Jovem! Tens mais de 18 anos (ou menos, que o PEGI destes jogos é familiar) e sempre sonhaste com uma vida no mar e não tinhas como a usufruir? Sempre usaste sapatos de vela porque querias parecer beto mas nunca percebeste bem porque é que se chamavam “de vela”? Gostavas de andar a velejar mas o mais próximo que a tua família tinha de uma embarcação era aquela bóia amarela que compraste na praia da Fonte da Telha? Então não desesperes que este jogo é o cumprimento de todos os teus sonhos. Não desses sonhos. Dos outros. Dos que não envolvem gente nua e cefalópodes com mais tentáculos do que deviam ter.

Existem simuladores de tudo. Quem nos lê tem bem a certeza disto visto que já nos divertimos a explorar sugestões bem diferentes no magnífico mundo dos simuladores. Mas um simulador de vela? Existem algumas propostas no mercado, mas para aquilo a que Sailaway: The Sailing Simulator se propõe… ainda não.

À primeira vista a ideia de Sailaway: The Sailing Simulator nos obrigar a estar constantemente online pode soar assustador, ou ainda pior, a DRM. Mas este que é o primeiro jogo do estúdio Orbcreation quer fazer é diferente: retira dados meteorológicos em tempo-real da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) para tornar a experiência o mais realista possível.

E realismo é mesmo a palavra certa para descrever Sailway. Ao contrário de outras propostas de simulação, Sailway centra-se quase exclusivamente na faceta de recreação e lazer da vida marítima. Troca a simulação mercantil de outros jogos que já jogámos antes por momentos de descontracção a bordo de um iate ou de veleiro, a usufruir da brisa marinha virtual.

Só por duas vezes na minha entrei num barco do género, e não sou, de todo, um entendedor do jargão da vela. Mas Sailaway sabe que não podia ser circunscrito a quem conhece bem a actividade, e que só poderia ter sucesso se conseguisse ser acessível a qualquer pessoa, e o seu tutorial acaba por fazer-nos compreender devidamente as muitas partes de uma embarcação.

Um dos piores problemas de Sailaway: The Sailing Simulator é o facto de ter dedicado tanta atenção às componentes de navegação propriamente ditas e descurado fortemente a terra-firme. Com tantas localizações reais para onde podemos velejar – o que inclui Lisboa – é estranho o quão estéril os horizontes são, sem praticamente grande razão para atravessarmos todo o trajecto marítimo em tempo real e termos uma desilusão à chegada. As cidades têm pouca modelação e poucos pormenores, e acabam por parecer vazias.

Visto que as travessias são em tempo real e as informações das marés e dos ventos são actualizadas também elas em tempo real, significa que algumas travessias levariam meses para resolver. Com alguma simpatia Sailaway: The Sailing Simulator permite que o deixemos em piloto-automático e ainda nos envia updates via e-mail com as previsões do tempo de chegada.

Sailaway: The Sailing Simulator pertence a um nicho, e mesmo dentro desse nicho está destinado a um pequeno grupo de pessoas interessadas em aprender ou já com conhecimento sobre vela para o usufruir. Mas isto não lhe retira pontos à qualidade de simulação de todos os elementos que constituem um veleiro e o acto de velejar.

A derradeira experiência de simulação beta pode ser vivida nesta jogo. Calçar os velhinhos sapatos de vela (para quem os tem), vestir uma camisola da Sacoor, e rezar para uma versão de VR do jogo. Depois aportar o veleiro virtual e ir até ao Congresso do CDS-PP dar um beijinho à tia primeira-ministra virtual Cristas.