The Elder Scrolls V: Skyrim é indubitavelmente um dos grandes jogos da História dos videojogos. Mas Skyrim é também uma vaca, uma avantajda quiçá-maronesa bovina com úberes tão cheios que a Bethesda pode limitar-se a passar a presente década a ordenhá-la até fazer ferida, desgastando a sensível pele mamária à exaustão. A prova? Numa conferência da E3 em que a Bethesda praticamente nada tinha a acrescentar, conseguiu ver noutras duas conferências vizinhas a sua galinha de ovos de dragão a lucrar em várias frentes.

Podemos até avançar aqueles que vão os dez sítios onde o Skyirim vai correr, e que serão anunciados nas próximas 4 E3 e 1 Paris Games Week:

  1. Implante coclear, versão apenas com som, e em que podemos pôr Fus Ro Dah em loop nos nossos ouvidos.
  2. Nos receptores TDT da casa dos vossos avós na aldeia.
  3. No vosso Nokia 3310, mas dizem que consome um pouco de bateria extra.
  4. No novo modelo de sanitas da Sanitana.
  5. Nas novíssimas sex dolls customizáveis.
  6. Nos novos frigoríficos Ariston e Samsung, mas não nos Fagor.
  7. No vosso despertador digital lá de casa, daqueles com letras vermelhas.
  8. No rádio do carro, mas apenas se tiver conexão à internet
  9. Não sei.
  10. PS Vita. Esqueçam, esta hipótese é estúpida. Na Vita só saem jogos japoneses, especialmente se tiverem fan service.

Devaneios à parte, é possível que Skyrim tenha sido o jogo mais falado nesta E3. É possível e é provável, como dizia o outro: “é fazer as contas”. Não que Skyrim não mereça uma segunda e uma terceira vidas, que acredito que tanto a versão portátil da Switch quanto a versão VR dar-nos-ão uma visão diferente deste magnífico jogo, mas por outro lado revela bem que a tónica habitual da Bethesda pode não funcionar todos os anos no formato conferência da E3. E porquê?

Usualmente, os jogos da Bethesda têm ciclos de lançamento algo longos. É óbvio que o facto de não ouvirmos falar de Elder Scrolls 6 não significa que este não esteja em produção. É apenas sinónimo da postura da companhia norte-americana, de anunciar os seus jogos apenas quando o ciclo de produção se está a encerrar. Questiono-me apenas se uma conferência da Bethesda todos os anos é justificável? Teria ou não mais impacto apenas em anos de lançamentos colossais? Fica a dúvida.

Por outro lado, com os parcos anúncios que a Bethesda trouxe, sem nenhum título verdadeiramente “de peso” que justifique uma hora de enfado e de fait divers, atirando-nos para os olhos, literalmente, a “VRfização” dos seus jogos, seja o já falado Skyrim para PSVR, seja Doom VFR ou Fallout 4 VR.

No entanto a Bethesda continua a apostar neste formato de conferência de uma de hora onde tem de preencher grande parte do tempo com coisas que mantenham o público e o espectador acordado, em que pelo meio foi anunciando uma outra coisa.

Como a sua aposta forte nos eSports com Quake Champions, na tentativa de penetrar neste segmento de mercado multimilionário e emergente, que, segundo os PRs da Bethesda, foi criado com Quake.

Fórmula igualmente repetida com o seu Elder Scrolls Legends, numa clara postura de: “se a Blizzard e a CD Projekt Red conseguem, porque é que nós não conseguiremos também?”. Com isto passou uma grande da conferência. “Ainda estarão acordados?” indagar-se-á o CEO da companhia, enquanto se prepara para tirar da manga os 3 (verdadeiros) anúncios da noite.

Por um lado o novo standalone DLC para Dishonored 2, de seu nome Dishonored: Death of the Outsider, uma história de vingança dentro de uma história de vingança, o Cristo dentro do Montecristo. Mas tem bom aspecto. Muito bom aspecto aliás, aquele que servirá de Dishonored 2.5 e que nos colocará na pele de Meagan Foster, ao invés de Corvo ou Emily.

The Evil Within 2, apresenta uma óptima continuação para um dos jogos de terror psicológico mais interessantes dos últimos tempos, que foge grandemente à lógica mainstream de espalhar zombies por tudo quanto é canto. Este TEW2 promete elevar a fasquia do quão enlouquecedora é a sua visão do que deve ser o medo nos videojogos.

O último grande anúncio foi mesmo a sequela para o reboot de Wolfenstein, agora intitulado Wolfenstein II: The New Colossus, e que se dirige numa lógica ainda mais tresloucada e over the top que o original, mantendo-se nos carris daquilo que faz bem e afastando-se dos habituais chavões das tendências dos FPS AAA.

É estranho. Depois de escrever uma resenha à conferência sinto que ela foi bem melhor do que aquilo que vi. Talvez isto seja explicado pela longa duração da conferência, cujos 60 minutos para pouco conteúdo palpável vem em contra-ciclo daquilo que falei no outro artigo, em que regra geral as companhias começam a utilizar a sua participação com alguma parcimónia e indo “direitos ao assunto”.

Anúncios da Bethesda são quase sempre grandes anúncios, mas há um vazio psicológico de tudo parecer pouco quando se espera constantemente algo da magnitude de Elder Scrolls e Fallout. O que é óbvio que não pode ser todos os anos. Por outro lado não falaram de Elder Scrolls Online, acho eu. Ou será que falaram e eu já recalquei?