Caçada semanal #147

Não, não estou a falar das mortes que nos põem lágrimas nos olhos, como o do Mufasa no Lion King ou a mãe do Bambi, no filme com o mesmo nome. Ainda que no caso deste, e segundo o Manuel João Vieira, algumas pessoas ao invés de chorarem fiquem com outra reacção física.

Os videojogos têm cada vez mais incorporado linguagens da animação, seja estética ou conceptual, ainda que em muitos casos o público-alvo nem seja infantil.

É o caso dos 3 indies dos quais falamos hoje, onde a aproximação ao cartoon é apenas uma motivação visual.

Super Daryl Deluxe

Lançado ontem no Steam, Super Daryl Deluxe é um verdadeiro mimo para os olhos. O seu delicioso visual herdado das séries de cartoon e da banda-desenhada, com os cinzas a ocuparem grande parte da paleta tornam-no numa experiência única.

A ideia do jogo é a de levar um rapaz de liceu perfeitamente normal chamado Daryl a ficar envolvido numa trama complexa de faca e alguidar, que o vai fazer percorrer cenários do quotidiano (e não só) a combater dezenas de inimigos estranhos e bizarros.

Para isso, e numa lógica de RPG, temos uma panóplia de ataques nos diversos botões do nosso comando que podemos customizar para tornar Daryl o mais eficaz possível na luta contra as forças do mal. O único problema é que temos de gerir muito bem os cooldowns dessas acções, sendo que fazer combos é uma tarefa que depende muito dos timings que temos desde que pressionamos cada um dos muitos ataques que o protagonista tem na algibeira.

A história é divertida e a coesão de todo o jogo é impressionante, e serve como uma brilhante metáfora ao desajustado rapaz de liceu que luta contra as opressões normais da idade.

Fantasy Strike

O Steam tem-nos aborrecido com algumas tentativas verdadeiramente falhadas de 2D e 2,5D fighting games que tentam imitar os bastiões do género e caem redondos no chão. Felizmente, esse não é o caso de Fantasy Strike.

Lançado recentemente em Early Access no Steam, este jogo do estúdio Sirlin Games faz algo que muitos falham: uma preocupação extrema com os controlos, tentando criar um jogo que seja até fácil de controlar não só por quem ainda não é expert do género, como para quem utiliza teclado.

A sua extrema acessibilidade combinada com a excelente execução que o jogo já demonstra em alpha em termos de fluidez e de elenco tornam Fantasy Strike uma das melhores ofertas do género no mercado indie, e deixa antever um sucesso similar ao que outros indie fighting games como Skullgirls teve.

HorD: High or Die

E se as ideias loucas não chegassem, HorD: High or Die é um jogo recém-chegado a Early Access no Steam por apenas 1,99€, desenvolvido pelos Flowmasters e publicado por hOSHI.

Um twin stick shooter violento como tantos outros mas com um grande peso na história. E que história é essa? Se de início olharam para o High do título e pensaram que era um jogo sobre droga… acertaram.

HorD: High or Die passa-se no mundo de um filme sobre Droga (quiçá um spinoff de Breaking Bad ou Narcos?) em que temos de recolher pequenas amostras para criar uma droga chamada FLOW.

Com todo o seu gore não é decerto uma ideia feita por e para crianças, mas pelo reduzido preço pode ser uma boa resposta apenas para quem quer um joguinho barato para andar a fuzilar gente em troca de pixels vermelhos. E para quem goste de droga, que não é o meu caso.