À caça com a Switch – parte III

Caçada Semanal #124

A paranóia não me permite trazer as minhas consolas portáteis para um raio de mais de 500 metros em torno da minha casa, o que significa que em caso de necessidade seria muito pouco provável a hipótese de ir caçar com a minha Switch. Mas agora pensando bem, a possibilidade de eu ter habilidade para caçar o que quer que seja é muito reduzido. Culpemos as muitas gerações da minha família originárias da capital, e eu sinto-me menos mal com a minha inoperância ao ar livre.

A última (pelo menos para já) caçada de uma sequência que quis acima de tudo mostrar que a saturação de jogos digitais na nova consola da Nintendo pode até ter-se instalado mais cedo do que se imagina, sendo que muitos deles já pisam a linha da mediania ou pior. E que deixa uma pergunta: podemos usar uma Switch como um bumerangue? Se a atirarmos ela regressa?

Squareboy vs Bullies: Arena Edition

Se o Steam sente as dores de ter muitos jogos transportados do mercado mobile (muitas vezes maus ports), e se a Switch já começa a sentir os sintomas de jogos medianos transportados para si, porque não fundir ambos e começar a ter jogos assim-assim de iOS a chegar à eShop?

Squareboy vs Bullies: Arena Edition quer cumprir esse espaço, por um lado de relembrar os tempos dos side scrolling beat’em ups de 8 bits, por outro o de fazer pouco para os tornar sequer distinguíveis ou memoráveis. Tão esquecível como usualmente acusamos os jogos de mobile de serem.

Aparentemente existe um conceito e uma mensagem por trás deste jogo e que é óbvia no título. O pensamento pode ser bom, mas o resultado é apenas medianamente divertido. O que até encaixa bem para um jogo medianamente desenvolvido.

Super Ping Pong Trick Shot

Antes de falar deste jogo propriamente dito, tenho que lembrar algo que é defeito de formação e profissional. A imagem de thumbnail de um jogo, especialmente um mais pequeno, indie e exclusivamente digital, tem um grande peso na sua compra. O que significa que se um determinado jogo, seja no Steam, em qualquer loja digital de qualquer consola, ou em mobile, tiver uma imagem foleira com um lettering a lembrar os WordArts dos 1990s, isso é meio caminho para cheirar a amador e apetecer-nos pôr a coisa de parte.

Super Ping Pong Trick Shot quis publicitar-se da forma mais azeiteira possível, e tivesse banda-sonora da Ana Malhoa e este jogo de arcade simples que nos pede para fazermos truques com uma bola, e utilizar a física e a geometria para chegar a sítios específicos seria o equivalente pimba de um videojogo.

A cultura pop norte-americana (especialmente American Pie e afins) implantaram-nos a imagem dos beer pongs e afins, e parece-me que este Super Ping Pong Trick Shot quer apelar a essa memória e a esse público, mas sem metade da piada e zero por cento de cerveja.

Picross S

É impossível escrever eShop sem Picross. A famosa série de puzzles que tem acompanhado as consolas da Nintendo desde o Game Boy e que tinha, sem qualquer surpresa, de chegar à Switch.

Os famosos nanogramas voltam a marcar presença, e também sem surpresa, percebemos que a dificuldade em inovar é óbvia, mas Picross, e neste caso esta edição S têm um público muito específico.

Um público fiel que segue o desafio da série e que está habituado a estes puzzles numéricos e que tudo o que quer são mais e novas grelhas para pôr o raciocínio em actividade. E Picross S responde com mais de 300 novos puzzles para nos desafiar a todos.