Graças às novas tecnologias, conseguimos ultrapassar aquele que até então era tido como o maior entrave no mundo dos RPGs de mesa: a distância. Com as mesas online conseguimos reunir pessoal dos quatro cantos do país e até do mundo e jogar durante incontáveis horas. Este acaba por ser o crítico ponto forte das mesas online.

Em adição, e para aqueles que gostam de uma experiência mais visualmente táctica, as mesas online conseguem satisfazê-la com facilidade, uma vez que em plataformas como o Roll20 é possível recriar cenários 2D perfeitamente jogáveis, sem ter que construir ou investir em terreno modular e miniaturas. Ainda assim, há uns aspectos menos bons que têm que ser referidos.

Os contras que vou aqui enumerar prendem-se à minha opinião pessoal e começarei pela preparação de uma sessão. Em plataformas como o Roll20 conseguimos recriar a experiência de uma mesa presencial normal, construindo cenários, caracterizações de personagens e organizando playlists. Tudo elementos que vão sendo apresentados com o decorrer da sessão. Uma coisa é criar tudo de raiz no Roll20, outra é ter uma série de conteúdo já preparado (mapas e afins) e ter que converter tudo para esse formato. Por exemplo, gosto muito da forma como o World Anvil funciona, mas não consigo ver-me a usá-lo nas minhas sessões de D&D no meu mundo de Dosluvi porque já tenho todo o respectivo material em plataformas diferentes.

Um outro ponto que tenho de referir prende-se à descrição de tudo o que se está a passar. Numa sessão presencial procura-se descrever tudo ao pormenor, desde a cor das paredes ao cheiro que se faz sentir, da postura de uma personagem a um tique nervoso que vai ficando aparente. A partir do momento em que no Roll20 conseguimos usar imagens, às vezes dou por mim a deixar a descrição para segundo plano e não lhe dar o ênfase que gostaria porque, lá está, uma imagem vale mais que mil palavras.

Toda esta gestão de recursos leva a um pormenor que tanto pode reforçar a experiência de jogo como prejudicá-la, e estou a referir-me às pausas. Não interessa o quão preparados estamos, mais cedo ou mais tarde vamos ter que parar a nossa narração e a nossa descrição para vasculhar o nosso inventário de recursos para disponibilizar uma imagem (e esperar que ela apareça) ou, em casos menos graves, mudar de música.

É claro que podemos também listar contornos sobre os quais não temos propriamente controlo, como actualizações das respectivas plataformas, estabilidade da ligação da internet e a própria prestação do computador que estamos a usar. Falhando uma destas partes, muito dificilmente se irá concretizar a sessão neste formato.

Estes aspectos “negativos” estão longe de ser um apelo para que não se recorra a estas ferramentas, muito pelo contrário. A vontade de reunir o grupo e de jogar o nosso jogo de eleição deve e supera sempre qualquer adversidade. Eu vou continuar a usar o Roll20 tanto para mestrar como para jogar porque é uma excelente plataforma para cumprir esse mesmo propósito.

Quando os dados conseguem ser rolados e histórias épicas conseguem ser contadas, o resto é paisagem.