Caçada semanal #121

Parece-me que esta vai ser a lógica a partir de agora. Bastaram 8 meses para que de repente a torrente de jogos indies visse uma luz ao fundo do túnel do mercado ainda não-saturado da Switch.

Ainda há poucos meses avaliava a Switch como uma espécie de tábua de salvação indie, onde as vendas ainda se justificavam versus a que muitos estúdios têm tido noutras plataformas, mas alertava, como uma profecia auto-concretizada, para o eventual risco de uma súbita viragem de atenções do mercado indie. E onde ainda existem algumas venda, cedo podemos deixar de ter.

Esta é a primeira parte de uma caçada de jogos indie na Switch que serve já de prenuncio: a chegada exponencial de novos jogos ameaça secar as vendas para todos. E o shovelware está ao virar da esquina.

League of Evil

O exemplo prático deste desembestado interesse na nova consola da Nintendo é a existência deste League of Evil do estúdio Woblyware. Inicialmente lançado em 2011 para iOS, League of Evil tem aqui um second wind nas suas vendas ao tentar chegar ao público sedento de jogos que é uma fatia dos possuidores de uma Switch.

Este platformer que pertence à “primeira vaga” de redescoberta do género por uma “primeira geração” de indie devs, e que contou com outros jogos de maior sucesso como Super Meat Boy e Cave Story é muito difícil, como parece ser apanágio dessa “reinvenção” das plataformas no início desta década.

São 140 os níveis que temos para explorar e muitos mais os perigos que temos de evitar com o nosso agente secreto biónico com a possibilidade de saltar de forma a que meteria inveja ao próprio Mario.

Uma oportunidade única para quem não o jogou há 6 anos quando foi lançado, com uma jogabilidade que se ajusta na perfeição à consola.

NeuroVoider

À semelhança de League of Evil, também NeuroVoider tem aqui uma espécie de segundo fôlego, apenas um ano depois do seu lançamento. Este, aliás, parece ser o fado da consola, para o bem e para o mal, que é o relançamento de muitos indies mascarados de lançamentos, e que começam a povoar a plataforma com títulos que não são propriamente novos.

NeuroVoider é um twin stick shooter com elemento de RPG, e que, como 63% dos jogos indies, tem elementos roguelite. Apesar do número não ser preciso, a realidade é que são cada vez mais os jogos que decidem incorporar características de geração procedimental e permadeath, esticando a sua duração virtualmente para o infinito.

Este jogo do estúdio francês Flying Oaks consegue misturar com algum interesse géneros e elementos distintos em si, resultando numa interessante mistura que funciona na prática, ainda que na teoria a desconfiança pairasse no ar. Parece-me um óptimo primeiro passo para aquilo que meses mais tarde aconteceria com o estúdio Alkemi no excelente Drifting Lands.

Earth Atlantis

Dos três jogos apresentados nesta caçada, é o único que não foi recondicionado de outra plataforma prévia para a Switch. Earth Atlantis, do estúdio Pixel Perfex vai também mergulhar num género em voga na NES e que tem ganho um novo alento nos últimos anos, os schmups.

É claro que no caso de Earth Atlantis, dizer “mergulhou” é levado de forma literal, ou litoral, se quiserem, visto que o jogo se passa num ambiente submarino, e que temos de sobreviver a todos os perigos com o nosso submarino/batiscafo, disparando projécteis e mísseis.

Sem fazer grande diferença mecânica, e sem inovar grandemente em comparação com tantos outros shoot’em ups que nos ocuparam nos últimos 30 anos, nem sequer com grande inventividade nas boss fights, é a direcção artística em tons sépia e com todos os elementos desenhados como se fizessem parte da cartografia do séc. XIX que o tornam uma verdadeira delícia, especialmente se pudermos olhar no ecrã da nossa TV aos muitos pormenores que o compõem.