Fresquinho, acabadinho de nos chegar às mãos, está o novo DLC para Battlefield 1, In the Name of the Tsar. A expansão traz, para quem a adquirir, o espectro da Primeira Guerra Mundial para a Rússia, com mapas, armas e unidades a entrarem no deslumbrante e ao mesmo tempo desolador campo de batalha.

Depois de uma primeira expansão a corrigir/monetizar a entrada do exército Francês, a EA volta à carga, carregando nas carteiras de quem tem o jogo para que possa usufruir da experiência de jogar nas várias frentes em disputa na WWI. É uma política que não me agrada. Aliás, referi-o no artigo em que comparei Battlefield 1 a Candy Crush Saga: “Não consigo digerir muito bem a total e absoluta ausência de um exército Francês durante a campanha”. Na altura vislumbrava-se o caminho pretendido, mas havia uma vozinha qualquer cá dentro a dizer “Não, eles não vão por aí. Não podem. Não vão fazer disto outro Battlefront!”.

É.

Mas foram.

Já o tinham feito com o DLC que incluía o exército Francês. Fizeram-no novamente agora, ao incluir o exército e os mapas Russos. Podem argumentar que funciona, que é uma estratégia financeiramente viável, que facturaram não-sei-quantos milhões. A minha experiência a testar o jogo para escrever esta análise agora é um bom argumento de como isso não funciona. Podem vender. Podem ganhar dinheiro. Mas perdem os jogadores.

A minha experiência com In the name of the Tsar passou pelo reinstalar de um jogo que há muito havia caído na minha lista de jogos desinstalados. O espaço em disco é precioso e tanto ele como o tempo são reservados para jogos que possa usufruir com amigos. E Battlefield 1 é um jogo a que há muito a maior parte dos meus amigos virou as costas, por várias razões. Recordo com saudade as tardes e noites passadas a jogar Battlefield 3. Com um punhado de amigos, organizávamo-nos em squads, tirando partido de veículos. Atribuindo tarefas distintas e complementares a cada um, tentando criar alguma ordem e eficiência num campo de batalha caótico e conseguindo, aqui e ali, levar as tarefas a bom porto. A essência de Battlefield 1 é contrária a isso, o que, por sua vez, terá levado a uma muito menor taxa de penetração no grupo de amigos com quem jogava largas horas. Os veículos são mais raros – o que é aceitável e consentâneo com os tempos da Primeira Guerra – mas também não estão disponíveis numa “base” onde, ocasionalmente, os podemos requisitar. Antes são atribuídos na altura do spawn, a quem lograr clicar lá primeiro. Temos um veículo de tempo a tempo, seja um tanque individual, seja um mais composto com vários postos de combate. Mas, na limitação e na artificial dificuldade com que se consegue um veículo, perde-se a oportunidade de fazer um quadro completo com tanques de vários calibres e aviões de várias envergaduras e um número considerável de cavalaria a salpicar o campo de batalha.

É difícil conseguir um veículo. E é impossível requisitá-lo apenas para uso dos nossos companheiros de jogo. Esse é o principal factor pelo qual alguns dos velhos companheiros de armas não chegaram a adquirir este Battlefield 1. E isso pode ajudar a explicar um dos principais problemas que encontrei a testar o jogo. Três palavras: não há gente. Não há gente. Pelo meio apanhei uma altura em que, coincidindo com o lançamento deste DLC, a EA aproveitou para “emprestar” direitos de conta Premium aos utilizadores, o que é uma manobra interessante para encher os servidores, mas antes disso… estive uns bons longos serões a admirar servidores vazios, o que é estranho para um jogo deste calibre tão pouco tempo após o lançamento. O jogo não é mau, muito pelo contrário. Mas tem erros, falhas que, num mercado competitivo e numa fase em que o multiplayer cooperativo está a assumir um papel de relevo – como em PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS, de que já aqui falámos – custam caro. O resultado? Um servidor com pessoas a jogar. 30. 60. 64 pessoas com mais 2 ou 3 em lista de espera… um cenário desolador de abandono que parece retirado dos campos de batalha do jogo após uma sessão de 30 minutos de bombas, petardos e tiroteios. Em todo mundo, apenas um punhado de jogadores online. Não é irrelevante.

Para piorar as coisas, haver um servidor com gente não implica haver um servidor com o In The Name of the Tsar activo, o que levou a vários dias em que longas sessões de tentativas de jogar resultassem em próximo de zero material utilizável para aqui poder dissecar convosco. A situação melhorou posteriormente, com o tal Premium Period para toda a gente. Os servidores voltaram a encher e passou a ser mais fácil encontrar jogo – embora não queira isso dizer que passou a ser mais fácil jogar os mapas do DLC. Na verdade, ao fim de vários dias espalhados por várias semanas a jogar Battlefield 1, posso dizer que não consegui experimentar todos os mapas de Tsar. Dos seis mapas em questão, há um que nunca consegui jogar: Galicia. Mesmo com os mapas em rotação, a maioria dos servidores inclui um Votemap no fim de cada batalha. Ora é preciso que Galicia surja aí e, surgindo, é preciso que ganhe a votação. Pois. Não aconteceu.


Mas, vá… para aquilo que alguns querem ouvir… In the Name of the Tsar é um interessante DLC, trazendo os exércitos, armas e veículos russos para a refrega, adicionando novos mapas. Traz mais coisas, como novos modos de jogo ou novas especializações. Mas sou um gajo da velha guarda. Gosto do jogo em hardcore. Sem mira. Sem mapa. Sem HUD a dizer que tenho 4 ou 40 balas. Com dano mais realista. Comigo a passar mais tempo de cara na lama do que a mirar nos inimigos. E é isto. É mau? Não! É bom! Bons gráficos, boa jogabilidade, boa imersão (principalmente no tal modo hardcore) e umas boas horas de diversão para quem se prestar a explorar os novos mapas, armas e veículos. Mas… chega? E aí, terei que dizer que dificilmente o jogo me agarrará por muito mais tempo. Os antigos problemas continuam lá. Um excesso de armas automáticas e semi-automáticas no campo de batalha e todo um conceito de jogo criado para veicular a venda de DLCs como sendo fundamental, o que, a par do regime controlado de servidores, só contribui para afastar ainda mais uma comunidade já de si dividida.

In the name of the Tsar acerta naquilo que Battlefield 1 já acertava. Boas batalhas, boa imersão com armas da Primeira Grande Guerra e alguns palcos icónicos da mesma. Mas falha também nos mesmos pontos. Ao reservar algumas das batalhas, momentos e nações mais relevantes da guerra para um grupo restrito de jogadores, estamos a segmentar ainda mais uma comunidade que há muito dispersara. E isso nunca é bom.