Escrever sobre videojogos é complicado. Se alguma vez acharam que pagar 15€ por comida à descrição talvez não fosse a melhor decisão para uma refeição então talvez devam desconsiderar não só que isto de analisar videojogos é só um mar de rosas como também que estar empregado no vosso trabalho de sonho só é bom para puxar os pés para terra firme e desconvencerem-se que achar que somos a pessoa que melhor nos conhece faz com que saibamos o que é melhor para nós.

Não me levem a mal, não procuro apanhar-vos numa situação complicada de vida e fazer-vos pensar sobre ela. Explicitei só uma pressão no peito e a dor que me dá perceber o quão mau sou a dizer adeus e quão mal me posiciona perante aqueles que geram expectativas de mim.  Porém, se fui desagradável, deixem-me dizer que respeito a vossa posição (seja ela qual for) dada a vossa situação (seja ela qual for) e digo-vos que, de alguma forma, sinto-me a passar por algo semelhante (seja isso o que for). Inúmeras vezes dou comigo em sítios onde as almas se perdem e as personalidades se arrumam debaixo de tapete e aí, grande parte das vezes, tenho o pressentimento que estou rodeado de pessoas que se estão a enganar a elas mesmas, eu incluído: não porque haja algo inerentemente errado em fechar os olhos, agitar o corpo enquanto os ouvidos sangram som para as nossas entranhas, mas porque este sentir que pertenço a uma matilha de mentirosos talvez não passe de uma mentira para me convencer de que não sou insignificante como cada um de nós o é, na verdade. Ignorando o resto da divisão daquilo que sei por aquilo que sou, quoeciento que apesar das dores, lições e boas memórias que retiro são significativas só até eu deixar de ser ser. Então porque não deixar de ser? Não se julgue que esta linha não se possa caracterizar como uma metáfora, não pretendo falar de existir mas de acontecer.

Acontece que quando se vivem jogos, poucos são aqueles que ainda reservam espaço para serem jogados. São esses que nos ajudam a carregar com mais força e a arranjar motivação para enfrentar mais um dia, de forma independente do conteúdo dos dias anteriores. Qualquer jogo que eu jogar, de momento, carrega não só ele próprio como também tudo aquilo que se tem passado comigo nos últimos tempos e invadem o meu espaço pessoal sempre que pretendo relaxar. Fazer o meu trabalho (que é gosto) com isto às costas passa a ser inferno e rapidamente seca todos os jogos que não nos consumam ao ponto de nos fazer retirar as botas, vestir-nos em roupa confortável e experienciar aquilo que este tem para nos oferecer de forma completa e una.

O meu progresso nos últimos três meses foi:

~71 horas de Persona 5;

~12 horas de Doom (2016);

~ 6 horas de Uncharted: Golden Abbyss;

~ 2 horas de Kentucky Route Zero;

~ 1 hora de NiGHTS: Into Dreams;

~ 1 hora de Codex of Victory;

~ 18 horas de Witcher 3: The Wild Hunt;

~ 2 horas de Hyperlight Drifter;

~ imensas horas de Thumper;

~ 10 horas de NiER: Automata;

~ 3 horas de Hitman: Season 1;

~ 4 horas de Playdead’s Inside;

Já no episódio da mosca referi onde arranjo combustível para manter a máquina a funcionar e bem oleada: na esperança de encontrar um outro jogo, não necessariamente aquele que me faz querer pôr confortável e relaxar mas aquele que faz algo de especial ou interessante, destoando do panorama actual dos videojogos. Acho que neste momento o que me falta é combustível, são jogos que me mostrem algo de novo, que ainda não conheço. Definitivamente a E3 não foi local para mostrar esses jogos (corporate talkmarketing a sucessos seguros em detrimento desses) e a cena indie tem-se mostrado demasiado saturada para conseguir encontrar tempo para maturar obra que seja. Surge agora o medo que esse dia não chegue e que tenha de me preparar para o adeus que não saberei dizer.

Eu. De férias. Algures.