Caçada Semanal #126

Já não é a primeira vez que o dizemos, mas se há coisa que chateia (para além de entalar o prepúcio no fecho-éclair e loot boxes) são jogos que incumprem o seu próprio potencial. E quem diz jogos diz tudo o resto, coisas ou pessoas que tinham tudo para serem boas e destacarem-se e acabaram por ser medianas. Sim, estou a olhar para ti Fábio Paím.

São jogos em que se percebe que estão tão perto de atingir aquele ponto de qualidade reconhecível, mas que de repente desiludem, perdem o entusiasmo e deitam tudo a perder.

Nos jogos indie isso é por demais frequente. Ideias excelentes com execuções desequilibradas, que demonstram que alguns destes estúdios e projectos podiam ter outro sucesso tivessem equipas de QA a assegurar o seu lançamento.

Nightmare Boy

Lançado ali por volta do Halloween, Nightmare Boy é um jogo perfeito para esse período, e que celebra de forma única o massificado Dia das Bruxas. Ao invés de jogos de terror mastigados a puxar pela atenção de youtubers e streamers, Nightmare Boy aposta numa “doce” lenda com monstros, nos quais o protagonista foi atacado por um feiticeiro-almofada maligno que o transformou num monstro, o qual persegue para o mundo dos sonhos (e dos pesadelos) na tentativa de regressar ao normal.

É este o mote para um dos mais divertidos e distintos metroidvanias que o mercado indie nos trouxe, longe das abordagens sci-fi a puxar a mão por Samus Aran. A construção deste mundo onírico e sobretudo os concepts dos monstros que o povoam tornam-no um jogo único, colorido e vibrante, com uma história bem mais interessante do que aparenta à primeira vista.

Infelizmente, o desequilíbrio de desafio com a frustração das mecânicas de combate acabam inicialmente por torná-lo agradavelmente difícil antes de cair na zona franca da frustração. O que acaba por manchar aquilo que é um indie verdadeiramente distinguível neste mercado tão concorrido.

Smash Up: Conquer the bases with your factions

Com um nome mais comprido do que a real vontade de o jogar, Smash Up: Conquer the bases with your factions, é a adaptação digital do excelente jogo de tabuleiro Smash Up, um dos mais interessantes card games a surgir recentemente neste mercado.

Mas, como é que um excelente card game físico pode ser transformado numa adaptação digital medíocre, e ter pior jogabilidade? Simples: ao fazer um jogo apressado, apenas a tentar fazer cash in do sucesso do jogo original.

Para um jogo como estes em que existem acções e efeitos entre cartas, é inadmissível que o número de bugs e de poderes que não funcionam (por erros de programação) seja tão elevado. Já tivemos tantas adaptações digitais de jogos semelhantes, oficiais e oficiosas, como o Dominion que tantas noites nos roubou de tempo, e que conseguia ser mais afinado e fidedigno em versões gratuitas e fanmade do que este Smash Up: Conquer the bases with your factions é para o jogo físico.

Com erros de programação e tradução mecânica que facilmente afastarão novos jogadores, para além de pouquíssimos jogadores humanos disponíveis, o melhor conselho que podemos dar é comprarem o jogo físico e adoptarem-no nas vossas noites de jogos de tabuleiro. E caso não tenham noites destas, o melhor conselho que podemos dar é que comecem a tê-las.