de 2016, aqui seguem 3 dos indies que deveriam ter sido falados no ano passado mas que foram de forma copiosa abandonados para 2017.

White Noise 2

Dos 3 indies na primeira pessoa que trazemos nesta primeira semana do ano, White Noise 2, o jogo que está ainda em Early Access e que foi criado pelos Mikstone Studios é sem dúvida o mais interessante.

Seguindo a tónica dos jogos multijogador assimétricos que assolaram o mercado em 2015 e que tiveram na desilusão de Evolve o seu porta-estandarte, White Noise 2 coloca quatro investigadores contra uma criatura assassina cujo único objectivo é conduzir os jogadores à loucura e matá-los.

Uma excelente abordagem ao terror multijogador, e que após ter aprendido algumas valiosas lições com o seu antecessor White Noise Online, criou formas de manter os jogadores activos mesmo após a sua morte. Como fantasmas há um mínimo de interacção que lhes é permitido, ajudando a conduzir os restantes colegas de equipa a encontrarem pistas para derrotar a criatura.

Sem inovar grandemente, White Noise 2 consegue apresentar-se nesta fase Alpha como um promissor título assimétrico, trazendo pequenas e simples decisões que mantêm o interesse dos 5 jogadores envolvidos em todos os momentos de cada jogo.

Cargo Cult: Shoot’n’Loot VR

A Realidade Virtual é possivelmente o grande factor que marcou os videojogos no ano de 2016. O mercado viu chegarem dezenas de jogos que abordam mecânicas e experiências para os dispositivos de VR, numa época em que este sub-mercado ainda dá os primeiros passos e a lógica de construção e criação destes videojogos passa por muito por transpor conceitos de jogos na primeira pessoa para o VR.

Cargo Cult: Shoot’n’Loot VR é um desses filhos óbvios de 2016, mas que nos coloca no leme de um barco voador, e no qual disparamos com o nosso canhão contra uma série de inimigos voadores cujo único objectivo é fazerem-nos despenhar.

Depois de terem estado muitos anos esquecidos nas gavetas de muitos estúdios, os rail-shooters encontraram o seu ambiente nativo nas primeiras abordagens de VR, em que os jogadores encaram a jogabilidade como uma experiência lúdica de feira popular, e em que muitas vezes a superficialidade do jogo é pouco mais do que isso: uma insípida diversão de circo que se esgota no final da moeda virtual.

Cargo Cult: Shoot’n’Loot VR consegue ser um pouco mais do que isso graças à estética da sua construção do mundo. Mas dificilmente passará o teste do tempo quando as abordagens de VR forem mais maduras e coesas. Se algum dia chegarmos a essa prometida maturidade.

Space Rift: Episode 1

Falando em coesão e imaturidade do sistema VR, eis que encontramos Space Rift: Episode 1, lançado para PSVR e Steam, e que nos leva directamente para uma história de aventura no espaço, onde o foco no enredo misturado com uma forte tendência de arcadas é uma das linhas principais de todo o jogo.

Um dos terríveis problemas que um jogo como Space Rift: Episode 1 tem nesta fase pueril do sub-mercado de VR é que logo no lançamento do PSVR já contactámos com aquele que é indiscutivelmente o melhor jogo do género, Eve: Valkyrie, contra o qual dificilmente um jogo com esta abordagem mais simplista poderia competir.

O preço de Space Rift: Episode 1 é também um pouco proibitivo: 19,99€ pelo primeiro episódio de uma série, e ainda por cima um episódio curtíssimo como este é, e que é apenas compensado pelo excelente ambiente cinematográfico que os membros do estúdio Vibrant Core alcançaram, com uma atmosfera visual e uma sonoplastia soberbas que nos deixam a ansiar por mais do que estas 2 a 3 horas em que o jogo decorre. Venha daí a continuação, mas a um preço mais convidativo.