Pela luz do amanhecer! Assim que o loading acabar…

Eis que chega o muito aguardado multiplayer da última entrada do franchise com o nome mais paradoxal da história dos videojogos, Final Fantasy XV: Comrades. Embora à primeira vista o nome pareça algo saído de uma propaganda comunista, não se assustem. O nome apenas sugere o tema de companheirismo, auto-sacrifício e comunidade à semelhança do original FFXV.

A tua personagem é um membro amnésico da Kingsglaive, a guarda de elite da família real do príncipe Noctis, protagonista de FFXV. O príncipe desapareceu e com ele a luz do dia. Fruto disso, encontras-te num mundo pós-apocalíptico repleto de criaturas demoníacas onde as noites são quase infindáveis. A tua missão: calcorrear meio mundo à procura de fontes de energia, iluminar o mundo e, pelo caminho, comer uns bons acepipes e defrontar hordas de monstruosidades em busca do príncipe encantado e da tua memória perdida. O enredo é escasso, mas funciona e há uns detalhes que serão de certo relevantes e apetitosos para os seguidores da saga, principalmente quem viu o filme que precedeu o lançamento do jogo original, titulado Kingsglaive.

A expansão conta com um criador de personagem bastante completo e extenso, onde podemos criar até oito personagens diferentes. Podemos costumizar as dimensões de todas as partes do corpo, assim como vozes e cores de tudo e mais alguma coisa. Fica bem patente a qualidade gráfica do jogo nos primeiros instantes, especialmente nas texturas da roupa e cabelo. À primeira análise o jogador pode ser tentado a pensar que a quantidade de opções de vestuário e cabelo é limitada,mas, á medida que o jogo progride, o número de opções aumenta drasticamente. Podemos também escolher a terra natal da personagem, algo que afecta os seus base stats.

Observai Yolanda, guerreira amazona de Lucis!

A jogabilidade é extremamente parecida à do jogo original: um botão destinado ao ataque com as várias armas equipadas, seleccionadas com o d-pad, outro ao uso de warp para movimentação ou ataque, outro para defesa e outro para saltar. A combinação do trigger com os botões de warp e ataque permite-te utilizar, respectivamente, magia defensiva e ofensiva. Existe um botão de Lock-on para companheiros e outro para inimigos, o que simplifica a acção quando queres curar um companheiro no meio de uma batalha acesa. A combinação é simples, mas a fluidez e o maior leque de opções face ao jogo original, assim como maior dificuldade e a presença de três companheiros não controlados por AIs acéfalas torna o sistema muito mais divertido e sedutor do que o do jogo original.

Quem diz que não podemos salvar o mundo e ter estilo ao mesmo tempo?

Passarás a maior parte do tempo num hub world onde podes aceitar missões a missões ao estilo Monster Hunter, que vão desde escort missions e defesa de pontos específicos a boss fights . Podes também comprar e fazer upgrades às tuas armas com os recursos que ganhas nas missões, comprar opções de costumização e encontrar várias personagens do jogo original que te oferecem missões alternativas e alguns dos maiores desafios do jogo. A banda sonora não desilude, como é costume na série, com temas de batalha triunfantes e soundscapes de cutscenes emocionais e nostálgicos com o cunho do epónimo Nobuo Uematsu.

Nada como uma boa refeição de confraternização após uma sessão de carnificina!

Quando aceitas uma missão, tens a hipótese de fazer match-up automático com jogadores  do teu nível, podes criar uma sessão privada para jogares com os teus amigos ou podes jogar offline com três AIs. És depois encaminhado para um acampamento onde podes recolher mantimentos, que servem para te reviveres, e onde podes conversar e relaxar um bocado antes da missão.

No fim de cada missão obtens experiência, gil (vulgo dinheiro) e energia que podes alocar a uma rede eléctrica (muito ao estilo Sphere Grid de FFX ou Crystarium de FFXIII). Esta rede eléctrica permite-te aceder a novas missões e adquirir os sigils dos reis de Lucis, dos quais podes equipar um que te confere stat boosts e habilidades especiais num género de class system . Permite também desbloquear novas armas ou opções de costumização e progredir na história, através do desbloqueio de hub worlds mais pequenos. O sistema de upgrade de armas é particularmente estimulante, sendo possível costumizar todos os stats, mas sendo também imperioso o uso cuidado dos recursos certos para desbloquear versões mais poderosas da arma ou para lhe conferir habilidades específicas.

Aquele momento em que te tiram o chão de debaixo dos pés!

Comrades está longe de ser perfeito. A jogabilidade é cortada por demasiados loading screens entre missões, o que afeta o pacing do jogo. A ocorrência de glitches é frequente, com inimigos a demorar 2-3 minutos a fazer spawn e texturas que não fazem load. O lip syncing de alguns NPCs também é horrível ou não existente. Os hub worlds ainda estão muito vazios e por vezes a rotina de aceitar missões, fazer missões, voltar ao hub world e progredir na rede energética também tornam a experiência entediante. Felizmente, a Square Enix prometeu updates frequentes e generosos, a começar pelo do dia 12 de Dezembro, onde os loading screens serão reduzidos e as glitches removidas, assim como serão incluídas novas timed quests e lojas, com a possibilidade de jogar com personagens principais do jogo original.

A batalha final é de acelerar o pulso e há uma versão post-game mais difícil

Em suma, FFXV:Comrades é uma boa adição a FFXV, com uma apresentação audiovisual estonteante e com bastante conteúdo para explorar. A jogabilidade é viciante e divertida, mas acessível sem ser demasiado fácil. Recomenda-se a qualquer jogador que tenha sido atraído pela jogabilidade ou história do original. No entanto, se não ficaste convencido com o jogo original, recomendo esperar pelos updates  pois as glitches e loading screens demasiado frequentes azedam o que poderia ser uma experiência muito boa.