Já sei, já sei… Clickbait! Nintendo Hater! Etc. Etc. Etc.

Podemos falar como deve ser antes de acusações sem lerem o artigo? Obrigado.

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Primeiro, tenho que dizer que a frase não é minha, foi dita mais que uma vez numa conversa durante o Lisboa Games Week, por alguém que tem essa opinião que eu respeito apesar de achar que se pode dizer o mesmo de fãs de qualquer coisa. Também quero já dizer que neste momento eu adoro a minha Switch, é a minha consola perfeita mesmo com as suas falhas e defeitos. Como adulto que trabalha, é marido, pai, filho, irmão, amigo e fã de videojogos entre outras coisas, a portabilidade da consola da Nintendo (maioritariamente em casa no meu caso) é um trunfo gigantesco. E também afirmo já que não discordo com o enorme catálogo de indies que a consola tem tido pois são uma prova que as chamadas third parties têm investido na plataforma, mas e os grandes estúdios, esses têm mesmo investido na Switch? É assim tão boa esta migração massiva para a nova consola? Os jogadores compram mesmo assim tantos ports que nos compense a longo prazo?

Por um lado sim é positivo, todos nós sabemos que não é só de exclusivos que uma consola vive, apesar de ser o habitual ponto chave quando queremos escolher uma nova, o facto de ter este ou aquele exclusivo. Mas isso acaba por ser secundário a longo prazo porque há poucos exclusivos, ninguém joga só esses, o apoio de outras companhias é crucial para a subsistência de uma consola. A Nintendo WiiU é prova morta-viva disso. Por mais inovador que seja o conceito, sem enchimento de grandes títulos acabou por ser deixada de parte apesar de alguns grandes jogos que lá apareceram não teve apoio suficiente. Na Switch, ao fim de 9 meses temos jogos como Skyrim, Rocket League, L.A. Noire e até DOOM sobre o qual o Ricardo falou aqui, que são jogadas fáceis e acima de tudo cobardes da parte dos publishers e developers porque é relativamente fácil, mesmo com os custos de reprogramação, pegar num jogo como estes e colocá-los numa plataforma com umas capacidades minimamente decentes. Se formos ver bem, acho que o Skyrim só não está disponível para o Nokia 3310. E porque é que estas remasterizações são lançadas ao preço que original de há uns anos, mesmo quando para PC ou outras plataformas estão a menos de metade desse valor? É porque podemos jogar “on the go”? Em qualquer sítio, a qualquer hora? Eu quero mesmo jogar qualquer jogo, a qualquer hora?

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Qualquer um destes, são jogos que não se prestam à Switch e às suas potencialidades, eu não quero jogar DOOM sem ser com rato e teclado, sou um puritano em algumas coisas, FPS são para teclado e rato. Manias minhas, mas é assim que sou. O mesmo passa-se com Skyrim ou L.A. Noire, são jogos que requerem imersão, concentração, quase um ambiente de sala cinema em que somos absorvidos pelo ecrã durante horas, não foram feitos para parar de jogar na sala e levar para o W.C. ou para a rua. E Rocket League então? Um jogo que vive online, porque é que alguém quer jogar Rocket League na Switch? Se vários amigos tiverem a consola, tudo bem, mas não acredito nisso. Não vamos levar um hub portátil para todo o lado para jogar Rocket League no autocarro ou no comboio, pois não? Porque com Wi-Fi público esqueçam… Já vi argumentos que algumas pessoas podem só ter a Switch em casa e assim podem jogar DOOM ou Skyrim. A sério? Em pleno 2017 pessoas sem um PC? Ou sem um portátil? Sem acesso ao Steam? Ou no caso de terem um PC, ou um Laptop usam o argumento da portabilidade. Mais uma vez, a Switch não é assim tão portátil, não cabe num bolso como um Game Boy ou até a 3DS original, é preciso no mínimo uma mochila para a carregar, e para isso, se for para jogar um FPS, “on the go” prefiro um laptop. São argumentos que apenas justificam o facilitismo de alguns estúdios a testar as águas desta nova praia.

Não sou totalmente contra ports, há alguns que eu acredito que podem funcionar bem, Rayman Legends é um platformer que se pode pegar e largar a qualquer momento sem problemas, indies novos como Steam World Dig 2 ou até o port de Stick it to the Man e outros que têm vindo a ser colocados semanalmente na eShop, funcionam muito bem na consola. Até ia tão longe como aceitar o port de Resident Evil Revelations já que tinha sido feito originalmente para a Nintendo 3DS e deve funcionar muito bem com a consola em modo portátil nas noites frias e chuvosas de Inverno que se aproximam, mesmo com problema de espaço que estes ports trazem nas memórias internas e cartões da consola.

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Mesmo a Nintendo não está isenta de culpa no que diz respeito a ports e remakes como Mario Kart 8 que é um caso ligeiramente diferente, porque a única plataforma em que estava disponível não vendeu minimamente como a Switch. Mesmo assim achei que foi uma má jogada da Nintendo, e preferia ter esperado uns dois a três anos por um Mario Kart 9, exclusivo.

O estúdios indie, especialmente se começarem a criar jogos de raiz como a Ubisoft (não sendo indie) fez com Mario+Rabbids: Battle Kingdom pode aproveitar a não saturação de mercado na consola da Nintendo ao invés de propagar mais jogos a serem perdidos no marasmo do Steam. As grandes casas deviam pensar no mesmo e fazer jogos novos que aproveitem as possibilidades que a consola dá. Infelizmente usar jogos já feitos e simplesmente aproveitar-se de um mercado novo para encher os bolsos sem grande custo é mais fácil. Se me disserem que fazem isso porque é um teste de engenharia, das capacidades da plataforma, até podia tentar engolir, apesar de não acreditar porque estúdios têm devkits que lhes mostram isso, não precisam de lançar um port para o mercado para testar isso, é puramente aproveitar-se da situação. A Bethesda não precisa lançar DOOM e Skyrim na Switch para “provar” que os jogos correm na consola, a Bethesda precisava era de criar um First Person de raiz ou outra coisa qualquer para a consola.

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Mas pouco falei de Skyrim porque não há muito a dizer sobre ele.

Skyrim fez este mês de Novembro 6 anos, que se fizermos as contas em idade de videojogos dá tipo, 57 anos (é como anos de cão mas a escala é 9.5 por cada humano) o que quer dizer que é um jogo já em crise de meia idade. O facto de agora estar numa consola caseira/portátil com motion-control em combate é contra-intuitivo e um pouco ridículo na minha opinião. Não é o pintar o cabelo e comprar um carro desportivo que o vai fazer mais novo, não é o estar numa plataforma nova que o vai fazer também. O jogo corre lá, não corre como num PC, isso seria um milagre e não uma proeza das capacidades da Switch, mas não é ideal. Traz as expansões Dragonborn, Hearthfire e Dawnguard incluídas e continua a ser dos jogos mais imersivos e expansivos alguma vez feitos. Não é por ser um port em que os gráficos e outros aspectos são adaptados para um rendimento ligeiramente inferior que teria uma nota igualmente inferior. Mas para tirar o máximo proveito do que foi feito nele para correr na Switch deve ser jogado em modo TV com comandos motion-control o que imediatamente destrói o argumento de “play on the go”. No final de contas, quem quer jogar Skyrim, já o fez, ou ainda está a fazer onde deve ser feito, no PC. Na Switch, é capaz de ser a proverbial flecha no joelho.

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Neste momento, com a cegueira da paixão, os fãs da Nintendo estão a comprar quase tudo para a Switch, ou pelo menos parece que sim, mas porque a Nintendo não divulga valores de vendas das suas não-propriedades nas suas consolas é impossível afirmar o quanto estão a vender. Eu quero acreditar que esta experiência dos estúdios lhes está a correr bem para já e estão a vender o suficiente para começarem a investir na consola a sério.

Mas não acredito que esteja.

E de certa maneira preferia que não estivessem a vender assim tanto porque se estiverem, o mais provável é continuar a encher a eShop de ports de jogos antigos e nunca mais vamos ver nada novo nestas paragens, porque é mais rentável para eles. Acredito piamente que não há mesmo muita gente a comprar estes ports, acho que não compensa quando os podemos jogar noutro lado, eu não comprei nenhum e até recusei alguns que nos apareceram na redacção como o DOOM, não acho que sejam benéficos para a consola ou para nós, o público alvo. Já vi alguns media enaltecerem e louvarem DOOM e Skyrim na híbrida, mas tirando esses que tal como nós receberam cópias grátis não vejo os meus amigos portugueses e/ou estrangeiros na consola a jogar nenhum port. Exclusivos e indies? É aos magotes, mas DOOM, Skyrim, L.A. Noire

Eu não estou a dizer isto como se fosse verdade, é mesmo porque me dei ao trabalho de ir ver. Não foi muito trabalho, porque só tenho 21 contactos na minha Switch, mas desses 21, 4 têm o Doom na sua lista de jogos (2 são media portugueses e um trabalha para a Nintendo), 3 têm o Skyrim (mais uma vez 1 faz parte de media e o outro trabalha para a Nintendo não sendo o mesmo que tem o Doom), 1 tem o Rocket League e 0 têm L.A. Noir. Por outro lado, 18 dos 21 têm Super Mario Odyssey, 20 têm Legend of Zelda Breath of the Wild, 10 têm Steam World Dig 2 e 13 compraram Mario+Rabbids. Eu sei que 21 não é uma amostra digna de reconhecimento cientifico tendo em conta as vendas da Nintendo Switch, mas é a que tenho acesso, quem tem dúvidas e se quiser dar ao trabalho, pesquise um pouco a vossa lista de amigos. Vejam quantos ports de AAA lá estão e se estas migrações são mesmo o que se pensa.

A consola da Nintendo é uma lufada de ar fresco na indústria, merece mais do que levar com roupa velha a cheirar a naftalina. Precisa de peças novas, feitas à medida, seja pelas grandes marcas ou pequenos developers, mas precisa de apoio novo. Senão daqui a uns dois anos quando passar a novidade teremos uma outra Wii na prateleira a ganhar pó.