Caçada Semanal #178

Com a facilidade de acesso de desenvolvimento de jogos para a Switch, o que foi nos primeiros meses um verdadeiro Eldorado para os primeiros indie que lá chegaram e que conseguiram vender muito sem grande competição, tornou-se nos dias de hoje uma guerra feroz entre pequenos estúdios.

E pelo meio de algum joio que por ali vai chegando acabam de ganhar os detentores de uma Switch que têm desde cedo um óptimo acervo de jogos indie para escolher, que contemplam todos os géneros e todos os gostos.

Nesta caçada falamos de dois dos exemplos mais recentes, exclusivos da consola híbrida da Nintendo.

Robbotto

Domo arigato. Eu bem tento mas a célebre música dos geniais Styx não me sai da cabeça sempre que entro no ecrã inicial deste pequeno indie exclusivo da Switch que saiu recentemente para a consola pela mão do pequeno estúdio JMJ Interactive.

Neste simples shooter platformer temos acesso aos dois protagonistas, Robb e Otto (originalmente nomeados como podemos ver) e que são dois robots de manutenção cuja única tarefa é limpar cada nível de toda e qualquer ameaça.

Para isso recorremos à memória dos momentos de simplicidade de jogos de outros tempos, em jogos antigos de arcadas onde toda a acção se passava num ecrã único e onde o salto e o disparo eram as nossas únicas armas para sobreviver.

Há muito revivalismo em Robbotto, um jogo que evoca também (ainda que de forma actualizada) o espírito e as criações para NES, tanto visual como mecanicamente e que é um quase déja vu para qualquer jogador mais “entradote” que pegue nele.

Robbotto é simples, descomprometido e divertido. Não inova em nada, limitando-se quase a servir de homenagem a tantos outros que já jogámos, mas é uma quase lufada de ar fresco nesse descomprometimento em que sabemos que “what we see is what we get”.

Ultra Space Battle Brawl

Falando de revivalismo e de homenagens a jogos antigos, dificilmente conseguimos ir mais atrás do que ao Pong ou ao seu pai, o jogo de ténis de mesa lançado na Magnavox Odyssey. Ultra Space Battle Brawl é o resultado de se colocar essas referências num shaker com Street Fighter, resultando num jogo de “luta” competitivo, em que a nossa arma de ataque são as esferas que vamos arremessando na tentativa de atingir a parede atrás do nosso adversário.

São 10 lutadores à nossa disposição, com personalidades distintas (e loucas) para além de poderes e fraquezas próprias, com Ultimate Attacks que existem para tentar explorar brechas na defesa e na movimentação dos nossos inimigos e controlar as esferas em campo.

Com uma diversidade média de personagens, parece-nos porém que este jogo não quis ir tão longe quanto podia, acabando por desenvolver os vários lutadores de forma relativamente superficial, tornando também qualquer tentativa de espírito competitivo numa promessa vazia.

Em muito prejudica a falta de sistema online. Ultra Space Battle Brawl é um jogo que consegue ser bem aproveitado da única forma que nos é permitida: em competitivo local, de forma old school. Mas mesmo assim não é garantido que a sua falta de profundidade e competitividade não venha rapidamente ao de cima.