A música serve apenas para vos retirar o nome do jogo da cabeça, ou colocar, fica à vossa descrição, mas não consigo jogar sem me lembrar desta beldade da banda Marilyn Manson.

Ora de vez em quando até chegam algumas pérolas às minhas mãos. É o caso de Deep Sixed dp estúdio Little Red Dog Games.

Neste jogo incorporamos uma jovem Técnica de Inteligência Artificial que num trabalho aparentemente fácil, negligencia o mesmo e acaba por causar milhões de créditos em dano, levando a uma condenação de prisão e pagamento da dívida à sociedade. Astra Interstellar, uma empresa tecnológica com enorme poder e valor, paga essa dívida e “oferece” um voluntariado involuntário à nossa protagonista como forma de cumprir a pena de prisão.

Este voluntariado passa por explorar algumas partes do espaço inóspito, cartografar, registar e investigar fauna e colher minerais, mas porque razão precisam de “delinquentes” para isso, em vez de investigadores registados? É aí que a coisa fica interessante mas não vou dizer mais para não entrar em spoilers. Uma backstory curta mas fácil de comprar e com consequências interessantíssimas.

Temos ao nosso dispor uma nave que age como uma cela gigante, ou mesmo uma prisão só para nós, com algumas tecnologias incríveis, imensas salas diferentes que são completamente deliciosas para amantes de ficção científica como é o meu caso. Aliás são tantas salas que cheguei a pensar que não conseguia gerir tudo sozinho, como exemplo, existem 5 salas de observação onde em cada uma podem ser feitas acções como disparar armas, observar e estudar criaturas, colher materiais espaciais para análise e mais coisas que eu algumas eu próprio ainda não percebi bem.

Como nossa única e exclusiva companhia temos um sistema de inteligência artificial com respostas pré-programadas e um sentido de humor de uma criança de 6 anos, mas que faz uma companhia descomunal e me forçou a libertar algumas fortes gargalhadas pelo caminho. Para nos guiar no nosso caminho existem também manuais de instruções, sim, esse tipo de livros que vêm com tudo o que compramos mas nunca lemos. Pois aqui terão de ler e reler e voltar a ler e se forem como eu, tirar apontamentos. Este jogo para além de um roguelike é também um simulador, e como qualquer bom simulador, tudo pode correr mal e quando tal acontece, não podemos voltar atrás para um save anterior, temos de viver com as nossas decisões.

Temos de gerir a energia da nave, reparar avarias que podem aparecer aleatoriamente ou através de maus combates contra criaturas espaciais. É necessário realizar missões para avançar com a história. Nestas missões, escolhidas por nós a cada regresso à base, temos objectivos principais e secundários para cumprir no entanto podemos regressar à base a qualquer altura, caso não esteja a correr bem a missão. Qualquer altura como quem diz porque temos de aguardar alguns minutos entre cada salto espacial, e nesses minutos, muito pode acontecer.

Numa das minha aventuras fui atacado enquanto aguardava para realizar o meu salto espacial, já tinha completado os objectivos incluindo os secundários, quando do nada, aparecem duas “galinhas espaciais” (vão reconhecer facilmente quando as virem) que destruíram o restante 30% da integridade da minha nave. Tudo isto porque não reparava a mesma à duas missões, para utilizar os créditos em actualizações daquele monte de lata.

Reparar avarias é talvez uma das partes mais enervantes e ao mesmo tempo recompensadoras do jogo, lembram-se dos manuais que falei acima? Têm de descobrir qual é a falha, encontra-la no manual e repara-la “à la pata”, pior ainda, pode dar-se o caso de não terem materiais para executar a reparação e terão de comprar mais, quando voltarem à base, ah! e esses materiais só estão disponíveis depois de completarem mais uma missão após os encomendarem. A gestão de materiais e danos terá de ser feita minuciosamente até porque tudo custa “dinheiro”, coloco o mesmo entre aspas porque não é na verdade dinheiro, são sim uns créditos oferecidos pela empresa ao final de cada missão consoante os objectivos que cumprirmos em cada uma.

Esses mesmos créditos serão utilizados para tudo, comprar núcleos de energia, materiais para reparação, actualizações para a nave e mais coisas interessantes que deixo abertas à vossa descoberta. Pensei bens onde os querem gastar, e nunca pensei só no imediato porque como referi acima sobre a minha aventura, as vossas decisões voltam sempre para vos morder os calcanhares.

Cada bocadinho de informação que adquirirem vai ser óptimo, nada foi deixado ao acaso. Tomem atenção a cada virgula, ponto ou pausa da vossa A.I. será importante! Acreditem, não vos vai faltar acção neste jogo de estratégia/simulação. Cada clique vosso será reequacionado com uma consequência drástica (ou não). Em nenhum momento se devem sentir seguros mas ao mesmo tempo, nunca se vão sentir aborrecidos, isso, vos garanto.

Este artigo teve a ajuda de João Henriques e Carlos Figueiredo que à sua maneira me ajudaram a entender e a passar este jogo, tão interessante como importante numa boa biblioteca indie.