Muitos dos jogos japoneses vivem na terra dos clichés, aquele sítio mágico cheio de lugares-comum onde todas as expectativas são cumpridas e as surpresas são inexistentes. Mas serem completamente expectáveis não faz deles, muitas vezes, maus jogos. Mas tornam-nos jogos medianos na maioria das vezes, o que já tinha acontecido com o primeiro Nights of Azure e acaba por acontecer com esta sua descendência.

Dito isto, até compreendemos que a tarefa de fazer um bom hack ‘n slash é bem mais complexa do que se imagina à primeira vista. Mas isto pode ser dito de praticamente de tudo, de qualquer género de videojogos até a álbuns musicais.

Apesar de Nights of Azure 2: Bride of the New Moon se passar num tempo indefinido depois do primeiro título, a construção do mundo permanece a mesma: há muitos séculos um senhor dos demónios foi assassinado, e o seu sangue azul derramou-se sobre toda a Terra, e tudo o que contactou transformou-se imediatamente numa criatura demoníaca.

Este tremendo cliché já era a base do primeiro jogo, mas foi aqui adicionada outra esfera de lugares-comuns, para apaziguar a fúria da Rainha da Noite (não, não é uma homenagem à música dos D’Arrasar) a Curia tem de sacrificar uma Noiva do Tempo. E, não fosse o título distrair-nos, é aqui que a porca torce o rabo, ou neste caso, que a guerreira fanática religiosa tem o seu conflito ideológico.

Em Nights of Azure 2: Bride of the New Moon controlamos Aluche, a devote cavaleira que jurou como missão seguir as instruções da Curia, até que… a sua melhor amiga, Liliana, é indicada como a próxima noiva do tempo, e terá de ser sacrificada para impedir o fim do mundo. Coisa normal em qualquer amizade, diria. Quantos de nós não teve um dia de escolher ir beber uma bica com um amigo ou sacrificá-lo numa pedra de altar a uma entidade divina demoníaca para salvar a nossa existência?

É claro que tudo isto soa sério demais. Como seria de esperar da sequela de Nights of Azure, todo este enredo é apenas uma desculpa para colocar mulher com grandes bustos semi-despidas a lutarem desalmadamente com demónios e outras criaturas, ainda que o véu que cobre tudo seja o do conflito ideológico e do cliché permanente de salvar o mundo.

Como hack ‘n slash pouco mais adianta do que qualquer jogo do género, com os prejuízos da comparação. Se o colocarmos lado-a-lado com outros jogos mecanicamente idênticos, como os musou, Nights of Azure 2: Bride of the New Moon empalidece (não sob a aura lunar) mas sob a falta de conteúdo que os jogos Warriors (apenas como exemplo) têm.

Trazendo alguns elementos do seu antecessor, podemos ir para combate com uma espécie de party, para além de trazermos companions, trazemos também Servans, que podem dotar-nos de habilidades passivas, activas, ou até mesmo transformarem-se em armas para Aluche usar, mas tudo isto de forma relativamente simples e superficial. A única utilização positiva que aqui temos é que a sua utilização contribui, e muito, para optimizarmos a nossa eficácia em combate e perdermos o menor tempo possível.

É que ao contrário de outros jogos, Nights of Azure 2: Bride of the New Moon adiciona a tensão do tempo limite, interligado com as fases da Lua, e se esta chegar a Lua Cheia o fim-do-mundo acontece e recebemos como prenda, embrulhada de forma bonita o belo Game Over. A gestão do tempo até é um elemento curioso mas parece desequilibrado quando comparado com outros jogos. Se nos lembrarmos de Majora’s Mask e da pressão constante da Lua e do fim-do-mundo, é fácil perceber a inspiração para aqui, mas para um hack ‘n slash, novamente, dir-se-ia que Warriors resolve melhor esta camada de tensão adicional.

Basta pensarmos que em musou temos secções da batalha, sub-missões ou sub-capítulos que têm um tempo limite, e que nos obriga a mudar de táctica, e cria um balanceamento diferente para a lógica simplista de hack ‘n slash. Sendo um elemento constante em todo o Nights of Azure 2: Bride of the New Moon, parece-me que não existe espaço para sentirmos essa montanha-russa de tensões que faria da experiência deste jogo da Koei Tecmo algo mais divertido do que a monotonia a que nos fada.

Nights of Azure 2: Bride of the New Moon é um jogo bonito, e menos não se podia esperar de um jogo da Koei Temco, mas esperar-se-ia um nível de desenvolvimento diferente para um hack ‘n slash. Como dissemos no início, este é realmente um género difícil de criar obras de referências, mas tantos jogos provaram que essa não era uma tarefa impossível. Mas nenhum dos Nights of Azure são esse caso.