Caçada Semanal #127

Dois marcos da TV trazidos para Portugal seguindo um sucesso global foram as séries Dinastia (Dynasty, que teve este ano um remake na TV norte-americana) e Bonanza, que fizeram milhares (milhões?) de portugueses ficarem colados à televisão a preto-e-branco (ou a cores, para quem tinha poder de compra para isso).

Esta caçada (uma das várias desta semana) vai-se debruçar sobre algum jogo relacionado com essas famosas séries? Não. Mas ninguém estava verdadeiramente à espera disso.

Dynasty Feud

Vindo aqui do vizinho ao lado, em Bilbao, como quem vai bater à porta para pedir um raminho de salsa, Dynasty Feud vem apaziguar a nossa fome dinástica por um platformer brawler competitivo local, daqueles que trazem cotoveleiras de bónus para não nos magoarmos quando agredimos fisicamente o amigo que está sentado ao nosso lado.

Com quarenta personagens disponíveis e com ligeiras alterações à fórmula usual destes brawlers, Dynasty Feud permite-nos seleccionar uma equipa inteira (ou dinastia) para entrar na refrega, e testarmos a força das nossas amizades com uns valentes golpes cartoonizados virtualmente desferidos, ou entrar no modo All-Stars em que podemos seleccionar para a nossa equipa personagens independentemente da sua dinastia.

Com um sistema one-hit-kill, Dynasty Feud obriga-nos a todos a ser mais tácticos e menos button mashers, elevando a tensão divertida de Super Smash Brawl para níveis ainda mais de “cortar à faca” à espera de erros. E claro, tudo isto abrilhantado com uma direcção artística que decerto transformará este longo elenco em algo verdadeiramente memorável.

Numantia

Continuando a falar de Espanha, chega-nos um jogo de estratégia histórico, por turnos, que relata os períodos das invasões romanas às tribos e aos territórios celtiberos. O problema é que Numantia, dentro das suas limitações de pequena equipa indie, quis ao mesmo tempo encostar-se a Banner Saga e dar um encontrão em Total War. E ainda que tente fazer as duas coisas, o resultado seja aceitável, está longe de cumprir com as suas próprias expectativas.

A forma como tenta mimetizar a imersão narrativa de Banner Saga acaba por ficar curta nas intenções pela diferença de qualidade entre essa referência e este Numantia. Por muito que estejamos a representar a história de uma guerra real que aconteceu há séculos aqui bem perto, a realidade é que a forma como as nossas decisões têm impacto no decorrer do jogo. Este impacto é mais imediato e menos integrado de forma subtil, culpa da diferença de qualidade de escrita.

No resto Numantia é um jogo competente mas que talvez tenha querido ser mais do que conseguiria ser. Um Total War leve, centrado na História, num momento da Humanidade que nos diz tanto.

Riskers

O facto de existirem tantos Grand Theft Auto wannabes nos dias de hoje deve-se somente ao sucesso astronómico de Hotline Miami. A forma criativa como este jogo catapultou a imagética do clássico da década de 1990 com uma linguagem própria, neo-revivalista dos 1980s, abriu caminho para tantos outros sucedâneos que é difícil começar a separar o trigo, do joio.

Geneshift foi um deles, e ainda recentemente estivemos a jogá-lo ao vivo inserido na celebração dos 24 seleccionados dos Poulet D’Or Awards 2017, do Indie Dome, e chega-nos então este Riskers.

À semelhança com Geneshift, Riskers é muito orientado para missões, com um conteúdo relativamente curto que se assemelha mais a Hotline Miami pobrezinho (em termos de substância) do que um jogo com identidade suficiente para se distinguir por si só. Dos 3 indies apresentados nesta caçada é possível que seja o menos memorável, o que não faz dele mau, apenas desinspirado. O que no mercado actual já é o prato do dia.