Caçada Semanal #133

O Carnaval aproxima-se e a dor de cabeça de muitos pais já começa a avolumar-se como uma tempestade longínqua mas que vemos formar no horizonte. Para pais que até gostem de fazer combos com as máscaras com os filhos a coisa pode complicar-se ligeiramente. Eu bem o sei porque é exactamente o que se passa lá em casa, com o nosso primogénito este ano a querer mascarar-se como o Anakin Skywalker, no terceiro filme, com aquela roupa preta fabulosa, ao que eu vou acompanhar vestido de Obi Wan Kenobi.

Os três indies desta semana falam todos de coisas que podiam (e vão) ser máscaras de Carnaval por muitas crianças por esse mundo fora. Piratas, Zombies, Mutantes e Cowboys estão todos presentes de uma maneira ou de outra nas nossas 2 escolhas da semana.

Mutant Football League

No já ido ano de 1993 (há precisamente 25 anos, para quem quer fazer contas e sentir-se velho) que Mutant League Football foi lançado para a Mega Drive com uma premissa muito simples: pegar nas mecânicas e motor de Madden ‘93 e dar-lhe um twist de fantasia.

Mutant League Football pegava então nas regras e nos elementos do futebol americano e adicionava-lhes perigos mortais no campo, obstáculos e armadilhas que faziam deste um desporto fatal para os seus jogadores. É que se conseguíssemos matar um número suficiente de adversários ganharíamos por desistência, já que os oponentes não teriam o número de jogadores mínimo para poder competir.

Nos últimos meses de 2017 o mercado indie viu chegar ao PC (e em breve à PS4 e Xbox One) Mutant Football League que é a transição apara os dias de hoje de Mutant League Football mas em 3D e com a ordem das palavras numa ordem trocada.

Assim como o jogo original, Mutant Football League tem níveis de compreensão que são quase exclusivos para os fãs da modalidade e da NFL. Sem qualquer licenciamento por parte da marca norte-americana, Mutant Football League tem equipas e jogadores que não são mais do que trocadilhos com os reais. Tem a mesma dificuldade para o mercado europeu que todos os Madden: o desconhecimento da modalidade dificulta (e quase impossibilita) qualquer usufruto do mesmo. 

Não sei de Mutant Football League é o melhor jogo de futebol americano da actualidade, mas as influências que este título nas mais recentes adaptações de Blood Bowl são mais do que óbvias.

High Noon VR

No final da última década do milénio a LucasArts aventurou-se por terras dos FPS com Outlaws e desenvolveu um dos meus jogos favoritos do género da altura. É possível que para isso em muito tenha contribuído o tema, visto que o jogo se desviava paralelamente à maioria dos FPS que tratavam de ambientes a roçar o sci-fi, e este jogo colocava o pé no ambiente dos western spaghetties que todos crescemos a ver.

Em meados de Novembro o mercado de VR viu chegar um título neste mesmo ambiente, capitalizando do interesse crescente nos jogos na primeira pessoa que a Realidade Virtual tem motivado. High Noon VR, criado pelo estúdio Octobox Interactive é um wave shooter estacionário, herdeiro de uma lógica de desenvolvimento para VR de experiências que requerem menos peso de renderização pela nossa imobilidade, e que compensa nos detalhes e na construção que nos circunda.

Como em qualquer duelo ao anoitecer, High Noon VR coloca-nos o desafio de sermos mais rápidos que os nossos adversários, com diversas armas disponíveis que vão dos sempre clássicos dois revólveres, a uma espingarda.

High Noon VR faz-nos viver o papel de um cowboy num jogo divertido e com uma vertente de entretenimento de Feira Popular. Alvejar os inimigos assim que eles aparecem, lembrando aquelas atracções para ganhar um peluche em que usamos uma pressão de ar. High Noon VR não é mais profundo do que isso mas é um stationary wave shooter que entretém, e é possível que isso seja tudo o que ele queria ser.