Caçada Semanal #170

Façam o exercício de contar quantos jogos já jogaram em que andaram de espada em punho. É difícil não é? Não sei algum dia iremos ter uma estatística se existem mais jogos em que brandimos espadas ou disparamos armas de fogo. Se existir empate técnico, acredito que possa cair para uma ligeira vantagem para o lado da lâmina.

É o caso dos dois RPGs indie do qual vamos falar hoje, que apesar dos subgéneros diferentes são verdadeiros casos de capa e espada.

Anima: Gate of Memories – The Nameless Chronicles

Depois do sucesso do indie Anima: Gate of Memories, faria todo o sentido que o estúdio Anima Project quisesse voltar à torre onde os eventos do primeiro jogo decorrem. Com uma óbvia inspiração em action RPGs e hack ‘n slashes como Devil May Cry, Anima: Gates of Memories e esta sua sequela (ou “paralela”) são perfeitamente familiares para todos os que os jogarem.

A fluidez de combate e movimento do primeiro jogo regressa, comprovando mais uma vez que não podemos julgar a qualidade e o profissionalismo de um estúdio pela sua dimensão. Já jogámos muitos action RPGs com orçamentos incomparavelmente maiores que este Anima e que não passavam sequer 1/10 da noção de poder imparável e acção over-the-top que este jogo consegue chegar.

O enredo continua a ser um dos grandes condimentos deste Anima: Gate of Memories – The Nameless Chronicles, que permite que o seu argumento seja muito mais do que um mero cimento que une a parte de hack ‘n slashing, de golpes e combinações no ar. É até aqui que vem o grande ponto desta pseudo-sequela, pseudo-expansão: Anima: Gate of Memories – The Nameless Chronicles decorre ao mesmo tempo que o primeiro jogo, mas mostra-nos uma perspectiva diferente: a do personagem The Nameless que é um dos bosses desse título.

Esta mudança de perspectiva é um ponto interessante num jogo destes, especialmente porque alarga a demonstração do material original, o pen and paper RPG Anima Beyond. Obrigatório para quem adorou o primeiro ou para quem anseia por hack ‘n slashes a um preço mais convidativo.

KryptCrawler

Se há coisa que os dungeon crawlers na primeira pessoa gritam a plenos pulmões é a possibilidade de imersão em VR. KryptCrawler é mais um título a aproveitar o revivalismo relançado por Legend of Grimrock, mas criando uma experiência pensada para Realidade Virtual mas possível de usufruir fora dela.

O movimento (e as restantes acções) são feitas num sistema de grelha que de repente me lembrou o quanto eu adoraria ver Etrian Odyssey adaptado a VR. Mecânicas clássicas que servem para nos criar familiaridade na exploração das perigosas criptas deste jogo.

Se para quem não possui dispositivos VR há poucos argumentos para investir neste título quando devem ter o backlog de jogos de Steam a abarrotar de títulos do género, é o preço convidativo de cerca de 7€ e o ambiente VR que justificam a aposta. KryptCrawler não é brilhante com o seu visual a lembrar os tempos de PS1, nem em nada inovador mas é uma boa companhia para aquele Oculus Rift que têm a apanhar pó lá em casa.