A Hora do Meh #25

Nós bem tentámos desviar-nos, rolar no chão ou encontrar protecção contra os disparos de jogos meh que nos vão chegando, mas por vezes é demasiado difícil de o conseguirmos. No meio de tantos indies bonzinhos, de muitos assumidamente maus e de um punhado de títulos excelentes, lá chegam aqueles que são tão medianos que são difíceis de catalogar. E tendo em conta apenas shooters ou demais “jogos de tiros” é surpreendente o esforço que temos de fazer para ir “catalogando” em diversas categorias.

Esta A Hora do Meh traz-nos 2 jogos com potencial mas cuja execução ou teimosia dos seus developers os conduziram a criar títulos banais que estão muito aquém de tudo o que podiam ter sido.

Murderous Pursuits

Dos dois títulos este é aquele que mais me irrita de ter ficado tão mediano quanto resultou. Murderous Pursuits é o sucessor espiritual de The Ship, que deve ser dos jogos multiplayer pagos que mais gente tem nas suas contas de Steam, não só pelo baixo preço que o jogo costuma ter nas diversas sales mas também pela constante presença em bundles.

Neste murder party game (que em nada tem semelhanças com o actual ambiente de cortar à faca do PSD) o enredo é apenas uma linha cliché mas suficiente para servir de justificação para o o jogo. Aqui somos convidados por um misterioso milionário para jogar a um jogo de gato e rato homicida.

Lá é-nos atribuído um alvo sem nos darem a identidade certa e mecanicamente passamos a jogar um jogo de quente e frio até conseguirmos identificá-lo e assassiná-lo. Para isso temos de nos misturar no meio dos NPCs e percebermos entre eles quem são os humanos, especialmente o nosso alvo.

Assim que o detectamos temos algumas skills que podemos usar, ou para o atordoar ou para nos disfarçarmos e não sermos apanhados no acto. O loop é engraçado, há ideias interessantes aqui pelo meio, mas o círculo de repetição é tão rápido a chegar à monotonia e sem muitos jogadores online para tornar a experiência mais orgânica, rapidamente percebemos que as boas ideias de Murderous Pursuits demoram pouco tempo até ficar fora de validade e que se esgota muito rapidamente.

Sniper Rust VR

Jogos de sniping ou jogos que incluam segmentos dele pelo meio são algo que nos entusiasma a todos, e que praticamente toda a gente que já jogou jogos de acção gostou. No Borderlands quem me tirava o acesso ao sniper do qual agora não me lembro o nome tirava-me tudo.

É claro que o “sonho” de um bom jogo de sniping em VR parece o caminho normal e expectável para o género e para o meio, e Sniper Rust VR prometeu-nos isso mesmo. Mas no meio de tantos sonhos, o que recebemos foi uma pequena amostra do que poderia ser um bom jogo de sniping em VR e afinal é apenas o esqueleto de algo mediano.

Sniper Rust VR é um stationary shooter no qual temos missões que invariavelmente terminam em matar todos e sobreviver. Com alguns laivos de identificação de alvos VIP que poderiam dar um sabor diferente ao jogo mas que são manchados pelo facto de que não existe geração procedural de inimigos. Ou seja, depois de termos passado um nível já sabemos exactamente de onde aparecem os inimigos, o que retira uma grande parte do que poderia ser o seu elemento diversificador.

Este jogo leva a ideia de estacionário demasiado longe, e nem nos permite encontrar cobertura para recarregarmos a nossa arma. O que é incompreesível para um jogo desenvolvido em 2018, e acredito que pouco custaria a implementar esse elemento na sua jogabilidade.

Sniper Rust VR é perfeitamente meh naquilo que se propõe a fazer e ainda não é a leitura em Realidade Virtual de um bom jogo de sniping. Quem sabe esse “jogo prometido” esteja ainda no horizonte próximo?