Parece que está a decorrer um mundial de futebol, talvez seja por isso que sempre que ligo a televisão nas notícias tenho que ver pelo menos 45 minutos de reportagens sobre o que Cristiano Ronaldo comeu, bebeu, se ele espirrou, a que horas se levantou, se tinha a bandeira içada ou a meia haste e as sobremesas que comeu. Depois disso ainda temos tempo para falar do Sporting e seja qual for a parvoíce do dia do seu ainda presidente. Mesmo com essa sobrecarga exagerada de bola, decidi meter-me em campo com Legendary Eleven na sua versão Nintendo Switch que tenta trazer de volta a glória do passado de jogos arcade, entre outras coisas perdidas dos anos 70s aos 90s do século passado.

Legendary Eleven, da Eclipse Games é um jogo de futebol à moda antiga. Mesmo à moda antiga especialmente nas modas, o calçãozinho curto e as meias altas, ou o belo mullet e a bigodaça farta. O visual do jogo também evoca os jogos da nossa memória, a imagem tem aquele grão e falta de definição dos ecrãs CRT nas arcadas onde jogava Super Kick Off, chegaram ao pormenor de usar equipas/selecções que já não existem como a Jugoslávia ou a U.S.S.R., os mais patrióticos podem ficar sossegados que Portugal está lá, apesar de não ter uma cotação tão alta como teria hoje em dia.

Apesar de umas falhas iniciais e uns bugs que já foram corrigidos do seu lançamento, há um certo encanto na simplicidade de Legendary Eleven, o jogo não quer ser um FIFA ou um PES, está o mais longe disso possível, quer ser um jogo nostálgico que é excelente para pegar, jogar e largar. Podemos fazer uns amigáveis ou campeonatos internacionais em que a dificuldade varia tendo em conta a nossa escolha de equipa. Se queremos uns jogos fáceis em que dominamos completamente os nossos adversários e só damos “Show dji bola”? Com a Argentina, Brasil ou Alemanha ao nosso comando demolimos 80% das equipas que têm o azar de estar no campo oposto ao nosso. Por outro lado, se queremos um desafio a sério, podemos escolher o Egipto com os quais chegar à baliza adversária já é difícil o suficiente.

Legendary Eleven foi feito para futebol rápido, podemos mudar a formação, trocar um ou outro jogador mas não mais que isso, o foco do jogo é para o que se passa no campo, onde encontramos a mecânica mais marcante do jogo. Para evitar que o jogador que controla uma equipa “superior” dependa do seu melhor homem em campo, o jogo recompensa o passe e a posse de bola, aumentando um counter que uma vez cheio permite um remate acrobático indefensável.

Há um esforço para tornar o jogo diferente e colocar aspectos como os cânticos de apoio do público que apesar de incompreensíveis influenciam a moral dos jogadores e a sua performance ou os cromos na caderneta digital que dão bónus e atributos especiais aos jogadores.

Por outro lado há pequenas falhas que todas juntas são o suficiente para tirar qualidade ao jogo. São aquilo que eu considero falhas de qualidade de vida, bens não essenciais mas que melhoram consideravelmente um produto. Além de achar o super remate um bocado OP, não que seja sempre fácil conseguir a posse de bola suficiente para o fazer, chateia-me que o nosso jogador fique parado enquanto carregamos um remate normal. Enquanto num episódio de Captain Tsubasa até é aceitável ouvir o monólogo interno das dúvidas mais íntimas de um jovem enquanto ele puxa a perna atrás (às vezes a ângulos irreais) antes de fazer um remate tão forte que a bola não só fica oblonga como desrespeita as leis da Física quando bate na rede, num jogo arcade é meio caminho andado para um adversário fazer o roubo e partir no contra-ataque.

Resultado 90% dos golos são feitos de super remate. A falta de animação na entrega dos cromos para a caderneta é um pequeno detalhe mas que podia dar aquela magia extra ao jogo, mas a falta de escolha de equipamentos é crassa. Quando duas equipas têm equipamentos semelhantes é muito difícil distinguir os nossos jogadores dos adversários. Mas talvez a falha maior seja na falta de licenças, um mal compreensível em termos de custos, mas o jogo perde tanto pela falta de pormenor e identificação de jogadores que é imperdoável. Não é só pela falta de permissão para usar imagens e nomes de jogadores reais, isso seria exagerado, mas num jogo em que a imagem dos jogadores devia ser tão característica devido ao estilo da época é pena que tenham optado por não aproveitar isso ao máximo já que os jogadores em campo ou nas parcas animações não têm imagens assim tão memoráveis.

Legendary Eleven não é perfeito, está longe disso, mas é um bom jogo arcade. Esforça-se em campo mas falha na finalização. É eficaz na táctica mas não faz o jogo bonito que o público está habituado. Tinha potencial para chegar às competições europeias mas ficou a meio da tabela.