Caçada Semanal #169

O Mundial está morto, viva o Mundial. Com a nossa selecção a cair perante 2 bons golos de Cavani, muitos de nós gritámos ao vento que o futebol acabou para nós e que não vamos voltar a ver a modalidade. Nunca mais. 

E acreditem que as últimas semanas não têm sido nada fáceis para um português sportinguista, mas é mesmo tudo da boca para fora. O futebol está-nos no código genético e é praticamente impossível separar-nos dele.

Portanto é hora de lamber as feridas e aceitar o Fernando Santos de bancada que todos temos e abraçar videojogos em torno do desporto-rei. Antes de falar dos dois jogos que têm o futebol como pano de fundo nesta caçada de segunda-feira de ressaca pós-eliminação do Mundial queria deixar a quem nos lê a pergunta que me assolou durante o jogo com o Uruguai, assim como às 12 pessoas com quem estava:

Quem é o Ricardo, jogador com camisola 15 de Portugal?

Football, Tactics & Glory

Misturar desportos e RPG não é novidade. Aliás, eu acho que algumas das vezes que o Matthieu me teu passar a sua paixão e conhecimento profundo do futebol americano referiu sempre as proximidades conceptuais com os RPGs. Mas videojogos com laivos de RPG não são novidade, e basta ver o que a Level-5 fez de bem com o seu Inazuma Eleven.

Football, Tactics & Glory é um indie que mistura simultaneamente a simulação desportiva e o RPG táctico, como se de repente pegássemos nas Forças Especiais de XCOM, lhes tirássemos as armas das mãos e os obrigássemos a irem treinar para um campo de futebol. Ou no modo mais difícil a irem para o Centro de Treinos de Alcochete*.

Desde miúdo que muitos dos meus amigos eram verdadeiros aficionados do futebol e jogos como o FM preenchiam-lhes as medidas do treinador escondido que tinham dentro de si. Um deles até enveredou por essa carreira depois dos 30 e agora faz scouting para o Bayern de Munique.

Mas voltemos a Football, Tactics & Glory, um jogo com bastantes características únicas e que consegue ser complexo, justo, mas ser aberto o suficiente até para jogadores que não sejam treinadores em potência de o compreenderem. É isso que sentimos com a sua faceta de team management, que apesar de ser detalhada (e de não ter licenças oficiais) nunca chega a ser impeditiva de o compreendermos e de percebermos todas as estatísticas para construirmos a melhor equipa (vulgo party) possível.

As componentes de RPG estão bem patentes na progressão de nível e estatísticas dos jogadores, que vão ganhando experiência nas suas posições e ficando cada vez melhores à medida que vão jogando. O sucesso das nossas acções e dos nossos jogadores é um misto de combinação das suas estatísticas pessoais e do rolar de dados pelo sistema, o que por vezes nos deitar por completo as previsões tácticas e as eficácias das nossas jogadas.

O sistema por turnos consegue torná-lo uma das melhores abordagens aos jogos de estratégia de futebol. Com um potencial virtualmente infinito, a larga comunidade que tem alimentado a Steam Workshop de Football, Tactics & Glory tem-na alimentado de perfis de equipas reais e ajudado a manter vivo um dos mais criativos e originais jogos de gestão de futebol que já vimos.

Football Girls: Dream Team

Se por um lado aconselhamos vivamente Football, Tactics & Glory, por outro o segundo jogo de futebol de hoje Football Girls: Dream Team é daqueles que vos dizemos para fugirem a sete pés, ou pelo menos à velocidade estonteante que a selecção portuguesa imprimiu a todos os seus jogos.

Um match-3 com a desculpa de a personagem feminina vestida com equipamentos desportivos ir ficando cada vez mais despida à medida que vamos conectando ícones no ecrã. E com toda a censura auto-imposta do jogo, nem sequer as imagens de fan service chegam a resvalar o hentai. Por 5,69€ conseguem comprar um match-3 medíocre que vos alicia com a promessa de ilustrações ousadas de jovens semi-nuas, mas cheias de censura auto-imposta. O nosso melhor conselho se quiserem mesmo gastar 5,69€? Avisem-nos e nós damos o nosso NIB e podem transferi-lo ao invés de comprarem este jogo. Vão deixar-nos muito mais felizes do que se decidirem a comprar este jogo.

* como sportinguista permitam-me um pouco de amor auto-depreciativo para poder ultrapassar de vez os traumas recentes.