A Hora do Meh #21

Go home, Jabba, you’re drunk!

Vamos falar de terror. E não, isto não é uma caçada sobre a entrega do IRS 2017, e o facto de que o Portal das Finanças dá erro em alguns browsers e tem obrigado algumas pessoas a entregar a sua declaração via Internet Explorer. Sim. Internet Explorer. O Internet Explorer é meh. É a Mafalda Veiga dos browsers, o João Pedro Pais dos programas pré-instalados em sistemas operativos.

Falamos sim de 2 indies perfeitamente amenos, que queriam causar efeito em nós, assustar-nos, arrepiar-nos a espinha, mas para quem os comprou serviu apenas para ter calafrios na carteira.

Past Cure

Eu percebo que temos de recompensar o arrojo de alguns estúdios indie que tentam, dentro das suas limitações orçamentais, ombrear com títulos AA e AAA. Past Cure é o jogo de estreia do estúdio alemão Phantom 8 Studio, e desde cedo que a sua apresentação visual deixou muita gente curiosa.

Já vi muitos filmes na net por engano que também começavam assim.

Com uma notória influência de The Inception, onde os sonhos e a noção de percepção são falados, Past Cure rapidamente demonstra que o que faz um bom jogo não são gráficos que rivalizem com grandes produções, mas sim a capacidade e a sensatez de olhar para si mesmo e para as limitações de quem cria e e tentar fazer o melhor possível com isso.

O resultado é apenas um thriller psicológico com elementos sobrenaturais de projecção extra-corpórea, furtividade com um level design questionável, e sequências de acção que tentam chegar mais longe do que os curtos braços do estúdio e de Past Cure alcançam. Notoriamente um caso de excesso de ambição, que toldou o real valor do que poderia realmente ser este Past Cure. O pior é que Past Cure não é um jogo mau, e nem sequer é tão bom quanto poderia ser. É apenas mediano. E isso num mercado onde há tanta oferta excelente e mais barata de bons thrillers, não chega.

Creeping Terror

Apesar do excelente catálogo da 3DS, se há área onde está algo desfalcada é no terror. Seja por grande mercado considerar que o público-alvo da consola é familiar (e talvez tenha razão), seja pelas limitações técnicas da consola quando comparadas com outras possibilidades trazidas por ecrãs maiores.

Smile, you’re on Broken Uninteresting Camera!

Creeping Terror foi um desses poucos casos, com o estúdio Nikkatsu Corporation recentemente a trazê-lo para o PC, naquilo que é pouco mais do que um port sem-vergonha. Muita gente poderia sentir que há injustiça nas limitações técnicas do jogo, e que a culpa pode ser da decisão de fazer um survival horror em ambiente horizontal com side scrolling. Mas basta lembrar-me de um ou dois jogos que comprei por pouco mais de um euro no início desta década, com visuais retro em pixel art, com a mesma estratégia de side-scrolling horizontal, e que souberam não só trabalhar de forma soberba com as suas limitações auto-impostas, como criar excelentes ambientes e histórias que causassem algum calafrio na espinha pela forma como foram escritas e executadas.

Neste caso isso não acontece. Creeping Terror é apenas um port de algum que funciona de forma mediana numa consola portátil, numa mediania que se torna longe do ambiente natural para o qual foi desenvolvido.