Caçada Semanal #118

Há quem diga que tudo começou numa chamada de grupo por Skype em que a minha pronúncia francesa saltou para a ribalta e a cidade Quebec saiu-me proferida, naturalmente, como Québec, à grande e à francesa. Para quem não me conhece pessoalmente tem de compreender que estas questões da forma como pronunciar palavras não-portuguesas é-me muito querida, do “crruaissôn” ao “éclérre”, passando até pela “práimárque”. E desde essa altura que é piada recorrente perguntar-se ao Ricardo (eu, na terceira pessoa), como é que se diz determinada palavra em francês.

Elementos fundamentais de uma caçada semanal: uma introdução que pouco ou nada tem a ver com os jogos do qual aqui se falam na maioria das vezes, e portanto, parvoíce, seguida de dois a três jogos indie que aconselhamos semanalmente.

E algum destes jogos é um roguelike ou roguelite? Não. Mas todos têm vermelho na sua paleta.

Evil Genome

Ainda há pouco tempo falávamos de quão facilmente o neologismo metroidvania é atribuído a um jogo mesmo que ele tenha pouca capacidades para tal, e esse parece ser um dos ónus de Evil Genome. Mais action RPG 2.5D/platformer do que propriamente metroidvania, a evolução da personagem está mais ligada a questões de conceito e de enredo, do que propriamente a áreas por descobrir, ou habilidades para lhes aceder.

Visualmente Evil Genome é excelente, e traz-nos um maravilhoso ambiente de 2.5D renderizado com detalhe e precisão, e é muito mais do que esperaríamos de um jogo de 14,99€, onde a qualidade visual equipara-se a alguns jogos AAA.

Mecanicamente Evil Genome é muito divertido, e talvez todos os seus pontos positivos só fique a perder pelo seu enredo, ou pela tradução do mesmo, ou por ambos. Cada passo que damos é um cliché, desde o início do jogo em que a nossa protagonista se despenha num planeta hostil, ficando amnésica e tendo de ir recuperando o seu poder e memórias à medida que o jogo avança.

Com um combate fulgurante e uns fundos maravilhosamente “pintados” , Evil Genome pode ser uma boa aposta em termos de jogos desconhecidos. Mas não partam para ele à espera de um metroidvania, que disso não tem praticamente nada.

Deadbeat Heroes

Mais um jogo a surgir da rampa de lançamento da Square Enix Collective, Deadbeat Heroes é um jogo que em (quase) tudo nos faz lembrar um indie que adorámos há precisamente 3 anos: The Marvelous Miss Take. O mesmo ponto de vista isométrico, a mesma construção de cenários e a mesma direcção artística e a mesma aura britânica dos 1970s, mas com uma diferença: onde um era um stealth/puzzle game, o outro é um divertido e frenético brawler.

Deadbeat Heroes é um brawler perfeitamente arcade, onde temos de encadear combos e derrotar uma séries de bandidos para salvar os incautos cidadãos da nossa cidade. Enquanto super-heróis temos de conhecer que género de inimigo estamos a defrontar, se um simples “soldado” ou um vilão super-poderoso, e fazer uso do conhecimento do seu arsenal e habilidades para conseguir resolver qualquer nível.

Deadbeat Heroes é tão descontraído quanto divertido, e a sua aura arcadey ajusta-se perfeitamente ao visual cel-shaded que o transforma num simpático e colorido cartoon. O combate e os combos são ligeiramente mais complexos do que poderíamos esperar de um jogo destes, mas isso não significa que o jogo seja mecanicamente encriptado, muito pelo contrário. Mas consegue elevar-nos a curiosidade e o desafio para uma onda diferente de apenas estar a carregar sem sentido num botão, e isso já é um tremendo contributo para o género.