Num dos meus últimos artigos, escrevi sobre o facto de em Hollywood de vez quando acharem boa ideia fazer filmes usando a propriedade intelectual de alguns jogos de um modo habitualmente pior que melhor. Portanto antes do meu artigo sequela “Jogos que não deviam ser filmes parte II – O Regresso do cocó” vou fazer um spinoff, uma espécie de efeito Twilight Zone em que vou virar o mundo ao contrário, vamos virar tudo do avesso e falar de filmes dos quais nunca deviam ter feito jogos.

A lista é longa e ilustre. Podia simplesmente enumerar mais de 50 jogos que foram feitos usando propriedades de Hollywood com o mesmo respeito que a indústria cinematográfica americana tem pelos videojogos, como por exemplo Friday the 13th para NES onde controlamos um dos conselheiros do campo de férias Crystal Lake em busca de Jason, o nemesis final. Problema? Quem viu o filme sabe qual é, quem não viu… Qual é o vosso problema? Vão ver! Até o fazerem vamos falar de filmes:

Blues Brothers 2000

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Blues Brothers é, quase indiscutivelmente, dos filmes mais icónicos dos anos 80. A sua sequela de 1998 deixa bastante a desejar, apesar de ter a banda sonora, os actores e personagens, faltou-lhe algo, talvez porque o primeiro como tantos outros foi um fruto da sua época que não sabe ao mesmo quase 20 anos mais tarde, sabia a azedo.

O jogo Blues Brother 2000 para a N64 segue o enredo do filme, parcialmente num platformer/aventura 3D que toda a gente achava que conseguia fazer pós Super Mario 64. Errado, não conseguiram. Este jogo nem em 1980 era aceitável. Era estranho e futurista para os anos 80 e totalmente inaceitável.

Enter The Matrix

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Sou um puritano do The Matrix, não tento ver nele mensagens de conspiração, nem nada de filosófico, é simplesmente dos melhores filmes de acção feitos na sua época e marcante em termos de estilo e visual.

Acima de tudo The Matrix para mim, é apenas isso: The Matrix! Sem curtas de animação, sem sequela ou trilogia e principalmente sem Enter The Matrix. O jogo era mau, a tentativa de o meter como parte do universo em que aprendemos secções paralelas da história principal é parva porque nem toda a gente ia jogar. Além disso era mau fosse em que plataforma tivesse saído, do PC à Gamecube passando pela PS, foi uma má cópia de um Max Payne.

Um jogo que não devia existir, ligado a uma série de filmes que também não devia para lá do primeiro e original.

Mas já que estamos no assunto de filmes que não deviam existir:

Space Jam

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De quem foi a brilhante ideia de tentar replicar o grande Who Framed Roger Rabbit, mas com os Looney Toons e Michael Jordan? A sério, de quem foi a ideia genial de fazer isso?

Space Jam não devia existir em nenhuma terra do multiverso, muito menos na Terra-37 (a nossa). Space Jam até podia ser um jogo divertido não fosse ser limitado. Os Looney Toons tem um plantel gigantesco que podia ter sido utilizado nesta pseudocópia de NBA JAM, que em vez de 2 vs 2 era 3 vs 3. Mas como mantiveram apenas os jogadores do filme e os aliens, ficou muito aquém do que podia ser, mesmo de quem não esperava muito dele logo de início. Não custava nada tirar a “inspiração” do jogo do grande JAM, e fazer o mesmo com os Looney Toons , todos, já que usaram sprites rafeiros, mas não. Preferiram optar pela opção de desconto. Calhou cocó!

Hudson Hawk

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Após Moonlighting, os dois Die Hard e Look Who’s Talking, Bruce Willis fez um dos melhores e mais divertidos filmes de roubo de sempre (mesmo tendo sido um fracasso de bilheteria e crítica que eu ignoro porque adoro o filme em todo o seu ridículo), no qual ele interpreta o titular Hudson Hawk, um ladrão que é envolvido numa gigantesca intriga para recriar uma mítica máquina de Leonardo Da Vinci capaz de transformar chumbo em ouro, assim que é liberto de anos de prisão. A sua aventura leva-o a Roma e ao Vaticano entre outros enquanto ele infrutiferamente apenas passa todo o filme a tentar beber um capuccino.

Hudson Hawk para a NES (e outras plataformas) era uma versão travestida deste filme, num platformer onde temos que fazer os mesmos roubos, mas basicamente só temos que ir do ponto A a B sem tocar alarmes. Um bom exemplo de “roubo de propriedade intelectual” tal como Hollywood faz. Pegaram em algumas ideias e palavras chave e disseram, está aqui o jogo do filme.

Estupidamente nem sequer tem o Swinging on a Star.

Depois de um momento musical para lembrar os dotes de cantor de Bruce Willis, continuamos com:

Transformers the Game

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Portanto voltamos a coisas que não deviam existir em lado nenhum. Já não chegava o facto de terem criado a Bayminação que são os filmes de uma das minhas franquias mais adoradas, fizeram um jogo a partir dele.

Vou já esclarecer um ponto muito importante, não me importa quem comprou o quê. Não me importa se a Hasbro deu os direitos pela alma de alguém, aquilo não são Transformers, são amálgamas de metal, e o único jogo que existe na franquia toda é o Devastation.

Estes péssimos third-person shooters com robots de nome familiar são dos piores jogos alguma vez feitos, independente do nome, são jogos que outros maus jogos inclusive alguma shovelware no Steam, viram a cara em vergonha alheia quando eles passam. Recuso-me a falar mais sobre isto.

Star Wars: Masters of Teräs Käsi

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Como é que se consegue estragar Star Wars? Como? Expliquem-me como é possível, por favor!

Quando foi anunciado em 1996 todos os fãs de Star Wars estavam na ponta da cadeira à espera dele. Jogo de lutas? 3D? De Star Wars? Animação feita com motion-capture pela Industrial Light and Magic? Parecia bom demais para ser verdade.

Resultado final, era mesmo. O jogo era uma bosta. Sem o nome de Star Wars possivelmente não tinha vendido metade do que vendeu ou levado as críticas de “razoável” que levou. Provavelmente nem sequer tinha chegado à fase final de produção. Jogabilidade atroz em gráficos piores. Tudo o que podia correr mal, correu. Felizmente é apenas uma pequena mancha que caiu no melhor pano, mas mesmo assim é uma mancha num nome nobre que merecia mais que isto.

Street Figther : The Movie

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Um jogo de luta, baseado num filme baseado num jogo de luta? Holy Inception Batman!

Seja em arcadas ou nas consolas para que foi portado posteriormente Street Fighter The Movie não devia ser um mau jogo porque a sua base é o Street Fighter II, só levou uma capa digital em que os cenários são os do filme e os personagens também. E isto tornou-o um dos piores jogos que já joguei, não só porque é burro, mas porque ficou mau, por alguma razão que não consigo perceber. Simplesmente horrível. Era o pior de Mortal Kombat e o pior de Street Figher juntos, em pior.

Podia continuar, há mais, tantos tantos mais, aceitam-se sugestões para uma sequela se quiserem. Estou em modo Hollywood pós-2010 “Tem que ser feito tudo no mínimo em trilogia no máximo em expanded universe”.

Felizmente essa mania não chegou aos jogos ainda… ou chegou?