Caçada Semanal #156

Já cantaria o Bruce Dickinson, se tivesse uma deficiência na fala:
I am a man who walks alone

And when I’m walking a dak oad

At night or stolling though the pak (…)

A piada é parva, mas em extremo eu também sou, e até acredito que perca alguns pontos de parvoíce por reconhecê-lo. É que quando um dos 3 indies que trazemos hoje me caiu no colo ainda estive uns segundos a cantar a famosa música dos enormes Iron Maiden sem pronunciar os Rs. E isso é justificação que chegue para falar dos 3 jogos que trazemos hoje.

Ion Maiden

Já perceberam a piada? Ion Maiden para além de parecer um excelente jogo que poderia ter sido criado apenas poucos anos depois do magnífico álbum Fear of the Dark, é também a mais digna homenagem aos FPS de meados da década de 1990, mimetizando na perfeição os seus pontos fortes.

Se olharmos em retrospectiva é fácil de perceber o apelo dos jogos pós-DOOM que nos mantiveram colados aos velhinhos CRTs e cuja violência gratuita tanto celeuma criou nas mentes mais conservadoras. Era a sua velocidade frenética de movimento que nos obrigava a uns reflexos quase sobre-humanos, em jogos de conteúdo relativamente simples que nem precisavam de ter justificação para os banhos de sangue causados por nós.

Ion Maiden vive de toda a acção do género e da época, e ainda pega nos habituais segredos e multiplica-os, tornando a rejogabilidade de cada nível uma verdadeira necessidade. Este jogo é uma ode aos tempos dos FPS descomprometidos, executado de forma soberba, aprendendo em pormenor o que fazia de DOOM e Duke Nukem 3D verdadeiros porta-estandartes do mercado de então, aprendendo com eles e criando um dos melhores jogos do género.

Mesmo que para isso tenha de ser lançado com mais de 20 anos de atraso.

Who’s in the box?

Hidden objects games são um nicho bem mais poderoso do que imaginamos. Com um público fiel que sabe perfeitamente o que quer e como quer, a farta produção deste género tem garantido a subsistência e crescimento de alguns estúdios totalmente dedicados a produzi-los.

Ainda há meses comentava com a Maria João Andrade que me era fácil perceber o apelo do género, depois de numa noite ter começado e terminado um jogo destes. Há algo de simultaneamente relaxante e de descomprometido no que estes jogos nos pedem que servem literalmente para nos enterrarmos na cadeira de computador e nos deixarmos levar pela procura de objectos, tal como fazíamos em livros durante a nossa infância.

Who’s in the box? é um jogo destes mas consegue ir mais longe Com uma abordagem hiper-simples, no qual o jogo se desenrola dentro de uma sala com uma caixa de madeira no meio, de onde um personagem fechado nos fala e nos pede coisas. Mas ele não nos pede que encontremos objectos pelo seu nome, mas sim por uma descrição hilariante, mordaz, muitas vezes negra, que fazem valer a pena todo o jogo. Who’s in the box? é um hidden objects games mesmo para quem nem liga ao género, onde o texto brilhante nos rouba umas valentes gargalhadas e justifica a aposta na sua compra.

Zombie Serial Killer Incident

Falando em descomprometimento, Zombie Serial Killer Incident tem tudo para nos levar aos jogos criativos e casuais dos Kongregates desta vida. Desenvolvido por um pequeno estúdio japonês chamado Shindenken, a jogabilidade é tão simples, que pode facilmente servir de esvaziamento do cérebro, e momentos de relax em que transformamos zombies em manchas de tinta. Literalmente.

No nosso ecrã vão aparecer hordas de zombies diferentes e explosivos, e a nossa missão é fazermos combinações, e aproveitar o raio de explosão de cada zombie para fazer combos de extermínio de mortos-vivos. Apesar de ser mecanicamente simples, Zombie Serial Killer Incident pede-nos para sermos tácticos e pensarmos em que zombie disparar para os destruirmos a todos, visto que cada tiro conta.

Pelo ecrã ainda vão correr donzelas que temos de proteger e que temos de evitar que se tornem danos colaterais das explosões  e literais manchas na calçada. E apesar da simplicidade, Zombie Serial Killer Incident consegue entreter mais que a série de The Walking Dead, mas também não é preciso muito para isso.