Num mercado um pouco menos cego de ganância nunca chegaríamos a ver PES 2018 nas lojas. Com isto não digo que o jogo seja mau, que não é, mas tenho de admitir com toda a honestidade que não consigo notar grandes diferenças desde o meu reencontro com a série há 3 anos.

O que me surpreende ainda mais nesta história é dialogar com outros jogadores que conseguem ver a evolução e afirmam categoricamente que conseguem sentir as nuances de um ano para o outro. Eu não sei se isto é um caso claro de O Rei Vai Nu, ou se a minha falta de sensibilidade para com as diferenças dos jogos de futebol de um ano para o outro estão perto da dormência.

Quando refiro que num mercado utópico como o que eu defendo, o PES não teria anualmente novas edições a 69,99€ à venda no mercado, com pouco mais que o distinga da versão comprada 12 meses antes por outros 69,99€. Com tão poucas diferenças técnicas Pro-Evolution Soccer (e também FIFA) deveriam ter algum sistema de subscrição ou encarar cada nova edição como uma mera expansão, cobrada de acordo, e que permitisse as devidas alterações ao sistema através de patches.

Desde a edição de 2016 que não jogo PES e não consigo sentir diferenças. Presentes ainda estão para mim a facilidade em mergulhar no jogo. Por alguma razão continuo a sentir que PES é bem mais friendly para novos jogadores do que o seu grande rival, e a herança e simplicidade herdadas de outros tempos ainda aqui estão. O feel dos jogos de arcadas ou mesmo dos seus irmãos bastardos das consolas, em que pegávamos num jogo e sentíamos que conseguíamos ser bons o suficiente para não sermos enxovalhados vergonhosamente.

Com os jogadores a receberem live updates das suas exibições no mundo real, coisa que o FIFA já tem há algum tempo. Aliás, o que me pareceu realmente deste PES 2018 é que anda ao toque de caixa do que o seu grande rival já fez.

O sucesso do modo Ultimate Team do FIFA veio aqui potenciar o MyClub Mode, com as óbvias falhas, mas que acabo por estender, mais uma vez, à própria série. Nos anos 1990, quando jogávamos FIFA na Mega Drive e tínhamos jogadores como o Luís Figarros, o licenciamento das Ligas e dos jogadores era algo que nos era perfeitamente indiferente. Queríamos um bom jogo de futebol, tanto a solo como a dois, com a Liga dos Campeões lá do prédio a ser disputada na arena do nosso sofá. Nos dias de hoje queremos um óptimo jogo de futebol, que seja exímio offline a solo e a dois ou mais, e que seja igualmente muito bom online. Mas em cima disto tudo, pela solidificação do FIFA enquanto marca por excelência entre o mundo real e o mundo do videojogo, aquilo que exigimos dos nossos jogos de futebol é o licenciamento de todas as ligas.

É verdade que existe um esforço crescente para que os clubes (ditos) principais tenham licenciamento no PES, e o meu Sporting já tem símbolo, nomes dos jogadores e nome do clube como deve de ser, mas falta o resto. Para além de Benfica e Porto, continuar a jogar contra o Blemotao, o Arimelcao e o Podefteza na Liga Portugal é algo que invariavelmente causa danos num mercado como o português, que ainda que não tenha a dimensão de outros países, é um local onde se respira futebol e onde acredito que se compram muitos jogos da modalidade.

Numa época em que a verosimilhança é um dos elementos de venda tanto PES como FIFA, o jogo da Konami fica notoriamente a perder. E digo isto com o carinho que desenvolvi pelo Podefteza nos últimos anos. Sou sportinguista desde que nasci, mas em termos de clubes imaginários sou certamente um podeftezista, e apenas porque o Imparáveis F.C. dos saudosos Henrique Viana e António Assunção já não existe.

PES 2018 é um bom jogo de futebol, fácil de entrar e de divertir. Mas também o 2016 e o 2015 o eram. As diferenças são tão subtis (pelo menos para mim) que sei que qualquer opinião tecida sobre o jogo é quase indiferente ao público que lhe é fiel. Comprar anualmente estes títulos é uma ritual quase religioso para muita gente. E é assim que permanecerá.