Há situações em que o título parece o ponto mais fraco de um jogo. E não o afirmo porque neste caso Space Pirates and Zombies 2 soa a um filme de série B da produtora brasileira Asylum, mas é na realidade um excelente jogo de estratégia indie com uma abordagem mais séria do que o seu título deixa antever.

Simpaticamente apelidado de SPaZ 2 para facilitar, Space Pirates and Zombies 2 é a sequela para o (surpreendam-se!) Space Pirates and Zombies de 2011, desenvolvido pelo estúdio MinMax. Apesar do nome bizarro, a história deste universo é facilmente explicado, e temos de sobreviver numa praga zombie universal, que deve ser mais ou menos o sonho molhado de alguém no mundo que tem o coração dividido entre o fanboyismo de The Walking Dead e Star Trek.

SPaZ 2 é uma space opera onde a Humanidade, para além de estar a combater um mal supremo, decide combater-se a si mesma. Nada de novo na galáxia. Mas o facto de mais uma vez este jogo (e apesar do título sugerir um jogo completamente diferente) levar-nos para um sandbox de estratégia com um um grande foco na construção, melhoramento e customização da nossa nave é o seu ponto alto.

Com o universo pejado de zombies espaciais, a nossa tripulação construiu a nave possível a partir de destroços encontrados, e é com elas que temos de sobreviver aos titulares piratas siderais (humanos, tal como nós, que estão a fazer pela vida) e mortos-vivos malignos que rondam as galáxias.

Agora que escrevi estas duas palavras (zombies+espaciais) juntas continuo a achar curioso como é que um conceito aparentemente risível resultou num jogo bem escrito, com uma narrativa sólida e interessante do ponto de vista de sci-fi. A personalização da componente estratégica do jogo em que construímos e alteramos a nossa nave principal de forma modular é tão interessante quanto era no jogo original, mas levado neste SPaZ 2 a uma escala de produção e execução muito superior.

O que SPaZ 2 faz não é inovador, e até temos tido muitos bons exemplos de jogos de estratégia espacial centrados na alteração de naves e no shooting, mas de uma certa forma foi o primeiro jogo da MiniMax quem abriu esta tendência, e definiu o “comportamento” que estes jogos deveriam ter no ecossistema indie.

Space Pirates and Zombies 2 é uma óptima aposta para quem gosta de jogos de estratégia em (universo) aberto, repleto de shooting e de customização de naves, e que até permite pilotarmos momentaneamente um caça e deixar a nave-mãe em piloto automático. Narrativamente interessante, SPaZ 2 (cujo som parece uma interjeição cómica) é um jogo obrigatório para fãs de ficção-científica e estratégia espacial em tempo real. Não se deixem enganar pelo título vago e estranho: o que aqui está é mais maduro e complexo do que possa parecer.