Throne of Lies é um jogo de dedução online, inspirado em jogos de tabuleiro como Warewolf e Mafia ou até mesmo no jogo online Town of Salem, o qual abraça o mesmo género.

Neste tipo de jogo o objetivo é encarnarmos uma personagem que nos é definida no início de cada partida e por outro lado trapacearmos (ou não) os nossos companheiros de jogo, de acordo com aquilo que a nossa personagem pretende e da facção a que pertencemos. A maioria do jogo processa-se através da comunicação no chat de jogo e em pequenos comandos que fazem decidir a morte ou não dos personagens existentes, existindo julgamentos de quem poderá ter cometido assassinatos durante a noite (por exemplo). Escusado será dizer que as capacidades de manipulação e inteligência emocional  do jogador são neste tipo de jogo bastante trabalhadas, sendo muitas vezes o bom bluff e a boa perceção das ações dos outros jogadores aquilo que faz com que possamos ganhar o jogo.

Talvez o meu gosto especial nestes jogos tenha surgido a partir daí. Ao jogarmos um jogo como Throne of Lies, Town of Salem (nos videojogos), e principalmente Warewolf, Mafia ou Resistance (no que respeita a  jogos de tabuleiro), aprendemos a ver pormenores na interação com os outros jogadores que habitualmente não temos tanta atenção. Passamos a olhar para os detalhes expressivos, para o tipo de comentários, para as reações quando os jogadores estão a manipular, e ao mesmo tempo, começamos também a percebermo-nos melhor a nós próprios enquanto pessoas neste tipo de situação. O que fazemos quando estamos numa situação de tensão? Temos a capacidade de manipular? Se sim como?

Nisto, e já prevenindo possíveis comentários de “Como pode ser um jogo bom se promove manipulação?”, penso que esta existe no Mundo não apenas como má, mas também como uma capacidade que pode ser muito positiva. As pessoas na sua vida diária têm imensas situações em que têm de saber manipular, seja esse ato defensivo, preventivo ou de ajuda. Por exemplo, quando alguém está triste, podemos fazer por auxiliar essa pessoa a sentir-se melhor, utilizando técnicas manipulativas (muitas vezes associadas à comunicação e gestos) para que tal aconteça; já, por exemplo, um vendedor é alguém que tem de ter uma boa capacidade de manipulação para conseguir vender os seus produtos, a qual pode ser positiva ou negativa, já que este conceito nem sempre pressupõe enganar o outro. Sendo assim – e aquilo que gostava que retirassem deste meu curto discurso – é que a Manipulação sempre fez parte da nossa vivência enquanto seres que comunicam, principalmente no que respeita à nossa sobrevivência no Mundo e por isso o seu desenvolvimento não tem de ser visto como negativo, já que esta, usada para o “bem”, é realmente uma capacidade excepcional.

Throne of Lies traz em nós este espírito sobrevivente, e é este fator que torna jogos como este tão cativantes.

Quanto à plataforma e gameplay, o Login de Throne of Lies não é muito intuitivo ou rápido, exigindo várias etapas, as quais  podem muitas vezes desmotivar jogadores mais impacientes, que queiram sem muita motivação experimentar o jogo. Ainda assim, elogio o visual apelativo de entrada no jogo.

Ao entrar no Lobby, encontramos um interface que claramente se encontra em desenvolvimento, com poucas opções, e várias delas pouco intuitivas ou apelativas em comparação com outros jogos e mais concretamente com Town of Salem (o videojogo mais parecido com Throne of Lies). Os bugs na procura de jogo foram também – infelizmente – frustrantes, como por exemplo não aparecerem os meus dois amigos de Steam (que estavam in game e se encontraram mutuamente) na minha lista de amigos de jogo, nem eu na lista deles. Tive depois a feliz coincidência de ao iniciar um jogo encontrá-los por lá, o que permitiu não ter que jogar sozinha.

Dentro de jogo os comandos a realizar, tanto no período de dia como no período da noite, não eram intuitivos, faltando claramente um género de tutorial ou mais informação sobre como realizar as várias ações (não esquecendo que existem muitos jogadores que não têm paciência para ter de ler imensas informações num wiki ou num livro de “como jogar” antes de entrarem em ação). Dentro de jogo acabei por sentir que a experiência em 3D não compensava algumas das ações básicas de jogo que não se encontrarem tão intuitivas não providenciando uma boa experiência de jogo. Acabei então por não sentir facilmente a expressão interna “quero repetir”.

A pouca customização dos personagens e do ambiente em volta (sendo estes sempre iguais), não revelando ao jogador uma maior motivação em continuar a jogar partidas por não ganhar “nada” com isso, foi um dos pontos que considerei para já negativo – algo que apesar de tudo, está previsto existir em breve, segundo os editores do jogo.  Porém, para já, penso que a experiência “in game” para o próprio jogador não é suficiente para o motivar a continuar a jogar por um longo período de tempo, sendo o sistema de recompensa bastante pobre.

No jogo de Throne of Lies, a principal inovação foi o facto de terem trazido a experiência 3D (ainda que muito rudimentar) ao próprio jogador, ao contrário de Town of Salem onde o jogador está presente numa imagem 2D. Ainda assim, senti que gostei mais de vivenciar as imagens 2D de Town of Salem, do que as imagens 3D em Throne of Lies, já que estas podiam ser customizáveis por mim, algo que em breve veremos como se irá apresentar em Throne of Lies

Em Throne of Lies vemos também poucas opções de jogabilidade, existindo muito mais opções casuais e competitivas em Town of Salem, algo que possivelmente poderá mudar com o desenrolar do desenvolvimento do jogo, já que este se encontra ainda numa fase embrionária.

Em termos das personagens, Throne of Lies contém 35 personagens que o jogador pode jogar, tendo maior parte delas atividades que pode fazer no Tempo da “noite” e no tempo de “dia”. Gostei de maioria das personagens, estando desenvolvidas de modo criativo e com um artwork muito próprio. Apesar disso este facto acaba por não ser muito inovador em comparação com Town of Salem, já que este também se encontra com mais de 35 personagens. Algo interessante é que a experiência em ambos os jogos se torna bastante distinta pelas diferentes personagens que ambos criaram mas também pela diferente temática que ambos nos trazem. Town of Salem, tal como o nome diz, refere-se à icónica localidade de Salem na América do Norte, onde existiu uma derradeira e mortífera caça às bruxas. Por outro lado em Throne of Lies vive-se uma experiência no Tempo Medieval. Tal diferença pode também trazer um fator preferencial no jogador. 

Concluindo, Throne of Lies ainda se encontra numa fase muito inicial de desenvolvimento, existindo ainda pouco a dizer quanto ao que existirá no futuro, ainda assim, vejo grande potencial em jogos deste tipo, estando ansiosa por ver os desenvolvimentos que serão feitos futuramente!

Podem ver mais informações sobre o jogo AQUI.

Veja ainda no seguinte video mais informações: