Caçada semanal #115

Chamar-lhes “jogos de tiros” é das coisas mais prosaicas que podemos ter nos videojogos, mas, a bem da compreensão, são definições como estas que ajudam os mais leigos a compreenderem exactamente do que se está a falar, sem necessitarmos de entrar em jargão técnico de géneros e subgéneros e discussões conceptuais se este é mais run and gun ou mais metroidvania.

Esta semana trazemos mais três indies “de tiros”, diferentes em si, e com uma abordagem mais retro e bidimensional a uni-los.

Let Them Come

Por alguma razão quando mergulhei na pixel art deste Let Them Come pensei num mundo paralelo em que Aliens tinha o Bruce Willis e o seu John Mcclane como protagonistas. Aliens, Die Hard! poderia ser o nome, se alguém estivesse com dúvidas sobre o quão simples é encontrar um título condigno com trocadilho com as duas séries.

Em Let Them Come controlamos Gunar Rock, que é a última linha de defesa da humanidade numa estação espacial onde todos morreram menos ele. Armados com uma gattling gun, o nosso objectivo é o de sobreviver a inúmeras vagas de aliens e tentar fazer o máximo de pontuação (dinheiro) para comprar novos upgrades. A longevidade do jogo prende-se com os muitos itens desbloqueáveis que temos e de que forma é que isso nos permite chegar cada vez mais longe nos 5 níveis que o compõem.

E isto é uma missão difícil. Muito difícil.

Let Them Come é muito simples, mas igualmente indicado para momento de desligar o cérebro e desfazer alienígenas sem termos de sair do lugar. Nem nós nem o nosso protagonista.

Orange Moon

Há géneros em que existem jogos em excesso e de qualidade inferior ao esperado, e um desses são os metroidvania. Aliás, com as devidas aspas, o problema do género é acima de tudo a utilização dessa nomenclatura para qualquer coisa que raspe tangencialmente algum dos preceitos definidos por Metroid, mas que na realidade tem mais fama do que proveito. Quereríamos nós que fossem metroidvanias, mas não são. São coisas que até bebem ali de algumas influências mas que falham redondamente em aplicar a mestria dos melhores do género, de demonstrar o quanto a exploração pode ser enganadoramente aberta e simultaneamente linear num clima pré-concebido de progressão.

Orange Moon é um destes exemplos. Vende-se como um metroidvania, mas não é um jogo tão brilhante assim nesse campo. Interessante na sua vertente narrativa mas pouco distintivo de tantos outros melhores exemplos que têm surgido no mercado indie.

Infelizmente, e não sendo meh na sua produção, é tão fácil pensar em exemplos recentes que fazem o que Orange Moon queria fazer, mas melhor.

Clash Force

O ambiente retro parece propício ao surgimento de imensos títulos mais ou menos colados às suas inspirações, sendo que a maioria não consegue ter argumentos para se distinguir neste mercado.

Clash Force poderia ser um shooter platformer da NES, mas não é. É um jogo em 8 bits lançado originalmente para o mercado mobile mas que traz os seus 3 personagens jogáveis para o ambiente do PC. Poderíamos pensar que estes três personagens distintos trouxessem características diferentes para o jogo, mas não. É estético. E parece que isso basta.

Clash Force é divertido e desafiante como um Mega Man, mas sem sequer roçar naquilo que torna a série de Inafune interessante e marcante. Não deixa de ser um óptimo exemplo de construção visual e mecânica de exímia fidelidade à NES. Mas é pouco mais do que isso.