Caçada semanal #92

Há uns largos meses o João falou aqui da mítica cena de volley de praia no Top Gun, mas eu quero relembrar algo diferente: a magnificência para a imagética colectiva dos e das jovens da década de 1980 tiveram com o estilo de Val Kilmer e Tom Cruise, cada um com os seus Ray Ban Aviator.

Aquela imagem – e vá, a de todos os polícias com bigodaça farfalhuda de todos os filmes dos 1980s – condicionaram-me de forma que eu apenas uso Ray Ban Aviator há pelo menos 11 anos. Única e exclusivamente esse modelo, e sempre que entro no meu carro com os óculos postos sinto-me uma espécie de Iceman a sentar-se no cockpit do seu caça. Coisa que eu nunca conseguiria fazer na vida real com o meu recente medo de aviões, mas a ideia de me sentir o Val Kilmer da altura compensa isso tudo.

Bem, mas já me extraviei do assunto. Ases Indomáveis é a simpática tradução de Top Gun para os cinemas e a televisão portuguesa, e visto que o filme trata de pilotagem, qual a melhor desculpa do que trazer dois indies relacionados com aviões, ou aliás, com pilotagem?

Rocking Pilot

Qual a melhor maneira de começar uma caçada semanal cujo tema acaba por ser o Top Gun e tem como título o mesmo que o filme em Portugal? Um jogo de aviões? Quase. Um jogo de helicópteros.

Desenganem-se, não vem aí nenhum Desert Strike, esse gigantesco jogo que ainda hoje me marca como um dos melhores jogos a explorar os helicópteros enquanto mecânico. Rocking Pilot é um divertido e muito difícil top down com um visual retro e que facilmente o colocaria em qualquer máquina de arcadas a comer-nos moedas como se não houvesse amanhã.

Aliás, chamar-lhe top down shooter ou apenas schmup é um eufemismo, o que Rocking Pilot nos traz com a sua simpática apresentação retro é um verdadeiro bullet hell.

A mecânica curiosa de Rocking Pilot é a possibilidade que temos de utilizar com o botão direito do rato um escudo que não só destrói os projécteis arremessados contra nós, mas permite que utilizemos o nosso helicóptero como uma serra voadora para causar dano aos muitos inimigos à nossa volta.

Vertical Strike Endless Challenge

Se tem de ser a AGM Playism a matar-me as saudades de uma das minhas franquias favoritas da década passada, Ace Combat, então que seja. Aliás, a influência deste jogo na aura imensamente arcade de Vertical Strike Endless Challenge não podia ser mais óbvia, e acho que os autores não se importam de o admitir.

Os modos disponíveis são curtos, e quase tão curtos como o seu preço (está neste momento em promoção a 3,99€ no Steam). Destruir vagas crescentes de caças inimigos com os nossos mísseis e elevar a nossa pilotagem ao ponto de conseguir captar a atenção da Kelly McGillis dos anos 1980 é aquilo que Vertical Strike Endless Challenge promete.

O outro modo leva-nos a combate anti-naval, e ao invés de termos de andar a zizaguear pelos céus a fugir de outros caças, temos de conseguir destruir os navios inimigos que enchem os mares desejosos de nos fazer aterrar de forma forçada.

Simples e divertido, que às vezes é o que se precisa. Apesar de deixar aquela vontade de vermos mais um Ace Combat a sério a chegar ao mercado…