Parte final, felizmente

O calor deixa-nos a todos mais cansados e com menor disposição para trabalhar. É frequente falarem da preguiça dos povos do Sul da Europa, mas isso deve-se a nem imaginarem o que são 40º à sombra, ou aquelas noites em Beja em que está mais fresco dentro de uma casa sem ar-condicionado com as janelas e estores fechados do que a passear na rua.

Neste dia em que escrevo e que é o último dia do mês de Agosto, deixo para trás o mês onde tirei as minhas muito-necessitadas férias com a minha família, mas também o mês em que tive à espera na minha caixa de e-mail alguns dos jogos menos interessantes que tive a infelicidade de jogar nestes anos de Rubber.

Dos jogos perfeitamente medianos que recebemos ficam dois a resvalar para o muito mau ainda na calha. E parece-me que para os esquecer só mesmo com muitas doses de vinho estival (perceberam a piadinha? Aqui acompanhada pela cover e maravilhoso dueto do Ville Valo e da Natalia Avelon de Summer Wine da Nancy Sinatra e do Lee Hazleweeod?)

tycoons de tudo: prisões, restaurantes, pizzarias, empresas de casas-de-banho públicas, estúdios porno e até de grupos de vilões. Ver algo a chegar e a prometer ser um jogo de gestão de uma empresa funerária é o sonho tornado realidade de qualquer fã de Six Feet Under e/ou qualquer pessoa com algum humor negro.

Undertaker’s anuncia-se assim, mas a desilusão começa assim que começamos o jogo. Há um flashback instantâneo para maus jogos do início da década de 1990 com a “arte” feita em Paint, mas não daquela surpreendente que leva meses a criar uma imagem que seria feita em 1 hora em Photoshop, mas daquelas imagens que parecem ter sido feitas por uma criança de 8 anos que está a aprender a mexer no software.

Apesar de não existir tutorial e de sermos atirados à carniça sem qualquer aviso, Undertaker’s aparece mais como um protótipo de algo que poderá ser um dia um curioso jogo de gestão económica do que um produto finalizado. Não só a “arte” é terrível, naïf, como o interface e a má optimização de IUX tornam este jogo uma verdadeira dor de cabeça.

Undertaker’s merecia ser trabalhado com mais atenção, tempo, e talento, porque o que aqui está é o esqueleto de um sim game com potencial. Só que me parece que o estúdio Hyeson já pegou nesse esqueleto e limitou-se a atirá-lo para o crematório.

Existe potencialidade para jogos assimétricos, e ainda que não tenhamos ficado fãs do resultado final de Evolve e de Friday the 13th, há ainda caminho a percorrer para encontrar formas satisfatórias de opor jogadores em condições, que o digam o Crawl e o Keep Talking and Nobody Explodes que conseguiram acertar exactamente no ponto certo.

Late for Work tem uma premissa interessante, ou pelo menos, uma ideia louca o suficiente para funcionar enquanto jogo multijogador de sala. Aqui um jogador controla em VR um gorila gigante que tem de destruir a cidade, ao mesmo que tempo que tenta aniquilar os outros jogadores, ao mesmo tempo que estes o tentam derrotar.

Jogar com o gorila é infinitamente mais divertido do que jogar com os veículos. E isto é um erro crasso ao fazer um jogo assimétrico, ter um dos lados excessivamente mais divertido do que o outro, fazendo de qualquer sessão apenas um passatempo até que tenhamos a oportunidade de jogar com a componente verdadeiramente divertida.

Como Late for Work ainda está em Early Access e é possível que haja margem para equilibrar este jogo multiplayer assimétrico com VR e splitscreen para os restantes jogadores. O que existe agora é apenas uma ideia mediana e uma execução ainda mais meh.