Crónicas de um Verão ameno – parte I

Podia aqui por a versão original das Bananarama, mas visto que a dos Ace of Base surgiu já eu tinha uns pés na adolescência, prefiro abrir este primeiro deambular por um dos verões mais amenos em termos de lançamentos de videojogos de que tenho memória. Aliás, era o Verão da Expo 98 e volta e meia lá esta música vinha a bombar no Sol Música, invariavelmente seguida por alguma dos saudosos Lighthouse Family.

Mas falemos de jogos, que dizem que é para isso que cá estamos. O problema deste Verão ameno não é o número de jogos que têm saído, especialmente indie, mas o quão pouco entusiasmantes eles são. Como podem ter visto pelo subtítulo esta é apenas a primeira parte de um destilar de jogos aborrecidos, não obrigatoriamente maus, que pouco têm trazido para um mercado que tantas vezes nos surpreende. Mas que com estes exemplos não o fez.

SoulFrost

SoulFrost é todo minimalismo. A mistura de mecânicas de 2 jogos distintos num desafio considerável, com uma camada narrativa suavemente filosófica e que poderia ter resultado um jogo mais interessante do que este loop monótono.

Alternamos entre sequências de side-scrolling reminiscentes de um Flappy Bird em escala de azul e sequências de shoot ‘em up em vista aérea. O elemento comum é a barra de energia que é simultaneamente combustível nas sequências de voo na primeira fase e barra de vida na segunda.

A energia é constante ao longo de todo o jogo e é nela que reside o desafio de ultrapassar o jogo na sua totalidade sem a deixar chegar a zero. Custa 2,99€, o que é o equivalente a pedir um café e um pastel de nata no Chiado, mas SoulFrost satisfaz muito menos.

Gunducky Industries

Imaginem que Katsuya Eguchi entrava no Bizarro-World e que por um estranho acaso acabaria por criar Starfox mecanicamente como o conhecemos, mas ao invés de estarmos num sistema espacial no meio de uma guerra galáctica estamos no nosso planeta onde uma série de robots com aspecto de patos e outros animais de pequeno porte se rebelaram contra a Humanidade.

Isto é Gunducky Industries, um rail shooter 3D que até impressionou com uma (aparente) boa direcção artística num ambiente tridimensional depurado, mas cuja realidade in-game fica aquém dos stills exibidos na página de Steam.

Não sabemos quanto vai custar Gunducky Industries que até nem é um mau rail shooter 3D. Mas é mais ou menos como um dia de praia em que choveu de manhã.

Deadly Edge

Dos 3 jogos dos quais falamos hoje este é aquele que me custa mais incluir numa lista de jogos. Deadly Age, criado pelo estúdio Bison Kings tem imensos factores que facilmente fariam deste 2D side scrolling action old school game algo interessante de se jogar, mas o resultado final ficou tão aquém.

Salta-nos à vista a excelente pixel art monocromática que conquista qualquer um ao primeiro olhar. O combate é todo velha guarda com um sistema de duelos reminiscente de Prince of Persia. Mas o problema é que este combate, que até deveria ser grande parte do charme do jogo resultou em algo rígido e pouco fluído. Muito longe daquilo que Messhof conseguiu com Niddhog. Havia trabalho de casa a fazer neste campo, e infelizmente Deadly Edge ficou muitos furos abaixo do que poderia ter sido.

Deadly Age é a dor de acordar cedo para ir para a praia e não só apanhar um trânsito descomunal, como chegar ao areal e não ter onde estender a toalha.