Eu sei que talvez tenha sido um pouco duro com a Xbox na súmula que fiz da E3, mas continuo a achar que Phil Spencer continua a falhar em cumprir o potencial da marca e em dar o vigor que a consola e o mercado necessitam.

De todos os anúncios, e tendo a certeza que a tónica do 4K apela apenas a uma franja pouco substancial do mercado, o grande anúncio (e com relevância) de Spencer em relação às especificidades técnicas do leque Xbox One é a extensão da retro-compatibilidade até à primeira Xbox, que vai permitir dar uma segunda vida ao extenso catálogo de exclusivos da consola. Isto se a lista de jogos compatíveis for interessante, ainda que já existam informações que os problemas técnicos podem limitar muito os títulos retro-compatíveis.

Para mim a conferência da Xbox tem 2 momentos distintos, o primeiro, e obrigatório para a marca, totalmente focado na Xbox One X, e um segundo momento, bem mais interessante, com dezenas de títulos anunciados.

Todas as consolas precisam de jogos, mas a Xbox One necessita desesperadamente. A prestação da Microsoft da E3 tinha então este momento make it or break it, que na minha opinião foi ultrapassado com sucesso, com uma nota de rodapé na carta de avaliação.

São largas dezenas de títulos apresentados de forma quase ininterrupta, igualmente sóbria como foi apanágio de praticamente todas as comunicações da E3 e que apaziguou os detentores de uma Xbox One (qualquer uma das 2 já presentes no mercado). A única pergunta que ficou no ar foi: “de entre tantos jogos que irão chegar à Xbox One nos próximos meses, o que estão à produção própria da Microsoft a desenvolver que já há demasiado tempo que não apresentam nada?”.

Com alguma inteligência de bastidores, a conferência da Xbox foi o palco para o anúncio de 2 bons e promissores títulos third-party, Anthem e Assassin’s Creed Origins, dos quais já falámos nas respectivas conferências, mas que se tornaram quase showstealers imediatos.

Visto que a quase totalidade da conferência foi ocupada para apresentar propostas de third-parties, a primeira com impacto que utilizou o palco da Microsoft para se fazer conhecer ao mundo foi Metro Exodus, a sequela da série de sucesso da 4A Games.

Depois do tremendo sucesso de Life is Strange, bastaram os primeiros momentos reconhecíveis para o reconhecimento da sequela Life is Strange: Before the Storm para levar o público ao rubro. E com razão. Um dos mais jogos mais “arriscados” lançados pela Square Enix, e que rapidamente compensou do ponto de vista crítico e comercial.

Ter a Arc System Works com todo o seu brilhante know how e portefólio a demonstrar que são actualmente os reis do desenvolvimento de 2D fighting games com animação tradicional (ou perto dela) a revelar um dos próximos grandes títulos da Bandai Namco, Dragon Ball FighterZ, que é sem dúvida o mais próximo que a tecnologia actual permite estar da animação propriamente dita, e que nos fez lembrar que afinal precisávamos de um jogo de luta 2D do universo de Toriyama.

Aquele que foi o indie mais falado de todo o certame, The Last Night, foi igualmente apresentado nesta conferência, e a sua brilhante pixel art e a ambiência Blade Runner fizeram-no erguer-se acima das outras dezenas de indies falados na E3, a grande maioria na conferência da Xbox com o seu ID@XBOX.

A nível da pouca produção interna, foi ainda possível ver o quanto Forza Motorsport 7 é um dos jogos tecnologicamente mais evoluídos da actualidade e aquele que melhor servirá como argumento de venda para a futura Xbox One X, antecipando-se como um dos grandes títulos de corridas desta geração.

Ori and the Will of the Wisps foi uma aposta certa depois da tremenda aceitação que o seu antecessor teve, e que se tornou um dos títulos marcantes da prestação deste ano da Microsoft.

Como grande surpresa tivemos Terry Crews a anunciar não só Crackdown 3, a sequela da excelente série de acção da Xbox 360, mas também a sua própria participação naquele que se adivinha ser um regresso à acção over-the-top que tanto furor fez aquando do lançamento dos dois primeiros jogos.

Mas o grande showstealer, e aquele que foi para mim o melhor jogo de toda a E3 2015, e que este ano, a meses do seu lançamento, teve um papel de destaque com um longo vídeo de gameplay é o próximo jogo da veterana Rare, Sea of Thieves. Há tanto de apetecível e de único na linguagem de Sea of Thieves que nos parece ser uma das propostas mais originais que os MMOs terão num futuro próximo, e sem sombra de dúvida que é novamente um dos grandes jogos da E3. Novamente.

À excepção da falta de direccionamento de Spencer e da sua administração do qual falei num artigo anterior, e a falta de élan que a Xbox One X criou não só em mim mas em grande parte da imprensa, o grande foco da Microsoft em apresentar ininterruptamente tudo aquilo que a consola vai receber num futuro próximo não só foi tremendamente bem conseguido, como seria impensável qualquer coisa de contrária a isso.

Com a óbvia impossibilidade de algum dia recuperar o espaço perdido para a concorrente PS4, que ainda nesta E3 2017 demonstrou que na produção interna (ou de estúdios subsidiários) tem apostas muito fortes nos próximos ano e meio, a Xbox precisava de se mostrar viva e a revelar que continua a existir interesse third party em desenvolver para a sua plataforma. E com excelentes títulos a chegarem, fica-nos apenas a dúvida do ponto em que estão os seus franchises fortes, sem se vislumbrar qualquer killer app no horizonte longínquo. Talvez Sea of Thieves o pudesse ser se fosse mais abrangente ao público mainstream que se deleita com outra linguagem díspar do jogo da Rare, que apesar de prometer ser um dos melhores, senão o melhor jogo da Xbox One, não é suficiente para impulsionar as vendas que a marca precisa.