A Hora do Meh #23

Ai aquela campanha da Eutanásia do CDS!

Antes que o ferro incandescente do furor da Eurovisão se esvaia e que voltemos todos àquele sítio onde fomos felizes por nem nos lembrarmos que a coisa existia, aproveitamos a oportunidade e a maravilha de Portugal ter mais uma vez voltado a estar num lugar que lhe é habitual, o último, para falar dos jogos mais medianos que jogámos esta semana.

E a reboque? Vamos apelar à vossa memória com alguns dos finalistas portugueses mais meh da Eurovisão. Infelizmente só temos 3 jogos para fazer paralelismo com músicas concorrentes, das mais de uma dúzia de excelentes candidatas.

Piano Play 3D

Isto ou um screenshot do Paint davam o mesmo resultado.

Piano Play 3D vem mais ou menos dez anos atrasado na febre dos Rock Band e uns cinquenta anos adiantados, já que acredito que só se algum dia chegarmos a ter alguma demência vascular acentuada é que vamos conseguir achar alguma piada a isto.

Se há alguém que ache que melhor do que tocar piano é jogar a uma espécie de “Piano Hero” dos trezentos, então essa pessoa vai ficar satisfeita com isto. Notas que vão caindo do céu e que temos de ir carregando nas teclas correspondentes para tocar a música. E a animação? Zero. Uma imagem constante do teclado de um piano.

Falando em zero, das duas vezes que Portugal recebeu zero pontos (sendo que numa delas, logo a primeira participação, me parece injusta) foi em 1997 com Célia Lawson e o seu Antes do adeus, uma música que nos marcou tanto quanto ao público e ao júri lá fora, ou seja, nada. Já ouvi a música três vezes para inclui-la neste artigo e é tão mediana que a única coisa que consigo guardar é mesmo o sintetizador tão típico dos 1990s em baladonas easy listening. E ao mesmo tempo pensar em músicas boas do género e não conseguir tirar nada da participação da Célia. Façam o teste: ouçam a música e tentem que algo vos fique no ouvido.

Lots of Balls

A beleza efémera de um Powerpoint numa reunião da empresa.

Não, este não é um jogo sobre isso que estão a pensar. Lots of Balls é um take diferente a jogos como Breakout e Arkanoid e que com alguma justiça consegue implementar uns tweaks engraçados de como alterar um conceito “tão gasto”.

Mas não me digam que pelos 3,49€ que custa os seus criadores não conseguiam contratar um artista/designer que conseguisse elevar a qualidade gráfica deste jogo acima de um protótipo manhoso feito em 2 horas com assets tirados do Powerpoint? O que Lots of Balls apresenta é tão horrível e medíocre que consome por completo qualquer vontade de mergulhar nas boas ideias que tem. Podia ser uma visão interessante de Arkanoid, mas é apenas uma visão de um copo de água turva e nada potável.

E por falar em água impotável, logo ali a virar o milénio e provavelmente já recuperados dos sustos do temido Y2K Portugal decidiu enviar como finalista uma boys band chamada MTM e que incluía na sua formação o Marco Quelhas. Não, esse Marco que estão a pensar é o Borges, e essa banda que vos chegou à memória são as M2M, o duo norueguês que teve o single oficial do primeiro filme de Pokémon.

Eu só sei ser feliz assim era a música, e apesar do Tony Jackson, o angolano que fazia parte da banda, ter uma excelente voz, faltava tanta coisa para que a música sequer conseguisse ser minimamente memorável. Aliás, acredito que muitos dos que estão a ler nem sonhavam que esta música existiu. E nem vou falar que se esta era a nossa definição de boys band, há uma parte ínfima de mim que tem saudades dos D’Arrasar. 

Iffy Institute

Faltavam só 100 metros para ser o Bomberman.

Um jogo multiplayer de acção competitiva num labirinto com animais de laboratório a sacarem uma de Highlanders com bombas e relâmpagos. Uma ideia porreira não fosse este uma espécie de Bomberman de vão-de-escada. A minha dúvida depois de jogar a Iffy Institute é porque raio é que eu haveria de querer jogá-lo (sendo que custa 4,99€) quando posso comprar o original mesmo em Virtual Console pelo mesmo preço e jogar a um jogo melhor? Apesar de ser criado por apenas uma pessoa, o jogo ainda vai ter muito que batalhar até ao lançamento final para sair da mediania em que está neste momento de Early Access.

Por outro lado temos uma tremenda dose de honestidade logo no título. Apelidá-lo de Iffy é quase um eufemismo.

E agora para o momento em que algumas pessoas vão pegar em archotes e correr atrás de mim, para mim falar em meh nos dias de hoje é sinónimo de André Sardet, Mafalda Veiga mas também da música Jardim com o qual concorremos à Eurovisão. Tantas foram as vezes que tentei lembrar-me da música depois de a ouvir que tudo o que me ficava no ouvido era uma espécie de ruído branco. “Perdermos” a Eurovisão a jogar em casa nem é assim tão surpreendente, já que a música era perfeitamente inócua musicalmente e bastante esquecível. E acreditem, que eu como sportinguista e português sei bem o que custa perder finais em casa.

Ficar em último foi mauzote, mas há sempre uma luz ao fundo do túnel. Foi a primeira das actuações da Cláudia em todo o processo em que ela não desafinou.