Ainda ontem falávamos de Quake Champions, e de como o auto-proclamado pai dos eSports apareceu agora no mercado a tentar reclamar aquilo que afirma ser seu por direito. Mas com o sucesso de Overwatch e recentemente Player Unknown’s Battleground (e o falhanço de Battleborn) é normal que hajam muitos concorrentes a lutar por uma fatia do bolo multi-milionário dos shooters online, e de entre eles muitos sejam aqueles que falham redondamente.

O problema desta saturação do mercado e de existirem jogos tão sólidos e tão instalados é que quase tudo o que é lançado para com eles competir acaba por empalidecer por comparação. Ou um jogo tem algo que o destaque ou é uma verdadeira perda de tempo e de dinheiro para quem decide apostar em si.

O primeiro dos dois casos emblemáticos do qual falamos hoje é Offensive Combat: Redux! que tenta à viva força aproximar-se do sucesso estelar de CS:GO, mas a maior proximidade que consegue é o facto de este ter dois pontos no seu acrónimo.

Este é o remake pago do jogo gratuito de browser de 2012, e até trouxe algumas novidades para a mesa em termos de multi-jogador. E até é compreensível que os seus autores confiem na proximidade/nostalgia a curto prazo da comunidade que alimentou a player-base de Offensive Combat, mas em cinco anos muito mudou.

Os contributos (ainda que ligeiros) que o jogo possa ter tido dentro do seu sub-mercado já pouco ou nada significam um ambiente hiper-competitivo e com pesos-pesados a quase dominarem com monopólios incontestados.

Se ainda assim, dentro da sua mediania visual e mecânica Offensive Combat: Redux! consegue destacar-se? Sim. Com a sua capacidade de hiper-customizar os personagens, permitindo que existam casos cheios de absurdo como andarmos a percorrer as arenas com a cabeça de Trump ou outros componentes mais ou menos ridículos. Mas por 19,99€ e com outras soluções gratuitas melhores, dificilmente OC:R! vai conseguir despertar algum interesse, dentro do quão genérico acaba por mostrar-se.

Num subgénero dos FPS multiplayer está Escape From Tarkov, que tenta imbuir-se do sucesso de outros jogos do género com um toque de sobrevivência e onde a morte significa a perda de tudo o que foi conquistado.

Com uma boa apresentação e uma linha narrativa muito forte, onde temos de escolher uma de duas facções opostas para levar a cabo as missões num ambiente que parece em tudo inspirar-se ao ambiente de S.T.A.L.K.E.R. É capaz até de ser este um dos maiores selling points, o de apelar a um sentido de memória recente dessa aclamada série para vender este jogo online.

As fundações feitas em cima desse jogo são interessantes quando adensadas com mecânicas de RPG e de micro-gestão das habilidades, inventário e até das componentes de cada armas, tornando este jogo de sobrevivência hardcore numa tentativa de fazer algo diferente.

O brilhantismo visual de Escape from Tarkov e o seu direccionamento narrativo talvez sejam alguns dos seus maiores argumentos de venda. Mas talvez nem esses sejam suficientes para o destacar num sub-mercado que foi inundado por cópias de H1Z1 e Rust, e que ainda que este seja um cruzamento entre esse sistema aberto dos survival multiplayer games, e jogos cooperativos com missões pré-estabelecidas, parece-me não haver flavour suficiente para justificar os quase 40 euros do seu custo.

Nem Offensive Combat: Redux! nem Escape from Tarkov são más propostas para o mercado, mas parece-me que nenhum dos dois vai conseguir sequer agitar poeira suficiente para colocar um pé que seja na escadaria de destaque dos eSports. São duas tentativas interessantes, bem melhores do que muito sholverware congénere que temos recebido mas não suficientemente distintos que os permita sobreviver a um ambiente tão competitivo como é o dos shooters online.