Ataque dos Clones #38

Guitar Hero é uma história de sucesso, de mudança e de extorsão. O apogeu do desnorte de um mercado imaturo que tentava saltear à viva-voz e a toda a força toda e qualquer franja de retorno financeiro, sob a égide dos bons resultados e da necessidade compulsiva de produzir, mais e mais rápido, se importância pela qualidade. Este esmifrar de séries e de franquias poderia ter levado à rotura do mercado de videojogos, mas felizmente não deu. E agora, dez anos volvidos desse período menos inspirado desta área que tanto amamos, temos o distanciamento histórico e racional para percebermos isto.

Na senda típica de um tubarão corporativo como a Activison, os lançamentos da série Guitar Hero estavam a par do que assumimos hoje de Call of Duty: produções anuais marteladas na certeza de conseguir obter lucros fáceis. O que somando ao aparecimento de Rock Band levou à implosão do subgénero, e com uma série de guitarras e baterias a apanharem hoje pó nas nossas casas.

Em 2009, um ano antes da Activision lançar o seu último jogo na sequência ininterrupta que só viria a ser recuperada no ano passado, era lançado por Kent Hansen e Andreas Pedersen um demake da famosa e já exaurida série da Activision, mas para uma consola dada como defunta: a NES.

Com versões chiptune de Sweet Child O’Mine, Countdown to Extinction entre outras, D-Pad Hero vive das mesmas mecânicas de Guitar Hero mas transpostas para o saudoso comando da NES, berço do brilhante D-Pad que ajudou a definir mecanicamente o mercado e a criação de e para as consolas domésticas.

D-Pad Hero sai fora do tipo de jogos que usualmente abordamos aqui no Ataque dos Clones, rubrica que regra geral é alimentada com bootlegs e homebrews desinteressantes que aqui são referidos como exposição ao ridículo. D-Pad Hero não, é um jogo feito com paixão e talento, e que não só leva a série Guitar Hero para o ambiente 8-bit como o transporta para a dificuldade e o desafio dessa era.

Apenas um ano depois a mesma dupla lança a sequela D-Pad Hero II, já com uma construção de interface quase idêntica ao seu objecto de inspiração.

Não é exemplo orfão das possibilidades criativas que os homebrews têm, e até existe uma franja do mercado indie que em muitos aspectos se poderia enquadrar dentro desta aproximação ao mercado. Mas D-Pad Hero é um óptimo exemplo de como um clone, um demake ou um homebrew pode facilmente trazer uma nova vida a uma série ou um jogo que já evidenciam um vazio criativo.