Caçada Semanal #131

Trocadilhos idiotas, como diria o outro, não podemos viver com eles, nem podemos viver sem eles. Portanto aproveito para deixar o repto à primeira pessoa que comentar este artigo identificando correctamente o trocadilho, e que receberá de imediato um jogo para Steam, oferecido por mim, como forma de reconhecer uma mente retorcida que percebeu a referência ali no título.

Se há por aqui outra coisa com o qual não podemos viver sem nem com, são mesmo os Early Access. Muitos deles acabam por embrutecer as fileiras de shovelware do Steam vítimas destes mesmos lançamentos antecipados, mas felizmente que os 3 indies dos quais falamos hoje utilizam este modelo de publicação da forma correcta: com o objectivo de ir recolhendo feedback dos jogadores, envolvendo a comunidade e limando as arestas devidas.

The Horus Heresy: Betrayal At Calth

Se há universo profícuo em adaptações a videojogo é o de Warhammer. O ano passado perdemos a conta à quantidade de jogos criados sob a sua chancela, alguns deles até bastante interessantes. Apesar de The Horus Heresy: Betrayal at Calth ter sido lançado em Early Access ainda em 2017, só nos foi possível agora pegar nele, e perceber o que é que foi feito de diferente naquilo que algumas pessoas podem apelidar de “mais um jogo de estratégia de 40k”. Mas não é.

A começar pelo facto de que The Horus Heresy: Betrayal at Calth é baseado no jogo de tabuleiro com o mesmo nome e é curioso ver o quanto essa meta-visão de jogador de jogos de mesa influenciou a criação deste videojogo.

Neste jogo ainda em alpha desenvolvido pelos Steel Wool Studios – que demonstram serem uns tremendos fãs do universo na forma apaixonada e fidedigna com que abordam o jogo – colocamos as nossas peças no tabuleiro literal como se o observássemos presencialmente de forma invisível  aos olhos das unidades envolvidas, levando-nos na primeira pessoa para o tabuleiro de jogo. Há uma abordagem meta à forma como jogamos cada missão em que o eu-jogador se mistura com o eu-protagonista.

Mecanicamente interessante, o desafio que o pouco conteúdo disponível ao momento traz augura um bom jogo. Só sofre do problema da maioria dos jogos pequenos: um total deserto de jogadores para testarmos as componentes online.

Golem Gates

Misturar um RTS com um card game não é coisa inovadora. Mas a forma como Golem Gates apresenta esta possibilidade acaba por ser bastante refrescante, ainda que este Early Access deixe antever a necessidade de alterar em muito algumas filosofias de jogo.

Em Golem Gates (desenvolvido pelo estúdio Laser Guided Games) somos um Harbinger, um invocador de criaturas que utiliza glifos (na prática, cartas) para se defender e derrotar os exércitos inimigos.

A “moeda” de troca para cada uma destas invocações é uma barra de energia que vai sendo passivamente restabelecida e que nos permite “baixar” cartas que chegaram aleatoriamente à nossa mão. A forma como encaramos este RTS em que 2 criaturas quase divinas se defrontam no tabuleiro de jogo sem que tenham a possibilidade directa de atacar outra (ou de se defender) é um dos seus grandes pontos positivos. Podemos locomover-nos pelo terreno, e comandar isoladamente ou em grupo as nossas criaturas, mas temos de contar com elas para impedir que o nosso Harbinger seja derrotado, visto que este sem magias directas na mão não tem forma de causar qualquer dano por si só.

O único problema que existe (sem contar com o marasmo de jogadores online) é o caos visual que a escuridão dos níveis nos causa, e que em nada beneficia dos excelentes e detalhados modelos que constituem todas as criaturas e elementos deste jogo. Uma correcção deste contraste e o jogo ganhará muito em termos visuais, mas também em termos estratégicos.

MetaMorph: Dungeon Creatures

Dungeon crawlers são como as roupas tamanho XS numa loja de roupa depois do Natal: existem em pilhas. Dungeon crawlers que adicionem algo à fórmula tão saturada do género são como as boas roupas, precisamente do nosso tamanho, que conseguimos comprar nos saldos de antes do Ano Novo: em número muito reduzido.

MetaMorph: Dungeon Creatures quer fazer algo diferente que não apenas colocar-nos a clicar desalmadamente contra hordas de criaturas de forma desmiolada, impelindo a uma jogabilidade relaxada e de procura exclusiva de diversão.

Aliás, cumpre com esses pontos, mas com uma diferença: cada dungeon tem uma série de desafios que têm de ser masterizados, que vão desde a nossa eficácia em bater os tempos definidos pelos devs, como em objectivos extra como salvar reféns.

Mas para o fazermos temos de ir alternando entre os personagens que levamos para cada missão, com as customizações que lhes atribuímos, com uma aura de estratégia, destreza e táctica bastante diferentes do que os últimos jogos do género nos pediram.

MetaMorph: Dungeon Creatures é um jogo interessante e é curioso ver o pessoal dos FireFly Studios a viajarem para longe da série que os notabilizou e que ocupa quase toda a sua carreira: Stronghold.