Tudo é passageiro no mundo: algo que é tão importante e relevante hoje que não conseguimos abrir os olhos sem uma referência a isso amanhã já não é mais que uma breve recordação. Nos jogos isso acontece com os géneros: numa altura aventuras de point and click eram a moda, depois desapareceram, agora há um revivalismo deste estilo, outro que teve na moda entre meados dos anos 90 do século passado até início de 2000 eram os jogos Real Time Strategy, muito às costas de Command and Conquer.Forged Battalion tenta revitalizar este estilo para os dias de hoje.

Comecei o jogo com algum preconceito digno de quem prefere sempre a sua estratégia por turnos. Nunca gostei de Command and Conquer, tal como muitos jogos de agora, nunca entendi o fascínio que os meus amigos e colegas da altura tinham por aquilo. Por outro lado sempre gostei de Age of Empires que também é RTS mas em diferente, eu sei que é o mesmo que dizer que não gosto de medalhões de vitela, mas se me derem uma boa costeleta de novilho marcha toda, só que é assim que as coisas funcionam. Não gosto do termo “sucessor espiritual” soa-me aquelas cenas inventadas pela sociedade para fazer algo parecer melhor, tipo ser “colaborador” de uma empresa. Forged Battalion é tão sucessor espiritual de Command and Conquer como PUGB ou CS:GO são sucessores espirituais de Quake Arena ou qualquer platformer é um sucessor espiritual de Super Mario Bros. Forged Battalion é um jogo que cai na mesma categoria, até poderíamos dizer que é fortemente inspirado em, mas isso seria induzir o potencial jogador em erro porque Forged Battalion tem um twist, uma pequeníssima alteração que permite ser diferente dos outros.

Quase na sua totalidade é um RTS comum focado em base building, onde criamos as nossas instalações e unidades recolhendo e gastando unidades para cumprir objectivos de missões que na sua maioria caem na categoria “destrói os outros e não deixes que destruam as tuas coisas”. Não é a primeira vez que a Petroglyph entra neste campo sendo 8-Bit Armies provavelmente o seu feito mais ambicioso até agora, e a Team 17 também não é daquelas casas que publica tudo, de Escapists, vários Worms e Overcooked têm um historial positivo portanto esta aposta das duas casas não podia ser apenas “mais um”.

A novidade e inovação de Forged Battalion e que faz o jogo valer a pena está fora do campo de batalha propriamente dito porque podemos criar as nossas facções e as nossas unidades, a customização de ambos é algo que não pode ser descurada em nenhuma parte do jogo. A tech tree é extensa e algo complexa à primeira vista, e as combinações de construção de todas as unidades requer cálculo e concentração, apesar de puxar o jogo para o campo ignorado nestes jogos que é o da engenharia, não são situações que se possa ter uma atitude de meter tudo e mais um par de meias num chassis com a mentalidade “trust me, I’m an engineer”. As unidades devem ser calculadas previamente pensando nos inimigos e batalhas que vamos enfrentar. Conhecimento é metade da batalha. A outra metade é violência. É preciso saber combinar as duas e fazer o melhor delas.

Forged Battalion conta com uma extensa campanha single player e capacidade multiplayer, e por melhor que seja, inclusive com a sua natureza diferente não acredito que seja capaz de dar a volta ao mercado, acho que nem sequer um Command and Conquer a sério era capaz de trazer os RTS de volta, a não ser que desse para torná-lo eSports que é o grande dinamizador de vendas de jogos hoje em dia.

É um bom jogo para quem tem aquela comichão nostálgica de C&C, e quer algo novo para tornar o jogos mais interessantes.