Há muito mais nos 1980s para nos orgulharmos do que para nos envergonharmos. Quase tudo era melhor nessa louca década onde eu, com alegria, nasci. Se temos penteados e algumas escolhas de moda questionáveis, compensamos com elementos intemporais como a música, o cinema, as séries, as animações e os brinquedos. Até o Donald Trump dos 1980s era melhor que o de agora. Digam-me carros emblemáticos que consigam rivalizar com o Ecto-1, o DeLorean, o KITT, a Christine e até com o Batmobile do primeiro filme do Burton e que tenham surgido depois desta época e que consigam sequer estar num patamar próximo deste exemplos? E aviso já que me rio de quem referir, ainda que ironicamente, a série Fast & Furious.

Culpem-me também a idade pelo facto de gostar tanto de schmups. Nem preciso de justificar que muitos dos jogos que me ocuparam a infância eram jogos do género em 8 bits. Havia um muito especial que vinha incluído com a minha NES falsificada que era o The Super Dimension Fortress Macross, a adaptação da genial série de anime dos 1980s em que controlávamos um VF-1 Valkyrie que ora se transformava em veículo, ora em mecha, ou mesmo o Gradius que para alegria minha também vinha incluído e era igualmente brilhante.

Não foi surpresa que Black Paradox, dos italianos do Fantastico Studio acabasse por pegar-me na mão em todo o seu brilhantismo revivalista e me fizesse sentar no sofá da minha sala, de quando era miúdo.

Com retrowave e synthwave a “bombar” no headset, Black Paradox é uma excelente homenagem aos horizontal shooters dos 1980s mas trazido para os dias de hoje com uma pixel art detalhada e “filha” dos 16 bits, em que conduzimos um DeLorean voador (onde é que já vi isto) pelo espaço, para dar cabo “do canastro” a um grupo de malfeitores cósmicos espalhados em diversos pontos do espaço e do tempo.

Sim, é óbvio que Black Paradox não é apenas um piscar de olhos ao Marty McFly e ao Doc, é tão pouco subtil que é mais um valente beijo de língua demorado a Back to the Future do que outra coisa qualquer.

Há muitos elementos contemporâneos neste horizontal schmup. A começar pelos upgrades, alguns deles permanentes, e que podemos comprar e manter mesmo após termos morrido. A ideia de Black Paradox é conseguirmos numa run derrotar todos os vilões em sequência: exterminando um, abre-se um portal para o próximo e assim sucessivamente. Sempre que os derrotamos aparecem dois itens aleatórios de power up do qual só podemos instalar um, e que ficarão connosco até morrermos. E quando morremos começamos tudo de novo, mas com os chips que comprámos com o dinheiro amealhado entre runs (sendo que o dinheiro nunca se perde entre mortes) e que nos dão uns valiosos boosts para irmos enfrentando o desafio Black Paradox com maior confiança.

Pelo meio dos níveis vamos apanhando alguns power ups de tipos de bala mas que são “perdidos” sempre que vencemos o nível, o que nos obriga sempre a começar cada “missão” com os nossos disparos mais básicos.

Lançado para a Switch e para PC, Black Paradox é uma das homenagens à nostalgia dos schmups que nos chegaram nestas semanas e é verdadeiramente recomendável a todos os fãs do género. Não só pela óptima pixel art que nos leva para os melhores jogos de arcadas que chegaram já nos 1990s, mas pela excelente banda-sonora que só por si já merecia ser vendida isoladamente.