Arranca no próximo dia 9 de Junho o evento de desportos electrónicos, vulgo eSports, que há muito se pedia em Portugal. O mundo dos eSports movimenta milhões um pouco por todo mundo, tanto em público como em dinheiro. Portugal não é excepção mas, aqui neste cantinho à beira mar plantado, sofre-se um pouco das consequências de se estar na periferia da Europa. Há jogadores, há equipas, há competições, mas continua a ser um mercado um pouco fechado de si para consigo. Competições internas vão eclodindo no território nacional, umas fugazes, outras com um histórico de vários anos. Uns casos de sucesso, outros silenciosos falhanços. Certo é que a chama vai-se mantendo acesa e, embora uns furos abaixo daquilo que se vai fazendo lá fora, onde se enchem estádios e se disputam milhões, por cá, a Moche LPLOL, a EUL ou as Superligas vão mantendo a coisa a rolar. Bem, para uns, em lume brando, para outros.

Faltava então uma pedrada no charco. Algo que fizesse o país acordar para um mercado que em 2017 foi avaliado em perto de 700 milhões de dólares, com mais de 100 milhões a serem distribuídos pelos jogadores ao longo de perto de 4000 eventos espalhados pelos 365 dias do ano. É um gigantesco mercado que, por cá, ainda faz levantar sobrolhos em dúvida. Dúvidas que as consultoras especializadas rapidamente tratam de desfazer, fruto de um crescimento de dois dígitos ao ano (41% em 2017) que aponta para um mercado a valer perto de 1.5 mil milhões de dólares em 2020. Os eSportss têm vindo a ser vistos como o entretenimento de uma nova geração cada vez mais afastada das tradicionais programações televisivas e dos desportos. Talvez por isso, vemos cadeias de televisão conceituadas, como a ESPN ou a BBC a transmitir eventos de eSports e vemos os responsáveis máximos do desporto a puxar para si também uma fatia dos eSports a exemplo do que a Federação Portuguesa de Futebol fez por cá, organizando competições de FIFA.

Sendo um fenómeno global, usando da tecnologia para ultrapassar as normais barreiras ao desenvolvimento, o mercado dos Esports cresceu para mais de dez vezes aquilo que valia há dez anos. São eventos a esgotarem arenas em menos de uma hora, a forçarem organizações a procurar locais maiores para a sua organização, são transmissões a bater recordes de audiência, são milhões e milhões em patrocínios, bilhetes e prémios. São assim no gigantesco mercado global. Por cá, as coisas assumem uma dimensão regional. Há excepções, claro, e há esporádicas vitórias de equipas nacionais em eventos internacionais e há alguns casos de carreiras de sucesso no mundo dos eSports para um punhado de jogadores. Mas, em Portugal, a esmagadora maioria anda longe dos milhões. O público não assume números de massa crítica suficientes para justificar investimentos mais avultados em eventos e equipas. E, sem isso, torna-se difícil de competir com os gigantes, principalmente quando os do desporto-rei entram ao barulho, como o Paris Saint-Germain que recentemente adquiriu uma equipa e, em menos de um mês, amealhou 900 mil dólares em prémios de torneios vencidos.

Faltava por cá então o salto. Nada de inédito, repare-se, mas algo que traga público estrangeiro ao País, que atraia a atenção das grandes marcas – não do seu representante local ou Ibérico, mas da sua central Europeia ou Global, com orçamentos diferentes para investir. Faltava um evento que fosse capaz de encher uma Arena com gente dos quatro cantos da Europa e de um pouco de todo o mundo! Para isso, faltava um bom espectáculo. E, para isso, os melhores artistas, não da bola, mas dos ratos, dos teclados e dos comandos. E para esses aceitarem vir, desviando-se de calendários preenchidos e exigentes, há que haver um investimento significativo para prémios e condições para apresentar aos jogadores, ao público e às transmissões. Ao trazer alguns dos grandes nomes dos eSports como os SK Gaming, o Moche XL eSports procura fazer isso mesmo: abrir as portas de um país privilegiado em termos de clima e turismo para todo o gigantesco público afecto aos eSports.

O evento contará com torneios de Counter-Strike: Global Offensive, FIFA 18, League of Legends, Fortnite, Clash Royale, Rocket League e outros e tem tudo para ser um passo em frente no panorama nacional de eSports.